Nesta reencarnação, Kill Cara-de-Cão acorda como um famoso predador sexual de meia-idade. Pela vigésima quarta vez, vencedor consecutivo do prêmio de amante dos mundos. Atualmente, o sex symbol é um artista bom de briga, que nos meandros da política, pelo passado rebelde e heróico, também tem seu quinhão presidencial. Invejado perigosamente por todos os tipos de concorrência planetária, como pansexual excitado, o fato inaudito e persecutório das beligerantes mães solteiras. Vingança ou acerto de contas, filhas e filhos entram na jogada. E é por dentro do cérebro de Kill Cara-de-Cão em coma, que uns invadem por dinheiro, nostalgia, ou aprendizado. A exemplo do filho robô que põe-se a questionar, a vida é isso mesmo? Com a trama intrincada de peripécias, a HQ põe em dúvida se o nosso próximo futuro sci-fi distópico seguirá na mesma ordem traumática da valorização cotidiana do pai ausente, interplanetário. Ótimo spin-off do universo Incal criado por Jodorowsky e Moebius, em termos lúdicos de acesso, essa arte leva e traz imaginação política para assuntos sérios de discussão pública.
(Yuri Ulrych)