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Por que (não) ensinar gramática na escola

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O livro expõe questões relativas à natureza e ao aprendizado das línguas, destacando os fatores internos e externos da variação lingüística, a natureza das gramáticas “naturais”, dos “erros” dos aprendizes ou falantes, e aspectos do funcionamento dalíngua ligados aos contextos e valores sociais. Expõe e exemplifica, ainda, os conceitos de Gramática normativa, descritiva e internalizada, e apresenta algumas sugestões práticas de como trabalhar em sala de aula a partir da produção do aluno.

96 pages, Paperback

First published January 1, 2004

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Profile Image for Eduardo Vasconcelos.
42 reviews
June 6, 2024
Se trata de uma releitura, a primeira vez que li foi há uns 20 anos. O que me impressiona é como esse livro moldou a minha perspectiva do que seja o ensino de língua. Para além disso, considerando um texto escrito na década de 1990, impressiona que suas discussões sejam ainda tão atuais.
Profile Image for yagho szulik.
76 reviews3 followers
June 7, 2023
O que mais me chamou a atenção nesse livro foi, com certeza, a quantidade de informações e discussões levantadas em tão poucas páginas. Não me senti, em nenhum momento, no mérito de discordar do que foi abordado, considerando a argumentação muito bem construída e fundamentada. Além disso, o texto realmente abrange os homéricos desafios de se ensinar português, mostrando o que seria o ideal, mas sem descartar aquilo que é possível por conta do modo como a educação foi estruturada no Brasil (por exemplo, as nomenclaturas e conteúdos necessários para vestibulares). Valendo-se de uma linguagem completamente acessível, simples e clara, Possenti mostra as dificuldades metodológicas do ensino de português, mas sem desanimar aquele que o lê.
Profile Image for Bruna Alves.
30 reviews19 followers
April 22, 2018
Resumo: O autor divide o livro em duas partes: Na primeira, nos fornece teses e justificativas do porque não ensinar gramática da maneira tradicional que costuma ser abordada nas escolas. Na segunda parte, explica os tipos de gramáticas existentes e a melhor forma de utilizá-las no lecionamento da língua materna aos alunos.

Palavras-chave: Ensino. Gramática. Português

p.16 - É que, para que o ensino mude, não basta remendar alguns aspectos. É necessária uma revolução. No caso especifico do ensino de português, nada será resolvido se não mudar a concepção de língua e de ensino de língua na escola (o que já acontece em muitos lugares, embora as vezes haja discursos novos e uma pratica antiga).

p. 19 - Em que consistiria o domínio do português padrão? Do ponto de vista da escola, trata-se em especial (embora não só) da aquisição de determinado grau de domínio da escrita e da leitura.

p. 20 - São relativamente poucos os alunos egressos do segundo grau que executam esses dois tipos de atividade com frequência e naturalidade.

p. 20 - Uma das medidas para que esse grau de utilização efetiva da língua escrita possa ser atingido é escrever e ler constantemente.

p. 22 e 23 - Se nossas perguntas são sempre sobre o que é certo ou errado, e se nossas respostas a essas perguntas são sempre e apenas baseadas em dicionários e gramaticas, isso pode revelar uma concepção problemática do que seja realmente uma língua, tal como ela existe no mundo real, isto é, na sociedade complexa em que é falada.

p. 23 - Os dicionários e as gramaticas são bons lugares para conhecer aspectos da língua, mas não são os únicos e podem até não ser os melhores.

p. 26 - Da mesma maneira, hoje sabemos que todas as línguas são estruturas de igual complexidade. Isto significa que não há línguas simples e línguas complexas, primitivas e desenvolvidas. O que há são línguas diferentes. (grifos do autor)

p. 33 e 34 - Por isso, para quem pretende ter uma visão mais adequada do fenômeno da linguagem, especialmente para os profissionais, dois fatos são importantes: a) todas as línguas variam, isto é, não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma; b) a variedade linguística é o reflexo da variedade social e, como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel entre os indivíduos ou grupos, estas diferenças se refletem na língua. (grifos do autor)

Referência: Possenti, S. Por que (Não) Ensinar Gramática na Escola. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1996.

p. 34 - Um dos tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas são externos à língua. Os principais são fatores geográficos, de classe, de idade, de sexo, de etnia, de profissão etc. (grifos do autor)

p. 36 - Assim, as variações linguísticas são condicionadas por fatores internos à língua ou por fatores sociais, ou por ambos ao mesmo tempo.

p.37 - O que fazer para uniformizar a linguagem de homens e mulheres? Não é necessário imaginar uma solução radical, como eliminar um dos sexos. Mas, poder-se-ia questionar seriamente os valores machistas que produzem esta diferença. Nesse sentido, uma discussão sobre valores sociais pode ser uma aula de português mais valiosa e frutífera do que uma aula com exercícios para eliminar gírias, regionalismos e solecismos.

p. 38 - Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam. (grifos do autor)

p. 43 - Uma comparação bem feita entre o que é igual e o que é diferente na fala de pessoas diferentes de um país como o Brasil mostra que as semelhanças são muito maiores que as diferenças.

