Michel Onfray feiert Albert Camus als hochaktuellen Denker und Freiheitskämpfer
An seinem 100. Geburtstag ist Albert Camus' Denken aktueller denn je: Mut, Mäßigung, Ehrlichkeit, Menschlichkeit, Gerechtigkeit. Michel Onfray porträtiert ihn als Vorbild gerade für schwierige Zeiten. Immer stand Camus an der Seite der einfachen Menschen seiner Herkunft und beharrte darauf, Gewalt nicht mit Gewalt zu vergelten und Freiheit auch als Verpflichtung zu begreifen. Wenn es ein Buch braucht, um Camus neu zu entdecken, dann dieses.
Michel Onfray is a French philosopher. Born to a family of Norman farmers, he graduated with a Ph.D. in philosophy. He taught this subject to senior students at a technical high school in Caen between 1983 and 2002, before establishing what he and his supporters call the Université populaire de Caen, proclaiming its foundation on a free-of-charge basis, and the manifesto written by Onfray in 2004 (La communauté philosophique). However, the title 'Popular University' is misleading, although attractive, as this 'University' provides no services other than the occasional delivery of lectures - there is no register of students, no examination or assessment, and no diplomas. After all, 'ordinary' French University lectures are open to all, free of charge. Nor is the content of the Université populaire de Caen radical in French terms, it is in its way, a throwback to less democratic traditions of learning. Both in his writing and his lecturing, Onfray's approach is hierarchical, and elitist. He prefers to say though that his 'university' is committed to deliver high-level knowledge to the masses, as opposed to the more common approach of vulgarizing philosophic concepts through easy-to-read books such as "Philosophy for Well-being".
Onfray writes obscurely that there is no philosophy without psychoanalysis. Perhaps paradoxically, he proclaims himself as an adamant atheist (something more novel in France than elsewhere - indeed his book, 'Atheist Manifesto', was briefly in the 'bestsellers' list in France) and he considers religion to be indefensible. He instead regards himself as being part of the tradition of individualist anarchism, a tradition that he claims is at work throughout the entire history of philosophy and that he is seeking to revive amidst modern schools of philosophy that he feels are cynical and epicurean. His writings celebrate hedonism, reason and atheism.
He endorsed the French Revolutionary Communist League and its candidate for the French presidency, Olivier Besancenot in the 2002 election, although this is somewhat at odds with the libertarian socialism he advocates in his writings.[citation needed] In 2007, he endorsed José Bové - but eventually voted for Olivier Besancenot - , and conducted an interview with the future French President, who he declared was an 'ideological enemy' Nicolas Sarkozy for Philosophie Magazine.
Onfray himself attributes the birth of a philosophic communities such as the université populaire to the results of the French presidential election, 2002.
Nei suoi Taccuini anno 1953, Camus scriveva: "Chiedo una cosa sola, ed è una richiesta umile, benché io sappia che è esorbitate: essere letto con attenzione". Ebbene, Onfray non ha letto l'opera omnia di Albert Camus con attenzione, ma anche con passione e con la volontà non celata di restituire onore a un importantissimo filosofo del XX secolo, troppo a lungo messo da parte e surclassato a causa della coppia Sartre-de Beauvoir, antagonista di Camus in vita e anche dopo la sua morte. Leggere Camus ed essere di sinistra, in Francia ma non solo, era diventato un ossimoro a causa del revisionismo storico e delle falsità perpetrate dal famoso duo e da tutta la combriccola di Saint-Gérmains-des-Prés ai danni di Camus, questo bellissimo saggio intende ristabilire la verità, ed ecco che l'impronta anti Sartre serpeggia dall'inizio alla fine.
Esaminando le opere di Camus (romanzi, testi teatrali, Taccuini, articoli di giornale e corrispondenza privata) ci viene dipinta un'immagine a tutto tondo di un uomo, prima che di un filosofo, visceralmente schierato dalla parte della Giustizia e della Verità, che fin da quando era giovanissimo, non ha mai smesso di interrogarsi sul potere, l'opportunismo, la Realpolitik, la responsabilità degli intellettuali, le condizioni del perdono, il connubio sciagurato tra Chiesa istituzionale e Fascismi, il senso dello stare al mondo. Dopo aver letto questo bellissimo, imprescindibile saggio - dove le annotazioni personali sono veramente ridotte al minimo e solo per inquadrare in maniera totale e senza ombre l'Opera di Camus e la sua personalità - non si potranno più guardare allo stesso modo la filosofia di Nietzsche, il marxismo, la Storia della Francia durante l'occupazione nazista e negli anni successivi. Né potranno essere visti nella stessa luce fulgida e immacolata gli esistenzialisti che facevano capo al duo antagonista, ontologicamente e (più banalmente) umanamente e grettamente antagonista.
