O paulistano Antônio de Alcântara Machado se destacou no movimento modernista quando publicou sua série de contos reunidos no livro Brás, Bexiga e Barra Funda (1927). Seus contos são muito elogiados pela crítica e retratam com humor e exatidão a vida na São Paulo da década de 1920.
Brás, Bexiga e Barra Funda é composta por 11 contos que nasceram da experiência do autor como jornalista e são recheados do linguajar típico das notícias. Os três bairros paulistanos que dão nome ao livro retratam a influência e a integração dos imigrantes italianos na cidade de São Paulo.
Esta edição reúne também os 12 contos de Laranja da China (1928). Fruto de uma paródia do Hino Nacional muito popular na época de Alcântara Machado, "laranja da China" é uma expressão que dá o tom humorístico e nacionalista aos contos, todos eles pincelados de humor e linguagem coloquial.
As duas coletâneas têm em comum o humor do quotidiano, primeiramente com a adaptação do imigrante italiano em Brás, Bexiga e Barra Funda e em segundo lugar, com os tipos urbanos em Laranja da China.
São contos curtos, rápidos que misturam vários estilos e gêneros literários, indo do puro diálogo até a prosa poética. O sarcasmo do autor é delicioso e mantém o leitor naquele ímpeto de risada contida por momentos que mesmo na época seriam considerados de humor negro.