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Eusébio Macário #1

Eusébio Macário

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"São duas frases de entranhada gratidão a alguns críticos bons, delicados que inutilizaram os períodos percucientes, os punhais das ironias com que tencionavam traspassar do peito às costas o Eusébio Macário, tão sinistramente agoirado. Esta reconsideração, já agora, é uma virtude que daria santos à legenda áurea dos literatos, se eles coubessem no Céu, onde há tantos, beatificados por fomes de trutas e sedes de "lacrima-Christi" - que importa o mesmo dizer fomes e sedes de justiça. O tímido autor esperava que os artistas não refugassem a obra tracejada, e afirmassem que eu, nesta decrepidez em que faço ao estilo o que os meus coevos de juventude fazem ao bigode, não podia penetrar com olho moderno os processos do naturalismo no romance. Ora a coisa em si era tão fácil que até eu a fiz, e tão vaidoso fiquei do Eusébio Macário que o reputo o mais banal, mais oco e mais insignificante romance que ainda alinhavei para as fancarias da literatura de pacotilha. Se eu o não escrevesse de um jato, e sem intermissões de reflexão, carpir-me-ia do tempo malbaratado."

170 pages, Paperback

First published January 1, 1879

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About the author

Camilo Castelo Branco

622 books299 followers
«Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do que escrevia. Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica, mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa.»
Fonte; http://www.luso-livros.net/biografia/...


Camilo Ferreira Botelho Castelo-Branco (1st Viscount de Correia Botelho), was born out of wedlock and orphaned in infancy. He spent his early years in a village in Trás-os-Montes. He fell in love with the poetry of Luís de Camões and Manuel Maria Barbosa de Bocage, while Fernão Mendes Pinto gave him a lust for adventure, but Camilo was a distracted student and grew up to be undisciplined and proud.

He intermittently studied medicine and theology in Oporto and Coimbra and eventually chose to become a writer. After a spell of journalistic work in Oporto and Lisbon he proceeded to the episcopal seminary in Oporto in order to study for the priesthood. During this period Camilo wrote a number of religious works and translated the work of François-René de Chateaubriand. Camilo actually took minor holy orders, but his restless nature drew him away from the priesthood and he devoted himself to literature for the rest of his life. He was arrested twice, the second time due to his adulterous affair with Ana Plácido, who was married at the time. During his incarceration he wrote his most famous work "Amor de Perdição" and later it inspired his "Memórias do Cárcere" (literally "Memories of Prison"). Camilo was made a viscount (Visconde de Correia Botelho) in 1885 in recognition of his contributions to literature, and when his health deteriorated and he could no longer write, Parliament gave him a pension for life. Going blind (because of syphilis) and suffering from chronic nervous disease, Castelo Branco committed suicide in 1890.

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Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for Bernardo Magalhães .
23 reviews1 follower
December 9, 2020
“Compreendi, e achei que eu, há vinte e cinco anos, já assim pensava, quando Balzac tinha em mim o mais inábil e ordinário dos seus discípulos.”