C'est dommage. Ce livre est beaucoup trop long, et pourtant parfois trop court. En gros, c'est très intéressant pour ceux qui aiment Camus. Un thème biographique important qui vient du père de Camus, c'est l'idée "qu'un homme ça s'empêche." Mais dans sa vie privée, Camus ne s'empêche pas, et il en souffre, ainsi que ses proches. En ce qui concerne la philosophie quotidienne pratique, ceci aurait valu plus d'attention.
O homem revoltado é o livro de um homem que leva os livros a sério. Michel Onfray
O polêmico, e prolífico, filósofo francês Michel Onfray (1959-), famoso por sua Contra-História da Filosofia, nunca me chamou particularmente a atenção, até que me deparei com seu livro de 2012, L’Ordre libertaire : La Vie philosophique d’Albert Camus (Flammarion, 2012, 608 p.). Sendo Albert Camus um dos autores a quem mais dediquei tempo durante a juventude, julguei que a leitura do livro de Onfray poderia valer a pena, e valeu. O método que Onfray segue é já bastante conhecido e ele mesmo faz questão de explicitá-lo em cada aparição pública sua: ler a obra completa do filósofo, sua correspondência publicada e as principais biografias. Foi este o método que gerou essa vida filosófica de Albert Camus.
L’Ordre libertaire é um ensaio vigoroso que resgata os pontos mais importantes da vida e da obra de Camus, demolindo grande parte do mito negativo que se criou em torno do escritor argelino, mito este criado em grande parte pela esquerda francesa, à qual Onfray não poupa críticas ao longo do livro. “A lenda sobre Camus é negativa: fala mal de um bom homem. Assim como aquela sobre Freud é positiva, falando bem de um homem mau”. A lenda negativa sobre Albert Camus poderia ser resumida da seguinte maneira:
Em seus livros de filosofia, Camus teria sido um romancista e em suas obras de ficção, um filósofo. Em outras palavras, Camus seria um autodidata que conduzira leituras de segunda mão e não teria ido diretamente aos textos, e, quando fora, torna-se urgente dizer que não os compreendera; Camus teria sido um social-democrata, um socialista muito água-com-açúcar, um apoiador de Pierre Mendès-France; e mais: um pensador dos colonos e dos franceses, dos petits-blancs, os brancos pobres da Argélia; Camus teria sido um jornalista em meio aos filósofos, e um filósofo em meio aos jornalistas, uma lenda confeccionada inteiramente por Sartre e seus lacaios desde os tempos de O homem revoltado. Uma lenda conscientemente alimentada após a morte do filósofo.
Contudo, a leitura da obra de Camus coloca em xeque essa ultrajante lenda:
Camus foi um filósofo digno do nome, inserido na maior tradição do pensamento francês; foi um romancista que conseguiu o equilíbrio entre a ficção e as ideias; foi um mestre de estilo, capaz de inventar para si um modo de escrever adaptado para cada um de seus propósitos; Camus foi um leitor atento, livre, sem as amarras da formação universitária; Camus não lia para glosar, mas para ilustrar o próprio propósito.
A patota intelectual dos cafés de Paris(cidade sobre a qual Camus escreveu: “é uma cidade singular. Amam tanto os belos pensamentos que não podem fazer menos que passar todo o dia a falar deles, e isto não lhes deixa tempo para ler”) nunca aceitou muito bem a presença daquele estrangeiro, pois, ao contrário dela,
Camus escrevia para ser lido e compreendido, para ajudar a existir, e isto — em um mundinho filosófico no qual, muito frequentemente, se escreve para ser glosado e para tornar-se um membro obscuro da própria tribo — é um pecado mortal.
Com efeito, Camus tinha plena consciência desse fato, e explicita essa consciência em um trecho dos seus Cadernos: aqueles que escrevem de modo obscuro têm uma bela sorte: terão comentadores. Os outros terão apenas leitores, o que, ao que parece, é desprezível.
