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Jornadas pelo Mundo

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De Marselha a Pequim, passando por Port Said, Suez, Áden, Singapura, Saigão, Hong Kong, Macau ou Xangai, este é um dos grandes relatos de viagem do século xix português.

Em 1887, Bernardo Pinheiro Correia de Melo, futuro Conde de Arnoso, foi designado secretário da embaixada à corte imperial de Pequim para assinar o tratado sobre a tutela portuguesa de Macau. O resumo dessa viagem, que o levou de Marselha a Pequim (passando por Port Said, Suez, Áden, Singapura, Saigão, Hong Kong, Macau ou Xangai) foi publicado em 1895 e é um exemplo de como os portugueses de então viam o mundo. Confrontado com o prodigioso passado da China (as termas do imperador Qianlong, os túmulos Ming ou a Grande Muralha) e com as vicissitudes que o Império do Meio atravessava na época, Arnoso nunca abandona o seu olhar cosmopolita, minucioso, atento aos pormenores, chocado diante da penúria, assombrado perante as ruínas ou a promessa do futuro.

Uma viagem da Europa ao grande continente chinês.

360 pages, Paperback

First published January 1, 1895

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Profile Image for Filipa Ribeiro Ferreira.
479 reviews15 followers
February 16, 2024
Delicioso relato de viagem do conde de Arnoso, que em 1887, em missão diplomática oficial, visitou a China, onde foi responsável pela assinatura do tratado que estabeleceu as condições em que Portugal governou Macau por mais de um século. Arnoso, com uma fina ironia ao estilo do seu amigo Eça (a quem trouxe de presente uma cabaia com que se deixou fotografar), descreve-nos o trajeto, os monumentos e as gentes que encontra pelo caminho, com uma atenção de documentarista. Na China, descobre um povo trabalhador e cheio de aptidões que adivinha vir a ser poderosíssimo. Mas uma civilização e um império velho de milénios que o tempo e o abandono deixaram cair aos pedaços, e condições de higiene insuportáveis, que o fazem considerar Pequim "a mais nojenta, a mais infecta de todas as cidades do mundo".
Profile Image for Celso Moura.
67 reviews
October 24, 2023
"Na cidade tártara existe também uma torre, chamada Torre do Sino, que tem uma lenda comovente, como todas as lendas populares. Um imperador, não nos ocorre agora qual, ao mandar construir essa torre, ordenou ao mesmo tempo que o mais hábil artista de Pequim lhe fundisse um sino coberto de ornatos delicados e cujo som fosse o mais puro, mais sonoro e mais vibrante que pudesse imaginar-se. O artista, orgulhoso com a ordem imperial, trabalhava noite e dia, sem descanso, para que a obra saísse tão perfeita como ele a fantasiara. Maus fados, porém, o perseguiam. Duas vezes já recomeçara, e sem êxito, a fundição do sino. Ora como a esse tempo a torre estivesse concluída, com a cúpula recurva coberta de reluzentes telhas esmaltadas, o imperador, irado, fez saber ao artista que, se à terceira o sino não estivesse tão perfeito como estava modelado, lhe mandaria cortar a cabeça. Hesitava o artista em recomeçar a fundição. Não por si, que a morte pouco lhe importava, mas pela filha estremecida, filha única, tão bela, tão formosa e que aos quinze anos ficaria só no mundo, orfanastes e abandonada. Como, porém, os mandarins do palácio o fossem avisar de que o imperador não consentia nem mais um dia de demora, pôs tudo a postos e ao chegar a noite mandou deitar a filha, beijando-a longamente, decidido a recomeçar a fundição com os primeiros alvores da madrugada. A filha, sem presumir da ameaça imperial, mas atormentada pela constante aflição do pai, sonhou nessa noite que para o sino sair digno de fama de tão grande artista, era necessário que ela própria se deitasse no metal fundente. Ao despertar, sentindo barulho na oficina, vestiu-se à pressa em deixando cair sobre as costas a farta e comprida trança de virgem, a correr, impetuosamente, foi lançar-se de cabeça para baixo na enorme cuba onde fundia o metal. O pai, ao tentar salvá-la, só conseguiu ficar na mão com um dos pequeninos sapatos que lhe calçavam os pés mimosos.
O sino saiu perfeito. Cada vez, porém, que vibra, o som, como uma súplica plangente, parece repetir a palavra hsie ("sapato"), e o povo junta que é a alma da pobre criança que há séculos implora que lhe restituam o sapatinho de seda."
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