"Advertir as pessoas contra crenças ou superstições é quase como adverti-las contra a amizade, a paixão ou as emoções fortes. Nada é mais humano. E há poucas coisas mais humanas do que as nossas crenças." 💭
Este livro resume-se como uma carta aberta de um avô aos netos. O avô, que é o famoso autor de "O mundo de Sofia", Jostein Gaarder, decide escrever uma carta aos netos, tentando resumir o que é isto da vida. É quase como um testamento filosófico, com reflexões sobre as grandes temáticas que nos definem como seres humanos.
Com um estilo simples e cativante (tal e qual como n'O mundo de Sofia), Jostein Gaarder aborda temas como o sentido da vida, a natureza humana, as alterações climáticas e o peso e o legado que nós vamos deixar às gerações vindouras. É, acima de tudo, um livro sobre a importância do agora, o que nós podemos fazer no agora, o privilégio que todos nós temos por estarmos e sermos "o aqui e o agora".
A certa altura, o autor escreve que "o mais importante que os pais podem fazer pelos filhos é serem bons e afectuosos para com eles. A segunda coisa mais importante é educá-los para serem bons e afectuosos para com os outros, para com os mais fracos, os animais, a natureza e as gerações futuras."
Parece que hoje em dia vivemos num tempo em que temos de afirmar e repetir as coisas mais básicas e banais. O que seria o senso comum, a chamada "noção" (sou só eu que já não consigo ouvir esta palavra sem a voz do Rodrigo Guedes de Carvalho a aparecer imediatamente a seguir na minha cabeça a dizer "tenham noção!"), hoje em dia parece que já não é tão comum assim. Coisas óbvias como direitos humanos ou as alterações climáticas não são óbvias para todas as pessoas. Que raio de humanidade é esta?
É um livro para reflectir mas sem o peso dos grandes clássicos da filosofia.