Naquele ambiente de professores de filosofia, para os quais a disciplina nada mais era do que um ofício, aparecia alguém que levava as palavras e as ideias mortalmente a sério:
O professor vive da filosofia; o filósofo a vive. Certamente é possível ser uma coisa e outra, e o próprio Schopenhauer é testemunha disto. Mas são, na verdade, duas atividades radicalmente separadas. Em que consiste a atividade do professor de filosofia? Em despedaçar o pensamento alheio, fatiá-lo, compô-lo em um prato, apresentá-lo e servi-lo a um auditório que o digerirá ao seu modo. Tudo isso, enquanto se permite ao estudante fazer-se notar e então receber um certificado que lhe consentirá de trabalhar por conta própria. É o que transforma a filosofia em um pretexto, em ocasião para um métier, ou até mesmo uma sinecura.
O filósofo, por sua vez, pensa para viver e para viver melhor, reflete para dirigir a própria ação, medita com o escopo de traçar uma rota para a existência, lê e escreve a fim de dar forma a um caos cartografado pelo verbo. Para ele, a biblioteca não é um fim em si, a escrita não é uma atividade em si mesma, como os livros não são formas puras destinadas a aumentar o patrimônio literário da humanidade. Para ele, o verbo se faz carne, ato, ação, do contrário não serve a nada.
O primeiro passo de Onfray é desvencilhar de Camus o rótulo de escritor existencialista, de mais um membro do clubinho do Café de Flore, capitaneado por Jean-Paul Sartre. Camus, escreve Onfray, “se insere na tradição francesa dos filósofos existenciais, mas não naquela dos existencialistas”. Ao lado de Camus, segundo Onfray, enquanto filósofo existencial, estariam pensadores como Montaigne, Pascal, Kierkegaard, Nietzsche, Chestov, Berdiaev, Unamuno e Ortega y Gasset. Todos estes seriam autores de “obras que pensam o mundo com o objetivo de produzir efeitos filosóficos sobre a existência”.
O próprio Camus sempre recusou o título de filósofo, dizendo “eu não sou um filósofo. Não creio o bastante na razão para acreditar em um sistema. Aquilo que interessa é saber como se deve comportar. E mais precisamente como é possível se comportar quando não se acredita em Deus ou na razão”.
É essa descrença na razão e na História o que leva Onfray a definir Albert Camus como um ateu da História. De fato, toda a obra de Albert Camus é um esforço hercúleo para justificar a vida, e uma vida ética, em um mundo sem Deus e sem utopias históricas redentoras. Como diz Michel Onfray, “Camus não quer escolher entre Deus como História e a História como Deus, e pensa a arte de viver em tempos de niilismo”
Camus não se associa aos otimismos políticos de grande alcance: a uma política arrogante, ideal, planetária e mortífera, ele prefere uma política modesta, real, concreta, prática e eficaz. Frequentemente reprovavam, nas soluções que ele propunha, a ausência de ornamento e de prestígio, mas certamente o fim de seu pragmatismo não é o de fazer cena em nível teórico e conceitual. Camus não acredita no homem novo invocado tanto por Marx e Lenin, quanto por Mussolini e Hitler. Não acredita no homem total dos marxistas, nem no Reich ariano dos nazistas e nem tampouco na Revolução nacional dos petainistas. O homem em que crê, ao contrário, é no homem que se detém: ou, dito de outro modo, um indivíduo que é capaz de calar o animal que leva dentro de si. Certo, é com dificuldade que a modéstia dessa proposição consegue combater as emplumadas e abstratas líricas de seus adversários, mas é sempre melhor um caráter modesto que diz, aqui e agora, não às pulsões de morte do que um ar de suficiência capaz de fazer estender um tapete vermelho enquanto espera que, amanhã, a História lhe dê razão. Aquela História que hoje não lhe dá razão.
