Natália de Oliveira Correia foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.
"Chamávamos Europa ao sítio onde parou o sangue que a estrela de seis pontas buscava onde a sede do corpo por fim chegasse à alma Esquecidas as letras que a labareda obscura sabiam apagar ensanguentou-se o livro Que resta deste campo de girassóis recentes? um bosque desabado de verticais caídas com morangos de plástico e crianças perdidas em corpos estranhados como números chamados por uma aritmética de vozes sem destino Por certo nos vestimos de carne prematura e neste claro escuro de templos é desastres nos salva a actuação dos ossos que procuram o centro de uma casta 3 eterna fixidez onde os deuses nos fitam com a frieza das jóias e a vida nos espera para ressurgir de vez"
Bem, este livro serviu o propósito de travar conhecimento com a obra de Natália Correia. Não posso dizer que tenha ficado fã.
Tinha curiosidade de ler Natália Correia Lembro-me dela com o cabelo armado e a boquilha com o cigarro sempre presente, as poses teatrais. A série 3 mulheres aguçou a curiosidade O centenário do seu nascimento a oportunidade. Mas escolhi seguramente o livro errado e não foi a melhor forma de começar a conhecer a sua obra. Fica adiado o dever de ficar deslumbrada
O livro é muito curtinho e lemos rapidamente. Não fui muito feliz na minha escolha para ler Natália Correia pela primeira vez. Precisava de mais contexto histórico para compreender bem os poemas.
"O anjo do ocidente à entrada do ferro" foi publicado em 1973, e revela uma poeta preocupada com o rumo da Europa que vai perdendo a sua identidade. Com versos fortes, carregados de sentido de humor e com referências a monumentos ou características de vários países europeus, a poeta vai tecendo a sua crítica mordaz.
"Relaxado verão de purgas limpa o turismo ecuménico o ânus nestas alturas brancas de papel higiénico"
"Com a urgência de acharmos paraísos perdidos perdemos sem saber paraísos achados"
Conjunto de poemas em que Natália reflecte sobre a Europa. Serei sempre admiradora de Natália pela sua coragem e espírito revolucionário que sempre a impeliram a lutar pela liberdade, já desta coleção de poemas, não posso dizer os mesmo...
A collection of poetry from one of the most famous woman poets of the Portuguese 20th century, these are all connected by a theme, Western Europe. Correia was not only a poet, she was also a politician, a part of the social-democratic resistance against the fascist dictatorship which would fall a year after the publication of this collection in 1974.
A famous bohemian and a staple of the Lisbon nightlife, she was also a great traveller and as we can see in this collection a great observer and poet. Very much in a modernist tradition which has its international antecedents in people like Walt Whitman or Ezra Pound, while in the Portuguese context Pessoa's heteronym Álvaro de Campos, this feels like the adequate mode to express the kinetic nature of the western Europe she is portraying here.
The book is almost disposed as if it was a tour of Western Europe, with different poems covering different cities and locations grouped in a broadly geographical logic before ending with a more allegorical poem on Europe in general. Correia's later Euroscepticism is already present here, a cynical, yet admiring view of Europe all executed in some pretty amazing poetry.
Irei sempre admirar a Natália pela sua luta, liberdade e até pelas suas poses teatrais. No entanto, escolhi o livro errado para entrar no mundo dela. Mas que ousadia por escrever de tal forma sobre a Europa.
"Houve um lilás pequeno na nossa meninice como um lugar sereno o começo profundo de um gesto que descobre por fim os alaúdes Mas dessa madrugada viciámos os dados Com a urgência de acharmos paraísos perdidos perdemos sem saber paraísos achados"