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Da Criação ao Roteiro

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Este livro divide com o leitor um amplo conhecimento sedimentado numa vivência prolongada do ato de escrever roteiros para o cinema e a televisão no Brasil e na Europa. Estes potentes veículos de comunicação e seus subprodutos constituem desde muito as esferas em que se move o espírito criativo, inquieto e inquiridor de Doc Comparato, produzindo textos que têm hoje lugar assegurado nos universos ficcionais da cinematografia e da teledramaturgia. Assim, o que se oferece neste volume é fruto daquele "saber de experiência feito", de que fala Camões. Experiência e saber que se transmitem nestas páginas de maneira metódica e sistemática, tendo em vista a formação de profissionais capacitados.
Trata-se, portanto, de um livro irrecusavelmente didático, voltado em primeiro lugar para os principiantes. Mas o caráter pedagógico não inibe a viveza da expressão, que sabe incorporar, quando necessário, o tecnicismo insubstituível.
A matéria está distribuída por dez capítulos que focalizam desde a idéia e os primeiros apontamentos até o roteiro em sua forma final, passando por tópicos como o conflito, a personagem, ação, tempo e unidade dramáticos. Todos os capítulos começam por um texto reflexivo sobre o assunto em pauta e terminam por uma recapitulação ordenada da explanação e uma proposta de exercícios práticos que visam testar a apreensão e compreensão dos conteúdos. Assim, Da Criação ao Roteiro mantém o equilíbrio entre o texto teórico e o pragmatismo do manual que ensina como fazer.

448 pages, Paperback

First published January 1, 1993

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Doc Comparato

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Dórian Bachmann.
Author 7 books1 follower
January 7, 2023
Trata-se de um livro didático, voltado à formação de roteiristas. Doc Comparato, um experiente e premiado roteirista, descreve em detalhes as atividades que compõe o exercício profissional e oferece sugestões e recomendações aos novatos na profissão.

A riqueza do texto pode ser avaliada pelas considerações que reproduzo adiante:
• Em 1500 existiam nove teatros em Londres, outros tantos em Paris e alguns mais em Roma. Como se media a audiência naquela época? Pela quantidade de “merda” de cavalos que se acumulava na frente dos teatros europeus no dia seguinte à apresentação das peças. As pessoas iam de carruagem assistir às peças. Quanto maior o sucesso, mais cavalos parados na frente do teatro durante a apresentação do espetáculo. Na manhã seguinte se media o êxito de determinado grupo teatral pela quantidade de fezes de animais que era recolhida. Daí surge a expressão mérde ou “merda” em português antes de estrear algum espetáculo teatral ou cinematográfico, que ao contrário do que se pode imaginar significa “boa sorte”.

• Conta a lenda que Sergei Eisenstein, cineasta dos cineastas, presidente da Moscou Filmes, nos tempos mais obscuros e stalinistas do comunismo da antiga União Soviética, levou seu relatório anual para o “ditador do povo” Joseph Stalin, em referência aos progressos da cinematografia soviética num determinado ano.
Eisenstein foi categórico. Haviam realizado cem filmes ao todo. Desses cem, quarenta ruins, trinta médios, vinte bons e dez excelentes.
Stalin, num surto de grandeza, imediatamente assinou um decreto exigindo que só se realizassem dez filmes excelentes. No ano seguinte os espectadores soviéticos assistiram a quatro filmes ruins, três médios, dois bons e um excelente. Resumindo: em arte quantidade é sinal de qualidade.

• Teremos sempre cinco etapas na construção do roteiro: ideia, conflito, personagens, tempo dramático e unidade dramática.

• Conflito designa a confrontação entre forças e personagens por meio da qual a ação se organiza e vai se desenvolvendo até o final. Sem conflito, sem ação, não existe drama.

• O trabalho criativo e imaginativo, de acordo com a Sociedade de Autores e Escritores da França, pode ter o máximo de quatro horas diárias, sendo que o resto do tempo deve ser gasto para se alimentar intelectualmente com leituras, observações da vida e gestão de pensamentos.

• Roteiro é algo muito efêmero. Existe durante o tempo que leva para se converter num produto audiovisual.

• O protagonista é a personagem básica do núcleo dramático principal, é o herói da história.

• No audiovisual existe um princípio dramático bastante simples que reza que cada vez que a personagem pensa, ela fala ou se expressa.

• É necessário pensar a cada instante na fórmula sacrossanta, tão frequentemente esquecida: não anunciar o que se vai ver e não contar o que já se viu.

• A personagem de ficção não é real, mas deve parecer real.

• O ponto de identificação é o ponto convergente entre o público e a nossa história.

• Existe uma diferença crucial entre um texto para ser lido e um texto para ser falado. O primeiro deve estar de acordo com as regras gramaticais.

"A melhor maneira de um adaptador ser fiel a uma obra é ser totalmente infiel". - Suso d’Amico, roteirista italiana.

• Na Idade Média, conta Jean-Claude Carrière, um mestre japonês do Nô definiu a famosa regra de Jo-Hai-Kiu: divisão em três movimentos, não só de toda a obra, mas também de cada cena dessa obra, de cada frase da cena e, por vezes, de cada palavra.

• Para se ter ideia da equivalência da ação dramática, é suficiente saber que, em média, a cada cena de teatro correspondem três de cinema e doze de televisão.
Profile Image for Raquel.
394 reviews
August 5, 2019
Um livro bastante prático. Aborda sucintamente a arte de escrever para cinema e televisão, revelando todo o trabalho do guionista para que a magia aconteça. É interessante para quem queira escrever um guião e precise de uma orientação inicial em termos de estrutura e em termos formais.
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