Ao contrário de um pensador como Cioran que vê a História como uma catástrofe irreparável e o ser humano como um ser marcado pela ruína, Camus parte da constatação do absurdo da existência e tenta — ainda que a mim pareça que ele não consegue — pensar uma ética sem amanhã. Em toda a sua obra, mas mais especialmente em O mito de Sísifo, a experiência do absurdo e o problema de qual seria a melhor maneira de fazer face a ela ocupam um lugar de destaque. “Ao indivíduo que possui o sentido da imensidão do universo e da pequenez e da precariedade do próprio ser resta uma angústia sem nome. A vida filosófica de Camus”, escreve Onfray, “é inteiramente uma revolta contra esse imperativo existencial”.
Para Camus, “o absurdo não é um fim desconfortável, mas o início de uma vida positiva”. O próprio Camus explicita esse objetivo:
Nos momentos mais obscuros do nosso niilismo, procurei somente as razões para superar esse niilismo. E não por virtude, nem por uma particular elevação, mas por instintiva fidelidade a uma luz na qual nasci e onde os homens aprenderam por milênios a louvar a vida mesmo no sofrimento.
Essa fidelidade à sua infância, àquelas primeiras impressões, ao sol do mediterrâneo, aos sofrimentos da família pobre, é uma marca do pensamento de Albert Camus. E Michel Onfray evoca exaustivamente essa fidelidade, de modo a colocá-la no centro mesmo da obra de Camus. A primeira fidelidade é ao pai, morto na guerra, que o filho só conhece através de umas poucas histórias contadas pela família, mas que o marcam por toda a vida: “Albert, filho de Lucien, carrega a alma do pai morto como o filho Enéas carregava o pai Anquises sobre os próprios ombros”.
Fidelidade também à mãe.
À interlocutora silenciosa do filósofo: pobreza, silêncio, miséria e submissão, ei-lo, o mundo daqueles que foram esquecidos pela felicidade, daqueles ao lado dos quais o filósofo continua sempre a estar, sem nunca vacilar, nem sequer uma vez. Escolher a própria mãe, aqui ou alhures, como em Estocolmo [no discurso em ocasião recebimento do prêmio Nobel], significa colocar-se ao lado das pessoas modestas e sem voz, tomar o partido do povo contra os poderosos, ainda que fossem de oposição. Sob a sombra permanente da mãe, Camus representou a voz dos que não tem palavras, o verbo dos seres sem palavras.
Fidelidade que pode ser sintetizada numa frase que Camus deixou nos seus cadernos:
Ao menos isto sei com certeza, que uma obra humana não é nada mais que o longo caminho para encontrar, com os subterfúgios da arte, as duas ou três imagens simples e grandiosas sobre as quais o coração se abriu pela primeira vez.
É em O avesso e o direito que Camus responde à pergunta sobre como manter-se fiel àquele universo de sua infância mediterrânea. A resposta que se revela na obra é, segundo Onfray, a seguinte:
Contando a genealogia história e a fenomenologia literária daquele universo, detalhando a o cotidiano da gente pobre, e depois elevando, levando mais longe e com mais força os valores desse povo que o filósofo assume para si: a honra, a dignidade, a simplicidade, a privação, a fraternidade, a austeridade (…). É possível permanecer fiel ao ambiente pobre de onde vem explicando o papel desempenhado por aquela infância na formação de uma sensibilidade filosófica e política.
Fidelidade, em suma, que o transforma num “filósofo para o qual nenhuma boa razão pode justificar a morte de uma pessoa”. E por isto, Camus não pode condescender com o gulag, com o stalinismo, pois “Camus não pensa com ideias, conceitos ou palavras, mas com verdades concretas. É um filósofo da radicalidade imanente ou, se quisermos, é um pensador radical da imanência”.
É esse arraigamento na realidade que faz com que ainda hoje seus livros (tanto de literatura quanto de filosofia) possam ainda hoje ser lidos com muito proveito. Mesmo Núpcias, um livro de sua juventude, é considerado por Onfray como uma obra-prima da literatura filosófica, ou seja:
Uma obra inédita tanto em sua forma quanto em sua substância, uma obra que não se pode duplicar e depois da qual, no âmbito em questão, as coisas não podem mais ser como antes. É uma obra que não se exaure nunca, independentemente de quantas vezes a leiamos. Em outras palavras, é um texto que não se exaure com as várias leituras. Estas, ao contrário, contribuem para aumentar cada vez mais o nível de compreensão em relação às páginas que já conhecemos. É uma obra em que se concentram outras obras, uma obra que, quando é juvenil como neste caso, pode conter outras em germe, ou então uma obra que recolhe anos de leitura, de meditações, de reflexões, de escritura. É uma obra impossível de reproduzir enquanto tal sem evitar o perigo do plágio, mas que inevitavelmente induz seus leitores a escrever outras obras teóricas ou práticas. É uma obra que muda a vida de seu leitor: sua visão de mundo, sua teoria (a etimologia faz derivar esta palavra de “contemplação”), mas também o seu modo de estar no mundo, sua existência concreta, sua prática existencial. É uma obra que nunca tomamos nas mãos sem tremer de felicidade.
