Melhores trechos: "...Espiritualidade, verdade, divindade, está fora do tempo; não é, portanto, aquela continuidade que conhecemos como o amanhã e o futuro. Compreendeis? Se isso que eu sou é uma entidade espiritual, ela deve ser sem continuidade, não pode progredir, não pode crescer, não pode vir a ser; mas, em verdade, aquilo que eu sou pensa que deve 'vir a ser', isto é, estou pensando em termos de 'vir a ser'... O coração amante é generoso, bondoso, sem reservas, nada retendo, e esse coração conhece o real; conhece aquilo que não tem princípio nem fim. Mas a maioria de nós não tem um coração assim. Nossos corações estão secos, vazios, e fazem muito alarido. Nossos corações estão cheios das coisas da mente. E porque estão vazios os nossos corações, dirigimo-nos a outra pessoa para os encher. Procuramos outra pessoa, em busca daquela eterna segurança que chamamos Deus; procuramos outra pessoa, para achar aquela permanente satisfação que chamamos realidade... Uma pessoa que está reclamando, pedindo, suplicando, ansiando, por uma orientação, essa pessoa encontrará o que procura, mas não será a verdade. O que receber será resposta das camadas inconscientes de sua própria mente, a se projetarem no consciente, e aquela voz tranqüila, aquela voz sutil que o guia, não é o real, mas tão somente a resposta do inconsciente... Pode o imensurável, o inefável, estar interessado nas pequeninas preocupações, misérias, confusões, criadas por nós mesmos? Quem é, então, que nos atende? Evidentemente, o imensurável não pode atender ao que tem medida, ao mesquinho, ao pequeno. Mas, que é que nos atende? No momento em que oramos, estamos silenciosos, em estado de receptividade; e, então, o nosso próprio subconsciente traz-nos uma claridade momentânea. Isto é, desejais alguma coisa, ansiais por ela, e nesse momento de anseio, de devoto suplicar, estais relativamente receptivo; vossa mente consciente, ativa, está relativamente tranqüila, e por isso o subconsciente se projeta nela e recebeis uma resposta... Estes são, por natureza, um fator de desintegração na sociedade; quantos mais advogados, mais policiais e soldados existem, tanto mais evidente se torna a decomposição da sociedade. É o que está acontecendo no mundo inteiro: há mais soldados, mais advogados, mais policiais, e, naturalmente, o negociante anda de mãos dadas com eles. Assim, tudo isso tem de ser modificado para que se possa fundar uma sociedade correta; e pensamos que tal tarefa é impossível de realizar-se... A verdade, o amor, é o desconhecido, e o desconhecido não pode ser capturado pelo conhecido. O conhecido precisa cessar, para o desconhecido ser; e quando o desconhecido surge na existência derrama-se uma benção..."