Logo pelo título fica a dúvida sobre o que é que os Açores teriam que ver com Timor. A obra sublinha, através da documentação analisada, o intenso esforço diplomático do regime português para, enquanto mantém a neutralidade na II GM, manter também o compromisso da aliança luso-britânica e jogar no tabuleiro internacional de forma a preservar as colónias e a autonomia portuguesa. A obra falha, no entanto, no simples facto de ainda ter um carácter extremamente nacionalista, fruto de uma historiografia também nacionalista e colonialista, que aponta para termos como "patriotismo", "civilizado", etc. Este simples facto mina a interpretação dos acontecimentos históricos, e, assim, sugere a necessidade de uma reinterpretação que consiga ver os acontecimentos descritos para além de grandes narrativas imperiais e nacionalistas. De assinalar, também, a data de publicação da obra: 1992 (sendo que já vem sendo elaborada desde os anos 80). Tal facto é relevante, pois é nesta altura que ainda subsiste a ocupação indonésia de Timor, o que teve claro peso na própria construção da narrativa da obra. Enfim, apesar de pontos relevantes levantados, no que concerne à diplomacia na II GM, a verdade é que a historiografia "estado-novista" ainda está bem patente, tornando-se assim importante uma nova interpretação que se paute por uma maior crítica das fontes (muitas delas oriundas do próprio regime do Estado Novo).