Excerto "Caminharam até à lagoa do Kinaxixi. Decisão de Nicolau. Para quê tão longe? Estava a atrasar o momento da execução? Thor não oferecia resistência à marcha, também não podia fazer nada, tão amarrado estava. Ia aos saltinhos, amparado pelos dois. Ambrósio sempre atrás. Chegaram à beira da lagoa. Nicolau não puxou pelo facão. Fez um gesto com a cabeça para Dimuka e se virou para trás. O carrasco oficial da família Van Dum fez ajoelhar Thor junto à lagoa. Pegou na catana que levava à cintura e desferiu o primeiro golpe."
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos is a major Angolan writer of fiction. He writes under the name Pepetela.
A white Angolan, Pepetela fought as a member of the MPLA in the long guerrilla war for Angola's independence. Much of his writing deals with Angola's political history in the 20th century. Mayombe, for example, is a novel that portrays the lives of a group of MPLA guerrillas who are involved in the anti-colonial struggle, Yaka follows the lives of members of a white settler family in the coastal town of Benguela, and A Geração da Utopia reveals the disillusionment of young Angolans during the post-independence period. Pepetela has also written about Angola's earlier history in A Gloriosa Família and Lueji, and has expanded into satire with his series of Jaime Bunda novels. His most recent works include Predadores, a scathing critique of Angola's ruling classes, O Quase Fim do Mundo, a post-apocalyptic allegory, and O Planalto e a Estepe, a look at Angola's history and connections with other former communist nations. Pepetela won the Camões Prize, the world's highest honour for Lusophone literature, in 1997. Pepetela is a Kimbundu word that means "eyelash," as does "pestana" in Portuguese. The author received this nickname during his time fighting with the MPLA.
A minha primeira leitura de uma obra deste autor e creio que não será a última. Um livro que eu não escolheria se não fosse numa leitura-conjunta mas que se revelou uma agradável surpresa. Muito sobre Angola, a sua história do séc. XVII, durante a ocupação dos Flamengos, e as suas gentes mas o que gostei principalmente foram as personagens da Gloriosa Família de Van Dum e todas as histórias que acontecem numa família grande e arredores. A verdadeira estrela do romance é o narrador, um escravo que nos conta tudo o que acontece ou que ele imagina que acontece, com uma narrativa deliciosa, muito cómica e também séria. E o que ele vê, ouve e nos conta resulta nesta obra muito interessante, que recomendo a todos.
O melhor presente que recebi no Natal passado foi este glorioso romance do mangole Pepetela, que retrata a saga da família de Baltazar Van Dum, um holandês radicado em Luanda durante o período de ocupação holandesa da cidade (entre 1642 e 1648).
Van Dum é comerciante de escravos e um tremendo diplomata/malandro, mantendo boas relações com os portugueses (por ser católico) e os "mafulos", conseguindo sempre agradar a gregos e troianos através de artimanhas várias, suas ou dos onze filhos que constituem a sua prole, uns oficiais, outros "de quintal", ou seja, feitos em escravas.
As peripécias da família vão sendo narradas por um curioso escravo, o que contribui para acentuar ainda mais as crendices e os elementos mitológicos que tanto aprecio nos escritores africanos, aqui num expoente de originalidade e destreza máxima.
Além da escrita prodigiosa, o livro triunfa sob o aspeto das lições de história que nos dá, visto que o que aprendemos na escola sobre o desenrolar dos acontecimentos nas ex-colónias portuguesas é escasso ou superficial.
Numa mistura de ficção e realidade, Pepetela consegue narrar uma história cativante até à última página. É verdade que o início é mais “lento”, mas o enredo à volta da família Van Dum prendeu-me muito, estive sempre curiosa para saber o destino dos membros familiares. E tem o bónus de ser baseado em muitos factos reais, dando uma boa ideia (acredito eu) da época colonial em Angola, especificamente da presença holandesa no país.
Excelente prosa, uma agradável surpresa. Começou um pouco morno, não prendeu de inicio, mas depois tornou-se difícil parar a leitura. Interessante estória, boa construção de personagens, aspectos históricos interessantes. Recomendado.
Um livro que nos dá uma boa ideia sobre a Angola Holandesa e a sua reconquista pelos Portugueses. Numa narrativa exótica, típica do escritor, ele alia as crenças e crendices nativas (a Kianda é fantástica...) à história de uma família influente num período dificil do império ultramarino. Os jogos de poder, as influências e os desenganos dão-nos uma boa imagem de como funcionam os tentáculos das nações imperiais... Nunca em benefício do povo nativo. Antes, como hoje.