O mito de Sísifo, um de seus livros de filosofia mais famosos, segundo Onfray
Não é um livro de filosofia para filósofos, mas uma obra para todos aqueles a quem a filosofia interessa para além das instituições que a confiscam. Como os filósofos antigos, que não falavam a filósofos de profissão ou a professores, mas a gente comum que encontravam na Ágora (…), também Camus escreve sem se preocupar com os candidatos ou titulares dos concursos, com os doutorandos ou os doutores, com os professores ou os universitários, é à gente do povo que Camus fala.
Para Onfray, Camus era um homem de esquerda, mas profundamente antimarxista, um nietzscheano de esquerda temperado pela influência do socialismo de Proudhon. Ele chega a chamar a filosofia de Camus de um gramscismo mediterrâneo, talvez o momento mais infeliz do livro, mas não consegue explicar muito bem que jabuticaba é essa. Já o adjetivo nietzscheano pode, com segurança, ser aplicado ao argelino. Apesar das duras críticas que este tinha em relação ao filósofo alemão, pode-se dizer que eles compartilhavam de uma mesma visão de como a filosofia deve ser feita. Onfray nos explica o que ele entende por um nietzscheanismo de Camus:
Se nos preocupamos em definir o nietzschiano como aquele que faz de Nietzsche não tanto um fim a copiar quanto um início a superar, então Albert Camus foi um dos grandes filósofos nietzscheanos do século XX, talvez mesmo o maior deles. Longe do obscuro volume dos cursos dados por Heidegger em Freiburg, nos antípodas em relação ao Deleuze que relê A Vontade de Potência à luz esquerdopata do 1968 ou em relação a Derridá que desconstrói sistematicamente os textos e os arquivos sem se preocupar com a vida filosófica o com as glosas com as quais os universitários confundiram um pensamento que era claro até a sua intervenção, Camus levou Nietzsche a sério, como um sábio que convida a viver como nietzscheano. Daí a citação do filósofo alemão dada como epígrafe ao sétimo caderno, aquele que recolhe os pensamentos anotados entre março de 1951 e julho de 1954: “Aquele que concebeu algo de grande deve também vivê-lo”. Uma heresia para os universitários(…). A verdade de Nietzsche não está na genealogia do nacional-socialismo, mas na qualidade de seu diagnóstico sobre o niilismo da civilização europeia.
O próprio Camus, demonstra em vários momentos o reconhecimento dessa filiação intelectual com relação ao seu mestre alemão. Escreve ele, em O homem revoltado, sobre o que entendia ter sido uma pérfida deturpação de Nietzsche:
Até Nietzsche e o nacional-socialismo, não há exemplo de um pensamento todo iluminado pela nobreza perpassada por um ânimo excepcional que tenha sido ilustrado aos olhos do mundo por uma chuva de mentiras, e pelo assustador amontoar-se de cadáveres nos campos de concentração. Que a pregação de uma super-humanidade deságue na fabricação metódica de sub-homens, eis o fato que deve, sem dúvida, ser denunciado, mas requer também uma interpretação.
E é também a influência de Nietzsche e o seu ceticismo com relação aos revolucionários e rousseaunianos, somado à mencionada fidelidade às suas origens, que fazem com que Camus se afaste do marxismo-leninismo. Camus não aceita transigir, recusa o assassinato, a guilhotina, o gulag. Refuta-se a fazer parte de uma esquerda do ressentimento, a cultivar paixões tristes.
