Magnificamente ilustrado num preto e branco dinâmico e pormenorizado, o livro de Ricardo Leite tem tudo para agradar não apenas aos fãs de Hergé e da sua principal criação, mas a todos aqueles que querem conhecer um pouco melhor a Banda Desenhada ocidental e os seus maiores criadores, muitos dos quais são personagens deste livro fascinante.
Uma viagem a Bruxelas serve de pano de fundo, e de justificação para uma fantasia autobiográfica, que o levará ao longo de memórias de encontros, uns reais, outros imaginados, com grandes nomes da Nona Arte, e de discussões sobre estilos, autores, países, e muito mais, à descoberta das raízes da sua paixão pela BD.
Por simpatia pela história que o autor decidiu pôr em papel, dou 4 estrelas de classificação. Mas a verdade é que a determimada altura comecei a ficar um bocadinho farto da história, pois a mesma deixou de ser a (re)descoberta de uma vocação por parte do autor/narrador 20 anos depois de a ter deixado em pausa, para passar a ser uma enumeração algo desinteressante de autores de banda desenhada que terão influenciado Ricardo Leite ao longo da vida. Não deixa de ser giro vermos autores que conhecemos desenhados e a fazer parte de uma história ficcional, mas isso acaba por ser desnecessariamente cansativo em algo que tinha maior potencial (um homem já maduro e que abandonou o seu sonho, consegue concretizá-lo muitos anos mais tarde). Em todo o caso, como disse logo no início, dou 4 estrlas porque acho que o autor merece reconhecimento pelo seu esforço hercúleo de desenhar tantas páginas de banda desenhada... e é uma delícia depararmo-nos com as personagens mais marcantes da nona arte, num exercício de puro deleite visual.
Soberba homenagem à nona arte, seus heróis e autores. Cruzada com uma história biográfica que combina nostalgia do que poderia ter sido e entusiasmo do que ainda poderá ser. Um livro para quem não desiste de ser criança, mesmo sendo adulto.