Eusébio Macário é a obra mais asquerosa que já li e adoro-a perdidamente. Camilo Castelo Branco é um autor tremendamente incompreendido - tanto por detratores como por fãs -, e esta novela relativamente tardia na vida atribulada do escritor não falha à regra: oiço o que se diz de Eusébio Macário e, um pouco como me acontece com Amor de Perdição, sinto que eu e os outros não lemos o mesmo. Julgo que a posteridade entende pior Camilo (e Simão Botelho, cujo génio, diga-se de passagem, espelha, creio, em muitos pontos o de Camilo, mas nunca como se diz por aí) do que os seus coevos. Lá está o pobre Camilo a ser enfiado a toda a força num Ultrarromantismo decadente – um nado-morto em Portugal, deixado demasiado tempo no ventre enquanto o país se entretinha com a guerra -, de que desdenhava e com o qual pactuava com um sorriso trocista! Vestem-no de romântico e mandam-no traduzido para a Lello a ver se a estrangeirada cai no engodo – e não é que cai? Mesmo no seu suposto período romântico, Camilo transgride tanto quanto se conforma, e, sempre que se conforma, parece piscar o olho e dizer “Há que ter pão na mesa!”. Tinha razão, e o que nos resta é uma obra que por vezes se vende, mas com dignidade, que soleniza os seus sentimentalismos interpolando-os com caracterizações profundas (como é que ninguém as nota?) e lances trespassantes, enfim, uma puta sáfica, leitora de Voltaire, digna de qualquer babado romântico francês. Tudo isto para dizer que a interação entre Camilo e o Romantismo é tão incompreendida como a que há entre Eusébio Macário e o Naturalismo. Eusébio é, no fundo, uma novela sobre pretensões, e a pretensão mais essencial para que a sátira funcione é a pretensão Naturalista, ou antes, a pretensão de um Naturalismo mais tardio, formalizado, virado escola – que nos faz lembrar o Ultrarromantismo, também formalizado, flanderizado, cheio de tropos e atalhos. Eusébio Macário troça da “escola Naturalista”, de quem julga que escrever uma obra naturalista consiste na descrição farta do repulsivo, nas linhagens e nos ambientes formativos, na influência fatal da alimentação nos caracteres, nas enumerações infindas, na incontornável pulhice de todas as personagens (a personagem mais sensible da obra é um lobo pacato que surge num parágrafo e é cobardemente morto por um padre lascivo no seguinte) e no uso constante do vocabulário e imaginário estrangeiros; e, meu deus, que bem que o faz! Esta pretensão é espelhada pelas personagens – Bento pretende à nobreza pelo dinheiro, Custódia à alta sociedade pela sedução -, que pretendem sempre a mais do que lhes cabe, caindo no ridículo. É uma forma gasta de ridículo, mas que, levada, assim, a extremos caricaturalmente asquerosos, tem ainda muita graça. Fica-se com a impressão de que as personagens em Eusébio Macário são massas flatulentas de carne dadas às paixões mais imediatas, capazes projetar o seu amanhã apenas em termos da acumulação de contos de réis, prontas para largar toda e qualquer coisa querida em nome de um título ressonante.
Vou parar porque não me apetece escrever mais, mas devo dizer que dei cinco estrelas porque toda a gente minha amiga que o leu lhe deu duas, e ele merece um contrapeso; em precisão, merece algures entre quatro estrelas e quatro e meia, ou qualquer coisa por aí. Eusébio Macário, apaixonei-me por ti quando pela primeira vez limpaste o suor das pregas do pescoço com o teu lenço de alcobaça.
Profile Image for Luís.
2,384 reviews1,377 followers
October 7, 2025
Eusébio Macário's action perfectly aligns with the current political and cultural spirit, with more substance than sentiment. Eusébio Macário, future Knight of the Order of Christ, pharmacist, despotist cabralist, and widower of a female character only referred to as «Canelas». Famous adulteress seeks to survive and watch over her children's honour, José Fístula, ex-seminarian, a specialist in fado, temporary pharmacist, aspiring surgeon, and lover of married ladies, and Custódia, the "proud girl" and married maiden. This family's destiny is intertwined with the "Brazilian" Bento Montalegre's family, an immigrant who sold himself to a decrepit, wealthy widow. Who left him grinding, farms, Felícia's brother, "freshwoman, with a bloody colour, overweight, protruding hips, thirty-five years old". Who lived married with Abbot Justino, a womanizer with no ideals, "stomach with some Latin and many stars". The intrigue develops with the arrival of Bento, whose wealth buys him the mentioned titles, a wife (Custody), and a husband (José Fístula) for Felícia, who leaves the priest. This fact, in turn, does not take long to find a new and gifted companion.
Still, the feeling of partying inherent in the parody responds to the surface of nausea and emptiness of its reverse. In which is inscribed the image of «closed rows of pines up there in the ridges», reminding «squads of giants, amazed, looking at us pygmy burlesque, who walk down here sprinkling like revolting bugs in the huge green rot of the planet». In this sense, the work ultimately explores the structural misery of human life, unable to free itself from its fundamental matter.
Profile Image for César Lasso.
355 reviews113 followers
April 2, 2016
Wow! It's the 2nd novel I have read by this author and I am falling for him. How clever and versatile he was! The pinnacle of Ultra-Romanticism –the peculiar hypertrophy into which Portuguese Romanticism evolved–, he made in this new novel a hilarious parody of Zola's Naturalism, which was beginning to change the literary taste in Portugal. He later on evolved into Realism without sarcasm, but including elements of his previous Romanticism. He also wrote about History, literary criticism, tried poetry, was a playwright...

