Como se fosse um adeus, Drummond deixou este livro pronto para publicação, protegido por uma simples pasta de cartolina, alguns dias antes de sua morte em 17 de agosto de 1987. O tom de despedida do poeta e claro. Em seus 49 poemas, 47 inéditos, Drummond faz desta coletânea um primoroso fechamento de sua produção poética.
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Quando vim, se é que vim de algum para outro lugar, o mundo girava, alheio à minha baça pessoa, e no seu giro entrevi que não se vai nem se volta de sítio algum a nenhum.
Que carregamos as coisas moldura da nossa vida, rígida cerca de arame, na mais anônima célula, e um chão, um riso, uma voz ressoam incessantemente em nossas fundas paredes.
Sou bem chata pra poesia e sinto que não aprecio poemas como deveria, mas este livro foi fantástico do início ao fim, e as palavras são muito bem usadas, de modo que não precisam ser rebuscadas para passar um sentimento. Carlos tinha consciência do que estava fazendo e do que iria acontecer com ele quando escreveu esse livro.
sempre brilhante, como cabe tanta simplicidade, complexidade e sentimentalismo junto e emaranhado? só Carlos Drummond de Andrade consegue trazer tantos antônimos juntos para dançar de mãos dadas. “Pois o amor resgata a pobreza, vence o tédio, ilumina o dia e instaura em nossa natureza a imperecível alegria.”
Drummond é simples e em grande parte dos poemas fácil de entender. Uma excelente recomendação para quem está nos seus primeiros contatos com esse universo dos poemas - como é o caso para mim. É uma leitura gostosa, reflexiva e por muitas vezes catártica.
Farewell, publicado postumamente, encerra com coerência a obra de Drummond, embora haja mais leveza ao encarar o grande drama do sofrimento como fio condutor da existência.