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Corpus hermeticum græcum: Prefácio, introdução, tradução e glossário grego-português de David Pessoa de Lira

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Primeira tradução mundial diretamente do grego para a língua portuguesa, esta edição bilíngue do clássico Corpus Hermeticum, obra icônica da filosofia hermética, foi traduzida e organizada por David Pessoa de Lira, doutor em Teologia. Fruto de um trabalho minucioso de tradução em língua portuguesa que se aproxima do texto grego original de forma crítica e com rigor acadêmico, sendo voltada ao leigo interessado em filosofia, textos religiosos, estudos linguísticos clássicos e a todos os interessados em estudos relacionados à filosofia hermética. A atualidade de CORPUS HERMETICUM GRÆCUM se refaz ao longo dos séculos e seus significados tão instigantes continuam ganhando novas publicações em muitas partes do mundo.

338 pages, Kindle Edition

Published August 8, 2023

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Profile Image for Gabriel Cardoso.
11 reviews
March 12, 2026
Alguns adendos ao leitor desavisado.

O Corpus Hermeticum por quase toda a idade média e início da idade moderna, em especial no renascentismo, teve sua autoria creditada a Hermes Trismegisto com origem desconhecida e indatável, alguns grandes nomes de estudos dessa área como Marsilio Ficino afirmam ser de um grande sacerdote egípcio que fora contemporâneo a Moisés, portanto mais antigo que Platão. A filologia atual, que é a área de David Pessoa de Lira, discorda de todos esses mitos e localiza todos esses textos ao século I-III d.C., e a ideia de que Hermes Trismegisto seria um único autor, também não é a mais aceita na academia, mas sim que a presença desse nome, em todos esses textos, refere-se a uma prática tradicional entre egípcios helenizados chamada pseudepigrafia, portanto deve-se atentar às diversas contradições internas entre os libellus, e os diversos significados que as mesmas palavras podem adquirir dependendo do autor. Alguns agrupamentos de textos, por exemplo, podem conter ideias condizentes entre si, mas em outro momento esses mesmos termos podem designar conceitos completamente diferentes, de outra ordem, num libellus posterior.

Dito isso, por mais que se reitere a possibilidade de que de fato os autores (no plural) de cada um desses textos tenham sido sacerdotes egípcios helenizados (ou seja, imersos na cultura grega, e que sem dúvidas leram Platão), e que esses textos de fato sejam um compilado dos ensinamentos secretos passados de sacerdote a sacerdote do egito helenizado em Alexandria, também há a possibilidade de que os autores sejam filósofos estudados e treinados nas escolas gregas, porém praticantes da religião egípcia, fazendo uma releitura da teologia egípcia com elementos platonistas.

Ainda sim, as ideias presentes no Corpus Hermeticum reinterpretam Platão, divergem de Platão em diversos pontos, e apresentam uma forma original e propriamente egípcio-helenística de lidar com esses conceitos, que resiste ao tempo por puro milagre, e que não só estabelece pleno diálogo com a tradição neoplatônica de Proclo e Plotino, (podendo ser certos libelli anteriores a eles) bem como com os Gnósticos de Nag Hammadi, mas também sem dúvidas alicerça a teologia de uma cultura inteira no egito helenizado por vários seculos.

O mais reconhecido filósofo-teólogo da antiguidade a construir algo alicerçado na valorização filosófica e teológica do conteúdo presente no Corpus Hermeticum, e que sobrevive até os dias atuais, é Jâmblico ou Iamblichus em sua obra Sobre os Mistérios Egípcios, que fundamenta o neoplatonismo teúrgico alguns séculos depois, e que recomendo fortemente.

Ah e não, não tem A Tábua de Esmeralda nessa edição.
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