ANA TERESA PEREIRA nasceu a 30 de Maio de 1958 no Funchal, onde vive. Frequentou um curso de guia intérprete, actividade que abandonou aos vinte e cinco anos para estudar Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Contudo, no final do segundo ano, abandonará também a Filosofia e regressará ao Funchal, onde se dedicará exclusivamente à prática da escrita tendo uma já longa e variada carreira literária. Desde o seu primeiro livro tem vindo a publicar regularmente. A singularidade da sua temática e a concisão da sua escrita dão a Ana Teresa Pereira um lugar próprio na literatura portuguesa actual. Tem colaboração nos jornais Público e Diário de Notícias (Funchal) e nas revistas Islenha e Margem 2. Ao longo da sua carreira recebeu os seguintes prémios: Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB (2011), o Prémio Literário Edmundo Bettencourt (2006; 2010), o Prémio Máxima de Literatura (2007), o Prémio PEN Clube Português de Narrativa (2005); o Prémio Caminho de Literatura Policial (1989); o Prémio Revelação de Ficção APE/DGLB (1989) e o Prémio Oceanos de Literatura Portuguesa (2017).
Li este livro como quem vê um filme: praticamente fi-lo em apenas um dia, quase todo de seguida, após um contacto inicial de entrada neste novo que é o universo de Ana Teresa Pereira para mim. Apaixonei-me tanto pela primeira parte do livro, na sua ousadia e concernência. É magnífica! Senti-me dentro das histórias, das imagens, das palavras... Senti-me perdido no mundo das Personagens. E gostei muito disso, de me perder nesta beleza para além do sentido. A segunda parte também foi, de certa maneira, magnética, embora ligeiramente mais expectável, mais «lugar-comum» e menos naufrágio encantatório como a primeira parte. No entanto, foi uma experiência bonita e labiríntica - entre realidades, entre pontos de vista, entre situações distintas. O que mais gostei aqui foi entender como a primeira parte me parece cheia de nevoeiro até a vermos sob a luz da segunda parte, que a parece esclarecer (ou contextualizar) de algum modo. Mesmo assim, digo que foi belo ler a primeira parte sem o contexto da segunda, como ver um filme pela primeira vez. Já a segunda parte foi como se visse o filme pela terceira vez e apenas aí tudo fizesse sentido... É um livro muito cinematográfico! Para além dos escritores e realizadores mencionados, lembra-me muito David Lynch esta escrita. Parece-me que esta leitura foi uma boa porta para o mundo de fantasmas e nevoeiros que é o da escritora. Continuarei o percurso.
Não percebi nada, genuinamente, o livro está lindamente escrito mas sinto que precisava de o ler mais dez vezes para saber o que aconteceu, talvez volte e adicione um rating mas neste momento não faço a mínima ideia o que diga.