Monólogo em 9 episódios e 1 ato, de Clayton Nascimento, aborda, a partir de episódios de racismo, nos quais a palavra "macaco" é usada como forma de denúncia do racismo estrutural na sociedade brasileira, o preconceito contra os povos pretos a partir do relato de um homem que busca respostas para o racismo que rodeia seu cotidiano e a história de sua comunidade.
Num fluxo de pensamentos, desabafos e elucidações, a peça traz cenas pautadas na história brasileira, como também em situações vividas por grandes artistas Elza Soares, Machado de Assis e Bessie Smith, até alcançar relatos e estatísticas de jovens negros presos e executados pela polícia militar no Brasil de ontem e de 2022. "A dramaturgia deste trabalho parte da autoficção para estruturar uma narrativa com elementos épicos organizados cenicamente pela figura de um narrador potente, que atravessa tempos, viajando pela parte oculta, perversa, nada heroica da história", analisa a dramaturga Dione Carlos no prefácio.
Com o espetáculo, Clayton Nascimento ganhou os prêmios Shell e APCA de Melhor Ator.
"MACACOS nos dá uma aula de história. De múltiplas narrativas. Mostra onde o Brasil desumanizou o Brasil. Onde o mundo girou só para um lado", Marcelino Freire.
Excelente texto. Espero ver a peça na próxima oportunidade que surgir. A forma que o autor/artista descreve os acontecimentos, direta, em alguns momentos com tons de ironia e muita crítica, fazem do livro, apesar de curto, muito marcante!
Já que não tenho a sorte de conseguir comprar ingressos para a peça (sempre esgotada por ser um sucesso extremo), o jeito foi ler e me encantar pela performance.