His characters are quite flat –either heroes or villains in Doomed Love, all villains in this new work. But his plots are very well built and take the reader in. He is a knowledgeable author so sometimes you might feel the need to look up some details mentioned in his books.

His life was agitated and miserable –in fact, he ended up committing suicide by a shot in the head. He was a womanizer, spent a couple years in prison for a scandalous affair with a woman of an upper-class... Although very popular in his own time, he was very badly paid, so his prolific writing afforded him little more than living by the day. In fact, he killed himself when he was beginning to lose his sight.
Profile Image for tiago..
466 reviews134 followers
November 4, 2020
Tendo a não tecer a melhor opinião dos talentos literários de Camilo Castelo Branco (pese a ter uma ou outra obra verdadeiramente extraordinária), mas devo reconhecer que é quando se atira à sátira, como neste Eusébio Macário, que ele atinge o máximo do seu potencial.

Neste mordaz romance, Camilo critica a escola realista-naturalista, ridicularizando até ao excesso algumas das suas características mais marcantes (as descrições extensas, a abundância na adjetivação, o uso de estrangeirismos, a sua recusa de personagens do tipo heróico, etc.) e a sua pressuposta abordagem "científica" (i.e. objetiva, buscando uma análise pura da sociedade não tingida por considerações pessoais do autor). O resultado é esta pequena obra que, apesar de ser uma das melhores que li de Camilo, não chega a ser um excelente livro.
853 reviews
March 13, 2021
Camilo Castelo Branco conta, na dedicatória a uma «querida amiga», que escreveu este romance para provar, que ele, um romântico, podia escrever à moda do realismo. E assim conta a história dos Macários no tempo dos Cabrais, uma família lorpa, gananciosa e torpe. O pai Macário desiste da botica (é muito interessante perceber o choque entre a medicina dos humores e a medicina científica) e casa a filha Custódia com um emigrante regressado do Brasil muito rico e que se torna barão. E casa o filho, o Fístula, com a irmã do "brasileiro", Felícia, que troca o abade de quem era governante e amante pelo filho do boticário. Todos são ignorantes, brutos e gananciosos.
Descobri com surpresa nesta história de Camilo o fado conhecido bem longe de Lisboa e associado às classes baixas. Assim como foi uma surpresa encontrar os criados "pretos", que servem como cozinheiros ou como brinquedos das crianças. Não tinha ainda reparado nesta presença na obra de Camilo.
Finalmente, Camilo ri-se dos leitores, das personagens e dos realistas como Eça de Queirós, mas participando, também ele, na crítica à sociedade portuguesa da altura.
Profile Image for Sandra Dias.
836 reviews
January 2, 2022
Que leitura sofrida.
Tirada a ferros.
Com um português arcaico e cheio de rococós, com o qual já não estava habituada.
O que me valeu, em muitos momentos, foram as inúmeras e múltiplas notas de rodapé que me traduziam o intraduzível.

No final o que ficou?
Uma história nada original.
Com homens e as suas posições e respetivas ambições na sua sociedade.
E mulheres que se não se apresentarem recatadas, virginais e submissas, são logo rotuladas de desvairadas, desprezadas, o lixo da sociedade "de bem".
6 reviews
April 22, 2024
Diz na dedicatória Camilo que foi desafiado a escrever um romance com tiques realistas e que perdeu a aposta. Efetivamente
Profile Image for Daniel Malafaia.
10 reviews
August 23, 2017
Trata-se de uma obra focada numa narrativa que não é necessariamente complexa, mas a beleza da mesma não se encontra na sua história. Eusébio Macário é como se fosse uma peça de mobiliário, extremamente detalhado, com diversos motivos ornamentais e de trabalho incrivelmente minucioso. A utilidade da peça de mobiliário é questionável, mas a sua beleza não o é. Não faltam incríveis e longos trabalhos de enumeração e descrição que em nada avançam a história mas dão ao leitor uma sensação simultânea de admiração pelo detalhe e curiosidade pelo conhecimento que é transmitido. A narrativa é puxada por uma demanda pela parte dos protagonistas por tanto prestigio como dinheiro.
A obra vai-se tornando progressivamente mais engraçada com o avançar da história, com discursos muito divertidos, durante a leitura destes vinha-me à cabeça os filmes clássicos portugueses da década de trinta e quarenta do cinema português.
Uma obra muito diferente, muito curiosa e que facilmente recomendaria a alguém que quisesse ter uma visão de Portugal pós guerras liberais, da vida no século XIX ou simplesmente a leitura de um divertido livro de um excelente autor português.
Profile Image for Graciosa Reis.
542 reviews52 followers
Read
April 16, 2023
Para além da escrita magistral, gostei sobretudo do tom sarcástico e divertido. Camilo Castelo Branco, neste livro, ataca fortemente a estética naturalista/realista que tentava impor-se na época e critica a ascensão oportunista da família Macário bem como os novos-ricos vindos do Brasil.

