eu nem sei como esbarrei no livro goth: undead subculture, organizado por michael bibby e lauren goodlad, mas tem sido uma viagem de leitura!
goth reúne vários ensaios sobre os mais diversos aspectos da subcultura gótica, de maquiagem a literatura, passando por música, cinema, moda, consumo, e questões de classe social, raça e gênero. eu estou lendo aos poucos e ainda não terminei, intercalo 2 ou 3 ensaios com algum outro livro de ficção (o último foi the dispossessed, da ursula k le guin). ⠀
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até agora, entre os que mais gostei, estão dois textos sobre cinema - um sobre o filme o corvo, de 1994, suas simbologias intencionais e a simbologia incidental que se criou a partir da morte de brandon lee. o outro, um ensaio magnífico, era sobre clube da luta, os temas homoafetivos do livro e do filme, e seu papel na criação de uma nova estética gótica mainstream nos anos 90.⠀
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a questão da homoafetividade, do queer, do homem hétero abraçando o feminino aparece em vários ensaios - o gótico é o espaço onde o masculino pode ser deixado de lado sem julgamento.⠀
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é nessa pegada do homem feminilizado que um dos ensaios discorre sobre a montação de david bowie nos anos 70 e como o glam abriu as portas para uma possibilidade de expressão estética andrógina essencial para os góticos.⠀
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além disso há muitos textos sobre estilo - vários deles sobre comunidades góticas nos anos 80, 90 em cidades minúsculas norte-americanas, cidades industriais meio desoladas, que em décadas passadas sofriam de altas taxas de desemprego e cuja população vivia, no geral, num estado de depressão. é nesses lugares que a subcultura se prolifera com mais sucesso.⠀
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o livro é ótimo pra entender melhor essa subcultura que se tornou tão estereotipada, e como ela se intersecciona de maneira complexa com questões sociais, econômicas e políticas.⠀
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sem contar que tem várias menções a vampiros na cultura pop, de bram stoker a anne rice a buffy, então na pior das hipóteses vampiros são sempre massa.⠀