Os livros do Simas falam por si só, então deixarei uns trechos abaixo. Os três referente a samba.
O material de trabalho do autor são as ruas, a história do Rio de Janeiro, da formação da identidade brasileira, estratégias de resistência ao desencanto proposto por grupos que querem a qualquer custo higienizar esse país.
"Crônicas Exusíacas" é um livro de textos curtos, bem ligeiros de ler, quase um apanhadão geral de muita coisa que já ouvi o Simas falando em redes sociais e palestras. Muito bom e ligeiro. Se você nunca leu nada dele, recomendo começar por "O Corpo Encantado das Ruas" e pegar esse em seguida.
Trechos:
Escolas de samba são – em suas origens – instituições comunitárias de construção, dinamização e "redefinição de laços associativos e comunitários dos negros cariocas no período pós-abolição. Um desfile de escola de samba tem particularidades incompreensíveis para aqueles que não têm qualquer laço de pertencimento com estas vivências e seus rituais."
"A experiência da casa da Tia Ciata mostra também que a história do samba é muito mais que a trajetória de um ritmo, de uma coreografia, ou de sua incorporação ao panorama mais amplo da música brasileira. O samba é muito mais do que isso. Em torno dele circulam saberes, formas de apropriação do mundo, construção de identidades comunitárias, hábitos cotidianos, jeitos de comer, beber, vestir, enterrar os mortos, celebrar os deuses e louvar os ancestrais. Tudo isso que se aprendia e se ensinava na casa de Ciata de Oxum, na rua Visconde de Itaúna, 117"
"O agogô também é utilizado nas macumbas cruzadas das umbandas e omolocôs, chamando caboclos, pretos-velhos, povo de rua, crianças, boiadeiros, marujos, ciganos e todas as linhas das entidades dispostas a descer nas gumas para quebrar as barreiras entre a morte e a vida."