"Os textos revelam que Cascaes foi observador atento da cultura popular de sua gente. Ele soube tratá-la com criatividade e esmero, e produziu textos portadores de traços sociológicos, linguísticos e literários de grande interesse e capazes de cativar o leitor". Oswaldo Antônio Furlan
Através de desenhos e "causos" recolhidos entre os descendentes de açorianos, o autor mostra parte das pesquisas que dedicadamente realizou ao longo dos anos.
Quase 50% do texto das 24 narrativas escritas por Franklin Cascaes entre 1946 e 1975 consta de diálogos entre falantes açoriano-catarinenses pouco ou nada escolarizados da Ilha de Santa Catarina e da faixa litorânea fronteiriça a ela, bem como de relatos feitos por esses falantes.
Não conhecia Cascaes, até ver murais com sua cara, fundações e ruas com seu nome e livros e mais livros de sua autoria nos sebos de esquina de Florianópolis. Finalmente botei as mãos nessa obra hiper-recomendada dele e não me arrependo um segundo!!
Cascaes faz juz à memória ilhoa, com personagens caricatos e folclore vasto, que permeiam todos os cantos da ilha e todas as linhas dessa obra, que traduz do dialeto manézinho, uma riqueza cultural absurda!!
Neste aniversário da Ilha da Magia (345 anos), como é conhecida a cidade maravilhosa de Florianópolis, que tenho o prazer de chamar de lar, não poderíamos falar de ninguém mais, ninguém menos do que ele, Franklin Cascaes.
Sua obra mais conhecida, O Fantástico Na Ilha De Santa Catarina, imortaliza 24 histórias de pescador com temáticas de bruxas e bruxarias, muito tradicionais na ilha.
Com uma maestria sem igual, Cascaes apresenta um mundo rico em crenças e imaginação, que vai de bruxas se transformando em galinhas, a saci-pererê, curandeiros, pescadores enfeitiçados, encontro de bruxas, e por aí vai.
Além de toda a riqueza cultural, as histórias que fazem parte de nossa tradição e folclore, também apresentam os hábitos alimentares da região, hábitos de saúde e outras crendices que carregamos diariamente em nossa vida.
Apesar do dialeto usado pelo autor (nossa marca registrada, hehe), ser escrito exatamente como é falado na ilha, a leitura é divertida. Para muitos, até mesmo para quem é da região, se acostumar com o estilo de linguagem é um processo demorado, mas nem por isso, perde a mágica. Ao meu ver, isso torna o livro muito mais especial. É como decodificar uma charada, e ao final sentir o sabor da vitória.
A obra é uma verdadeira aula de imersão cultural, um orgulho para nós, os manezinhos, como somos conhecidos. O livro leva um pouquinho da cultura florianopolitana para o resto do Brasil, quebrando com a visão tradicional de um lugar apenas turístico.
O Fantástico Na Ilha De Santa Catarina levará você a uma viagem nesse universo fantástico, mágico e colorido que é a Ilha da Magia, nosso pedacinho de terra perdido no mar.
Muito interessante a coleção que Cascaes fez em Santa Catarina. Como sempre eu dou 5 estrelas pra os livros de pesquisa de folclore porque o trabalho feito sempre é muito árduo e rico. Confesso que o uso o português falado-mas-escrito deixou a leitura um pouco mais difícil.
Fui pra Floripa e num bar conversei com uma pesquisadora e defensora da continuidade do folclore manézinho nas escolas. Pedi indicação de leitura para conhecer mais dos encantados da ilha e Franklin Cascaes foi o primeiro nome que ela citou. Comecei a leitura e já estou fascinada!
Importantíssimo relato cultural dos descendentes de Açorianos na Ilha de Santa Catarina, antiga Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (nome esse que não é utilizado pelo autor).
O livro é composto por 24 narrativas retratando os costumes, língua e, principalmente, relação com o sobrenatural dos habitantes do interior da Ilha de Santa Catarina. Essas narrativas são frutos de mais de 30 anos de pesquisa e apresentam ao leitor as tradições bruxólicas da ilha importadas dos Açores por seus imigrantes. Um aspecto extremamente relevante da obra é a voz dos personagens, que retrata fielmente o modo de fala local daquele tempo (entre as décadas de 1940 e 70).
O livro é recomendado para todos que estejam interessados em conhecer mais sobre a cultura da Ilha de Santa Catarina e o fantástico que a habita.
A madame Literatura não reconhece aqui tantas virtuoses. Os contos são um bocado repetitivos e pode ser que algo da premissa não tenha envelhecido tão bem assim. É entendido melhor como um trabalho de resgate da cultura ilhoa.
Mági dito isso é muinti teressante di lê. Tem um istilo própro pra mo’di contági as história i o pensu curiôso como vão legi essas página os leitô qui num si habituaro nunca na manêra qui a gênti fala. Teressanti como qui as gravura i os conto si interági i muintu legáli como as paiságe da iia paréci. O fiquê o tempo todo inté imaginandu os morro, as praia i as freguesia qui ele falava.
Ilha das velhas faceiras E, também, das moças prosas: As bruxas dos teus recantos São lindas que nem as rosas
O livro retrata sobre a cultura dos descendentes da Ilha de Santa Catarina. Pelo que eu vi, Cascaes se recusou de colocar, em sua obra, o nome Florianópolis para representar a cidade, sempre tratando-a como Ilha de Nossa Senhora do Desterro ou algo parecido. Enfim, o livro é bem interessante, principalmente quem tem curiosidade sobre contos regionais/culturais.
Livro fantástico para entrar no "universo mental" e nas sensibilidades dos(as) açorianos(as) que colonizaram a ilha. Edição muito bem feita, vocabulário rico e histórias intrigantes.