p. 48 - Como aprendemos a falar? Falando e ouvindo. Como aprenderemos a escrever? Escrevendo e lendo, e sendo corrigidos, e reescrevendo, e tendo nossos textos lidos e comentados muitas vezes, com uma frequência semelhante à frequências da fala e das correções da fala.

p. 50 e 51 - Por exemplo: para descobrir o que os alunos de uma próxima sexta série já sabem e o que ainda não sabem, basta analisar os cadernos e demais materiais dos alunos que acabaram de concluir a quinta série na mesma escola, com um professor conhecido na escola e com quem se pode discutir alternativas. Adotando esse critério para todas séries, saberemos o que os alunos já dominam realmente e o que lhes falta ainda, em relação ao português padrão (escrito, principalmente). Descobriremos que livros já leram, como escrevem, quais os principais problemas que ainda têm (se ainda os houver), após determinado número de anos na escola.

p. 56 - Por último, para coroar uma série de obviedades, uma última: as únicas pessoas em condições de encarar um trabalho de modificação das escolas são os professores. Qualquer projeto que não considere com ingrediente prioritário os professores - desde que estes, por sua vez, façam o mesmo com os alunos - certamente fracassará.

p. 76 - Pesquisas mostram que as pessoas utilizam muito mais frequentemente do que imaginam as formas de expressão que consideram erradas. Este fato, aliás, tem uma forte influência na mudança linguística: as formas “erradas” que as pessoas cultas começam a empregar perdem sua conotação negativa e acabam por tornar-se “certas”.

Referência: Possenti, S. Por que (Não) Ensinar Gramática na Escola. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1996.

p. 78 - A noção mais corrente de erro é a que decorre da gramatica normativa: é erro tudo aquilo que foge a variedade que foi eleita como exemplo de boa linguagem. É importante, neste ponto, fazer duas considerações. A primeira é que “os exemplos de boa linguagem” são sempre em alguma medida ideias e são sempre buscados num passado mais ou menos distante, sendo, portanto, em boa parte arcaizantes, quando não já arcaicos. Certamente, embora em matéria de língua nada seja uniforme, os exemplos de boa linguagem utilizados pelas gramaticas são mais arcaizantes do que os encontrados em jornais e nos textos de muitos escritores vivos de qualidade reconhecida.

p. 80 - Diferenças linguísticas não são erros, são apenas construções ou formas que divergem de um certo padrão. São erros aquelas construções que não se enquadram em qualquer das variedades de uma língua.

p. 88 - Portanto, a primeira tarefa da escola, do ponto de vista do ensino da gramatica, é aumentar o domínio de recursos linguísticos por parte do aluno. Isso se faz expondo o aluno consistentemente a formas linguísticas que ele não conhece, mas deve conhece para ser um usuário competente da língua escrita. Se tais formas não são faladas, só um bom programa de leitura pode produzir a exposição necessária ao aprendizado ativo. O aluno aprendeu o dialeto com o qual tomou contato falando e ouvindo ativamente, na maior parte na própria família, algumas coisas com outras crianças da sua idade, outras com os marmanjos que lhe ensinam alguns segredos da vida, outras assistindo a programas de televisão. Seguindo o mesmo processo, vai aprender outras formas lendo, em especial aquelas que tipicamente estão apenas nos livros.

p. 89 - Assim, a escola deveria acreditar que a saída é ler muito, aumentar o repertório do aluno, suas possibilidades de contas com mundos linguísticos que ele ainda não conhece através dos livros.

p. 95 - Deveria ter ficado claro nas entrelinhas que as sugestões se resumem a uma única grande ideia: fazer com que o ensino do português deixe de ser visto tomo a transmissão de conteúdos prontos, e passe a ser uma tarefa de construção de conhecimentos por parte dos alunos, uma tarefa em que o professor deixa de ser a única fonte autorizada de informações, motivações e sanções. O ensino deveria subordinar-se à aprendizagem.
12 reviews
November 2, 2020
De forma bastante sucinta, este livro procura dar alguma luz sobre aquilo que é e o que deve ser o ensino de línguas na escola. Resume os problemas tradicionais do ensino da gramática, como o decorar de nomenclaturas, o ensino demasiado enfático sobre estruturas de língua que os falantes já dominam, entre outros.
Objetivamente, propõe que o ensino da língua seja, em primeiro lugar «uma aprendizagem» e um elemento democratizador. Assim, defende que o ensino da «gramática» deve ir ao encontro da linguística descritiva, libertando-se de preconceitos sociais. Para isso, o autor faz resumidamente as distinções entre regra, língua, norma, etc., por forma a que as estratégias a adotar possam ser mais do que vagas abstrações e teorizações de didática da língua.
Por outro lado, o ponto de vista do autor peca por não contemplar a possibilidade de haver alunos de facto interessados na questão aplicada da linguística, para a qual o conhecimento de conceitos linguísticos mais profundos é necessário. Sabemos perfeitamente que não se trata da maioria, mas ainda assim é uma possibilidade que existe, tal como existe para todas as outras áreas do saber, como a Matemática ou a Biologia, que ainda assim preveem que uma parte do alunato pretenda tornar-se, efetivamente, matemático ou biólogo.
Profile Image for Lais Fagundes.
63 reviews1 follower
May 15, 2016
Vontade de tacar esse livro na cara de algumas pessoas e só <3
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