A busca pela prosperidade a qualquer custo, em meio ao caos das grandes cidades brasileiras. O êxodo rural e as aglomerações urbanas em torno de oportunidades de emprego numa sociedade competitiva e cruel para quem não tem nada, são atores relevantes nesse cenário.
Muda-se a estrutura econômica, aprofunda-se o desmonte do Estado, transforma-se também a superestrutura ideológica. A igreja em tempos de capitalismo tardio precisa ser diferente. Não há mais guerra fria ou polos divergentes que viabilizem uma guinada esquerdista de uma teologia da libertação. A fé precisa ser lucrativa. Jesus deixa de ser o primeiro Comunista da história pra ser o primeiro Coach da história.
Também o crime se torna uma empresa. Em uma sociedade mediada exclusivamente pelo poder econômico, ambas instituições muitas vezes se encontram no mercado. Como o antigo brocardo latino: "pecunia non olet", o dinheiro não fede, independente da origem
O mérito principal do autor é o de amoralizar a questão da religião e fugir dos estereótipos fáceis. O crente neopentecostal não é um ser sem agência ou cabeça própria, mas ator da própria vida, colaborador e beneficiário de um projeto mais amplo e útil no âmbito individual.
Reportagem necessária para quem quer conhecer/refletir sobre o nosso futuro: que passará certamente pelos dois elementos que intitulam o livro. Elementos de uma mesma sociedade, nem sempre juntos, mas muitas vezes unidos, em alguma medida.
Estado, religião, partido político, economia, crime, mercado, transporte alternativo, futebol: são algumas das facetas pelas quais o tema se desenvolve.
Tem um podcast sobre o livro: a edição de 16/09/23 do "Ilustríssima Conversa".