Simone Weil apresenta em "La fuente grega" (A fonte grega) dois interessantes ensaios que visam a resgatar a herança grega clássica, propondo interpretações que acabam por ser diversas daquelas que comumente esperamos encontrar.
O primeiro ensaio, "A Ilídia ou o poema da força", mostra-nos que a força subjuga a tudo e a todos, visto que ninguém a controla; na verdade, somos por ela moldados quando dela procuramos nos servir. Os exemplos são vários dentro do grande poema que é a Ilíada de Homero e nem o praticamente invencível Aquiles dela pode escapar. O forte em determinado momento pode ser o fraco ou o vencido no momento seguinte. E mesmo para o vitorioso, a força também lhe impõe reveses, pois que pode lhe afastar dos seus, às vezes por anos e anos sem fim, sem nem mesmo a certeza de que um dia os encontrará e se o fizer, se os verá ainda com vida.
"A fuerza de ser ciego, el destino establece una especie de justicia, ciega también, que castiga a los hombres armados con la pena del talión; La Ilíada la formuló mucho antes que el Evangelio, y casi en los mismos términos: Ares es equitativo, mata a los que matan."
Apenas a moderação no uso da força pode mostrar caminhos para que o indivíduo escape, com alguma chance, aos efeitos da força. No entanto, a moderação é algo raro de se encontrar na espécie humana, sempre sedenta de mais. No entanto, sob o império da força, o homem se torna seu escravo.
"Es necesario, para respetar la vida de otro cuando se ha debido mutilar en sí mismo toda aspiración a la vida, un esfuerzo de generosidad que rompe el corazón. No se puede suponer a ninguno de los guerreros de Homero capaz de tal esfuerzo, salvo aquél que en cierto modo se encuentra en el centro del poema, Patroclo, que “supo ser dulce con todos”, y que en La Ilíada no comete nada brutal ni cruel. Pero ¿cuántos hombres conocemos, en miles de años de historia, que hayan dado prueba de una generosidad tan divina? Es dudoso que se puedan nombrar dos o tres. Falto de esta generosidad, el soldado vencedor es como una calamidad natural; poseído por la guerra, como el esclavo, aunque de distinta manera, se ha convertido en una cosa, y las palabras no tienen poder sobre él como no lo tienen sobre la materia. Ambos, al contacto de la fuerza, sufren su infalible efecto, que es transformar a quienes toca en mudos o sordos."
"No es posible amar y ser justo si no se conoce el imperio de la fuerza y no se sabe respetarlo."
A primeira parte termina com alguns trechos de obras gregas, tais como "Zeus y Prometeo", "Lamentos de Electra y reconocimimento de Orestes", "Antígona" e "Primavera" (de Meleagro).
A segunda parte é composta sobretudo de anotações sobre textos de Platão e de Heráclito, provavelmente para a escrita de outros textos futuros, o que não veio a se concretizar pela morte prematura de Weil.
Pode-se dizer, no entanto, que mais do que um ensaio filosófico, trata-se de um estudo sobre a espiritualidade em Platão, que a autora considera como um espiritualista e não como um filosofo. Busca também nas tradições religiosas mais antigas, nos mistérios (Eleusis, etc), no orfismo, etc., a inspiração para suas interpretações, e em muitos pontos se apresenta quase como um estudo de interpretação e comparação da filosofia cristã com aquela dos filósofos gregos até Platão.
"Platón. Saber dos cosas a su respecto.
1.ª No es un hombre que ha descubierto una doctrina filosófica. Contrariamente a todos los otros filósofos (sin excepción, creo), repite constantemente que no ha inventado nada que no hace más que seguir una tradición, que a veces nombra y a veces no. Hay que creerlo bajo palabra.
(...)
2.ª Sólo poseemos de Platón las obras de vulgarización destinadas al gran público. Se las puede comparar con las parábolas del Evangelio. Por el hecho de que tal idea no se encuentra en ellas o se encuentre explícitamente no debe deducirse que Platón y los otros griegos no la conocían."
Pode não agradar a todos. Achei-o bem interessante, em especial pelo primeiro ensaio sobre a Ilíada e a Força.