A narrativa situa-se sobretudo no meio rural minhoto. Aí vive Eusébio Macário, um boticário viúvo, com a sua filha Custódia “rapariga pimpona, de muito seio e braços grossos, roliços, com pregas de carnação mole nos cotovelos e uma penugem de frutas mimosas que lhe punha umas tonalidades cupidíneas, irritantes” e com o filho José Macário, o Fístula, que estudou para padre em Braga, mas investiu sobretudo numa vida boémia, “em orgias de frigideiras”; o padre Justino “um patusco com chalaça”; Felícia, a amante do padre “uma mulheraça frescalhona, de uma coloração sanguínea, anafada, ancas salientes, de trinta e cinco anos, muito lavada, a cheirar às frescuras do linho perfumado de alfazema”; Bento, o mano de Felícia, regressado do Brasil, comendador e rico, gordo e ignorante, recebido na povoação com grandes honras.

Ao longo da narrativa, o autor apresenta-nos uma família interesseira, hipócrita, que se move por valores imorais para ascender na vida e assim alcançar um novo estatuto social. Para além de satirizar os costumes da época, o autor aproveita para parodiar também os novos valores do realismo: longas e por vezes exaustivas descrições (das ervas, das flores, das doenças, das mezinhas e remédios…); descrição das personagens, traços físicos e psicológicos; riqueza lexical, vasta adjectivação, regionalismos entre outros aspectos.

Agora resta-me ler A Corja para saber o que vai acontecer à família Macário.
Profile Image for Afonso Arnaldo.
4 reviews
March 21, 2019
Camilo Castelo Branco, um romântico “especial”, ironiza e brinca com o realismo e o naturalismo, chegando a ridicularizar estes estilos através do seu exagero (principalmente nos primeiros capítulos). Como afirma o narrador quase no final do livro, “Contos largos viriam aqui de molde, se os velhos processos românticos se admitissem”. Não se admitiram, pois Camilo quis, nas suas palavras, “escrever, segundo os processos novos, um romance com todos os tiques do estilo realista”. Vale bem a leitura!
Profile Image for Luís Alves.
11 reviews
June 4, 2019
Muito bom, é um livro que goza com escritores como o Eça. Há algumas descrições exageradas, a gozar com as do Eça, que são muito cómicas. Não será o melhor livro do Camilo mas é muito bom, acho que ele nem saberia escrever livros maus.
Profile Image for André.
310 reviews10 followers
May 29, 2022
Até agora, tinha gostado do que já li de Camilo Castelo Branco, mas Eusébio Macário não lhes chega à planta dos pés, quanto mais aos calcanhares. Achei aborrecido, com vocabulário de modo algum atraente, e sem personagens interessantes.
Profile Image for Cecília.
75 reviews
January 4, 2025
Yes, yes, Camilo, you’re very funny — we’re all aware. Priests are lecherous, fathers are conniving, and women are backstabbing, thick-legged and lusty. All’s well in the North of Portugal.
Profile Image for Nadia Batista.
503 reviews48 followers
January 27, 2013
"Eusébio Macário conta-nos a história de seis personagens, cada uma peculiar à sua maneira:
Eusébio Macário, o boticário, homem com grandes convicções políticas, completamente contra a medicina moderna.
José Fístula, filho de Eusébio Macário e ex-seminarista, rapaz que esgotou a fortuna da família na boa vida (tavernas, mulheres e fado), tendo voltado para junto dos seus e ajudado o pai na botica."

Mais em http://eu-e-o-bam.blogspot.pt/2013/01...
Profile Image for Bin Santos.
3 reviews1 follower
June 2, 2012
Bom para ter uma perspectiva da vida no século 19 (?)
Ecrita por vezes um pouco complexa.
Displaying 1 - 21 of 21 reviews

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