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Os Insubmissos

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“Escrever é diálogo. Diálogo com os outros, diálogo connosco próprios. O escritor (romancista, contista, poeta) tenta comunicar aos mais o que viu e sentiu, na sua passagem pelo mundo. É, também, um gesto de oferta. É, também, um gesto de confiança. É, também, um acto de generosidade, Urbano Tavares Rodrigues, numa obra já longa e muito válida, não busca senão isso: falar daquilo que o tempo em que vive o obriga a meditar, para que assim, os leitores consciencializem os problemas do momento que passa. Dos momentos que passam. Porque este ficcionista excepcional – entre os melhores ficcionistas portugueses contemporâneos – sempre se quis atento a todas as grandes angústias, esperanças e desesperanças do homem moderno. ‘Os Insubmissos’, romance marcante na bibliografia de Urbano Tavares Rodrigues, representa, exactamente, a revolta dos que não querem ser simples máquinas, num universo mecanizado, a revolta dos que reivindicam a escolha do destino que lhes pertence. Um livro saudavelmente inquietante.”

206 pages, Paperback

First published January 1, 2002

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About the author

Urbano Tavares Rodrigues

161 books19 followers
URBANO TAVARES RODRIGUES nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1923 e passou a infância no Alentejo, próximo do Rio Ardila, perto de Moura. Licenciou-se em Filologia Românica, doutorando-se em 1984 com uma tese sobre Manuel Teixeira Gomes.
Foi leitor de português em várias Universidades estrangeiras - Montpellier, Aix e Paris - entre os anos de 1949 e 1955, época em que se encontrava impedido de exercer docência universitária em Portugal por motivos políticos. Depois da Revolução de 1974 retomou, em Portugal, a actividade docente.
Em 1993, jubilou-se como Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.
A sua vasta obra está traduzida em várias línguas. A sua ficção tem como característica principal a tomada de consciência do indivíduo face a si mesmo e aos outros, processo que se desenvolve até ao reconhecimento de uma identidade social e política.
Foi distinguido com vários galardões literários: Ricardo Malheiros; Aquilino Ribeiro e Fernando Namora; Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários; Prémio da Imprensa Cultural; Prémio Vida Literária - atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. Faleceu em Lisboa, a 9 de Agosto de 2013.

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Profile Image for Maria Ferreira.
227 reviews50 followers
December 25, 2020
Urbano Tavares Rodrigues deixou-nos um legado incomensurável, uma vida ligada à literatura.
Li a narrativa "Horas Perdidas" sobre um jovem que parte da sua terra natal, situada no Alentejo, e marcha para Lisboa para estudar direito. Nascido e criado num meio pequeno e rural, tinha uma visão de mundo diferente do que o que a realidade de Lisboa o obsequiava. Escrito em 1969 Urbano retratou parte da sua vida estudantil e das lutas travadas entre o ser humano e a sociedade, de certa forma, o que somos, o que os outros esperam que nós sejamos, e o que nos obrigam a ser. Este conflito entre o “ser” e o “ter de ser” retorce o indivíduo e, se uns conseguem encontrar um contraponto e conviver bem, outros há que imergem na agonia da consciência, na depressão e os conduz ao suicídio.

Nos “Insubmissos” Urbano continua na demanda dos valores morais da sociedade, escrito em 1959 e tão atual. Esta obra debruça-se sobre o individualismo e o coletivismo. Enquanto uns indivíduos optam por manter a coluna vertebral direita, outros há que se curvam perante a mediocridade e a incompetência. Enquanto uns se agarram a valores que os faz sentir vivos, homens admirados e respeitados por todos, inclusive de quem lhes pôs o pé em cima, os vendidos são tratados como imbecis e meros serviçais.

Mas Urbano deixa-nos esta reflexão, enquanto a honra vinga a barriga minga e aqui temos o busílis da questão. Ser honrado todos querem, pobres não.

Os ricos permanecem sempre ricos porque compram o trabalho e o talento dos pobres e esvaziam-nos completamente. O pobre executa o trabalho e o rico congratula-se com talento que não lhe pertence, e assim vai enchendo os bolsos, comprando a honra de uns e outros.
Profile Image for André Morais.
94 reviews5 followers
February 15, 2023
Não me adaptei muito à narrativa do Autor, marcada mais por “instantâneos” de cenas e personagens do que por uma linha temporal e espacial clara, ao longo da qual a trama se desenvolve.
Neste sentido, tive alguma dificuldade em ir-me situando no romance, perceber as personagens e as suas ligações, bem como o desenrolar da narrativa.
Sem prejuízo, há que reconhecer que as personagens de Urbano retratam fielmente determinadas classes socioeconómicas do Portugal daquela época.
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