Camus propõe um antídoto a essa esquerda do ressentimento. Em sua obra completa ou em suas cartas, ele não formula nunca, em parte alguma, pensamentos sob o signo das paixões tristes. Camus não é um homem do ressentimento porque é um homem da fidelidade. Um leitor paciente procuraria inutilmente em O primeiro homem [seu romance autobiográfico deixado inacabado por sua morte prematura] passagens em que as pessoas poderosas, consideradas responsáveis pela pobreza de sua família, são colocadas a ferro. Não nutre rancor em relação ao Estado francês que envia seu pai para morrer no fronte, não dirige nenhuma palavra de repreensão aos empregadores da mãe, constringida a trabalhar como lavadeira, não recrimina os pais dos companheiros de escola mais favorecidos que ele, não manifesta nenhum comportamento violento contra o padre que, durante as horas de catecismo, o esbofeteava tão violentamente ao ponto de lhe machucar a boca (…): não quer absolutamente colocar o mundo a ferro e fogo porque sabe o que é a miséria”.
Socialismo do ressentimento e socialismo da afirmação, socialismo de Marx e socialismo de Proudhon, socialismo de Sartre e socialismo de Camus: os primeiros têm em comum a característica de querer destruir os últimos, de querer impedi-los, sujá-los. Sua lógica pressupõe um espírito cínico e completamente maquiavélico: o fim justifica os meios e, a fim de desqualificar um socialismo que poderia se realizar por obra e a favor do povo e não contra ele, tudo é permitido. É Marx que dá o exemplo com Proudhon e os proudhonianos na época das lutas ideológicas da Primeira Internacional. Para obter a liderança europeia, o autor do Capital procede de maneira radical: primeiro no plano ideológico, e em seguida através dos ataques ad hominem.
Do ponto de vista ideológico, Marx opõe o socialismo científico, ou seja, o seu, ao socialismo utópico, a saber, todos os outros. O primeiro, ornado por toda a plumagem decorativa da cientificidade, deveria exprimir a verdade da história: o papel arquitetônico da dialética, a violência da verdade que vem ao mundo, o caráter inelutável da revolução, a análise da lógica do capital, o mecanismo autodestrutivo do capitalismo, a necessidade da vanguarda iluminada do proletariado, etc. Ao mesmo tempo, todos os outros socialismos são vilipendiados e rotulados de utopia. Do pensamento proudhoniano mais sério ao fourierismo mais excêntrico, passando por todas as outras possibilidades sociais, Marx não se dispõe a entrar em detalhes. Nenhum desses pensamentos vale alguma coisa e somente o seu vale tudo.
Do ponto de vista humano, Marx não recua diante de nada para lançar descrédito sobre o pensamento anárquico, chegando até mesmo a alimentar boatos de corredor sobre seus adversários mais perigosos. É assim que Bakunin se torna um agente pago pelo Czar, um informante da polícia, um perigoso causador de intrigas, um animador de seitas. Quanto a Proudhon, operário autodidata, Marx zomba dele com o pretexto de que não compreende nada de Hegel, de sua filosofia da história e de concepção de dialética... (continua em: https://medium.com/@lucianomachadotom...)
Plutôt agréablement surpris par cet essai d'Onfray sur Camus, j'y retrouve un peu trop Onfray et ses options, mais cela reste un bel hommage à Camus. Cela me donne envie de le relire et de le mieux comprendre.
Onfray is een fenomeen in de filosofie van vandaag. Dit boek dat soms meer op een pamflet gelijkt is een pleidooi voor Camus tegen Sartre. Hij brengt een reeks zeer interessante feiten aan over de entourage van beide protagonisten en vooral een eigen verhaal over Camus. Ik heb er bijzonder van genoten. Het is geschreven in een vlot en overweldigend Frans en typisch in de stijl die nogal wat Franse filosofen hanteren. Hij schrijft trouwens ergens dat sartre op zijn Duits schreef en daar valt wel iets voor te zeggen. Weetje : Camus schreef tot aan zijn dood voor een Zwitsers anarchistisch tijdschrift . Ja dat schijnt te bestaan ! Conclusie : het boek geeft goesting om meer Onfray te lezen en het is een veelschrijver.
Ik las het boek hoofdzakelijk tijdens een reis in Nicaragua waar de revolutionairen er een boeltje van maken. Verschrikkelijk.
Ce livre a renforcé une conviction qui s´est formé au fil du temps en moi. Ni le communisme, ni le capitalisme apporte une solution durable sur terre. L´anarchie dans la lignée de Camus et Chomsky peut le devenir. il faut juste le vouloir.