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Navegador Solitário

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Solitão Fernandes nasceu em Giestal dos Frades, filho de gente desonrada e trabalhadora. Guiado por tão sábios ensinamentos, Solitão navega com êxito no oceano revolto que é a sociedade deste nosso fim de século e aprende rapidamente a vencer na vida. Só que, de repente, tudo muda...

O relato das navegações de Solitão Fernandes no mar português contemporâneo desenrola-se em paisagens pintadas com ácido e adornadas com sorrisos torcidos, mas também com algum humor inocente. Nas margens desse mar, esconde-se até um pouco de ternura envergonhada.

397 pages, Hardcover

First published January 1, 1996

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About the author

João Aguiar

76 books72 followers
JOÃO AGUIAR nasceu em 28 de Outubro de 1943. Licenciado em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, trabalhou nos centros de turismo de Portugal em Bruxelas e Amesterdão, regressando a Lisboa e à carreira jornalística em 1976. Foi assessor do Ministro da Qualidade de Vida, no VII Governo Constitucional (1982-83). Foi autor da reportagem Uma Incursão pelo Esoterismo Português (1983) e dos romances A Voz dos Deuses (1984), O Homem Sem Nome (1986), O Trono do Altíssimo (1988), O Canto dos Fantasmas (1990), Os Comedores de Pérolas (1992), A Hora de Sertório (1994), A Encomendação das Almas (Prémio Eça de Queiroz, 1995), O Navegador Solitário (1996), Inês de Portugal(1997), O Dragão de Fumo (1998), A Catedral Verde (2000), Diálogo das Compensadas (2002), Uma Deusa na Bruma (2003), O Sétimo Herói (2004), O Jardim das Delícias (2005), O Tigre Sentado (2008) e O Priorado do Cifrão (2008). Foi também autor de colecções infanto-juvenis, nomeadamente de O Bando dos Quatro e Sebastião e os Mundos Secretos. Faleceu a 3 de Junho de 2010.

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5 stars
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108 (39%)
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40 (14%)
2 stars
10 (3%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 24 of 24 reviews
Profile Image for Celeste   Corrêa .
381 reviews326 followers
May 12, 2021
«Navegador Solitário» (1996)

Solitão Francisco da Conceição Fernandes tem uma vida lixada e ainda só tem quinze anos, daí iniciar o seu diário com uma frase de descontentamento:

«Eu hoje faço quinze anos mas era melhor que não os fizesse»

Um livro de aprendizagem, da província para Lisboa, a sede de mudança, vida nova e integração numa classe social elevada preconceituosa, caprichosa, corrupta, a possibilidade de carreira e poder no Portugal da década de 80 (ou 90?) minada pelos partidos políticos, a ligação ao futebol, os favores sexuais e personagens, imagens dessa sociedade, como um arquétipo.

O título é excelente e a divisão da narrativa - em forma de diário - em cinco partes também:
1 - NO RESTELO, A ARMADA PRONTA
2 - DESCOBRIMENTOS
3 - GLÓRIA DE MANDAR E VÃ COBIÇA
4 - FUMOS DA ÍNDIA
5 – ALCÁCER-QUIBIR

Uma estrutura ambiciosa e erudita através da qual o autor esteve (quase sempre) à altura de navegar no mar português da sociedade portuguesa da época com uma escrita que é uma lição de bom português.
Ciente que deve muito a muitos mas que é credor de muito pouco, àqueles que, como o seu avô além-túmulo, lhe previam um Álcácer-Quibir, Solitão decide construir outra coisa à sua inteira custa, «lançando alicerces na vasa, esperando que no fundo da vasa haja ainda, por acaso, alguma rocha que não seja friável.»

(Editado em 12.Maio.2021)
Profile Image for João.
Author 5 books67 followers
August 13, 2016
As primeiras páginas são verdadeiramente divertidas. Pobre Solitão (o nome é responsabilidade vaca da madrinha Preciosa), assombrado pelo avô Aquelino, que o quer utilizar para ser, depois de morto, o que não conseguiu ser em vida! Na segunda parte, Solitão aprendeu a escrever sem erros com a professora de português que anda a comer. Confesso que fiquei com pena do calão imaginativo, cheio de erros e sem vírgulas da primeira parte, como quando Solitãoo se atrapalha com "piçaarvativo" para dar a sua primeira "berlaitada" e depois se confessa aos padre os seus pecados contra a "castridade", pedindo a "besolvição". A terceira parte é dedicada à ambição desmedida de ascensão económica e social de Solitão (que odeia o nome e quer que lhe chamem Francisco): vai estudar Direito para Lisboa, incentivado pelo Dr. Severo, que até lhe "punha" um apartamento para poder "desfrutar" mais à vontade do físico do rapaz, se ele quisesse (não quis)! é uma fase de grandes sacrifícios, muito trabalho, muito estudo, pouco dinheiro e pouco sexo... Salva-se um novo personagem, a cavalona da prima Ivone, que apesar de estar para casar, vai "aliviando" o desgraçado do Solitão... A quarta e última parte é sobre redenção e castigo: a redenção do Solitão, a redenção da Etelvina (uma prostituta com bom coração), a redenção do bem e do amor verdadeiro; o castigo do mal, das almas penadas, do interesseirismo, da riqueza oca e da ambição desmedida.

Apesar de ter conseguido criar alguns personagens e dispositivos muito interessantes (Solitão, o avô Aquilino, Teresa e a prima Ivone, a escrita cheia de erros da 1a. parte, a escrita automática), por vezes, o autor parece andar um pouco perdido, sem saber o que fazer com eles: Angelino sempre a curar-se e a recair na droga, o avô Aquilino sempre a dizer que não pode desvendar os mistérios do outro mundo, o pai sempre a chatear o moço, etc. Alguns dos personagens são muito vistos (a puta de bom coração, a aristocrata muito digna) e o enredo acaba por ser pouco surpreendente ou original... o rapaz salva-se das más influências... e tudo (até) termina com um "casamento improvável"!

A homossexualidade é um dos temas sempre presentes ao longo do livro, contribuindo decisivamente para o enredo, embora sem ser o tema central. O Angelino arranja dinheiro para a droga vendendo-se aos homossexuais do Parque Municipal de Giestal, onde Solitão encontra (e satisfaz) o Dr. Severo. Mas o Dr. Severo é um dos "maus" da história, não por ser homossexual, mas por ser hipócrita (é casado, tem duas filhas e um apartamento em Almada, onde ao longo da vida foi tendo rapazes "por conta". O próprio Solitão não é moralista em relação ao assunto, acreditando que chegou a ter prazer, embora nem a si próprio o conseguisse confessar.

Pelo meio, surgem algumas considerações interessantes sobre a sociedade portuguesa-europeia-ocidental que se mantêm actuais passados quase 20 anos sobre a escrita do livro: sobre o "provincianismo" e a "meia-tigela". "A sua predominância no actual momento histórico pode ser considerada a partir de duas perspectivas diferentes. A mais comum - que a Rita partilha - é aquela que se limita a vê-la como um sinal dos tempos, partindo do princípio de que os tempos são decadentes e abastardados, sem mais. A outra perspectiva colocará, ao menos como hipótese, que decadência e abastardamento são meros ingredientes de mutação e assinalam, ainda que indirectamente, um caminho positivo."
53 reviews
April 30, 2021
Oh meu deusssss adorei este livro.

Bem escrito, muito engraçado (a ponto mesmo de chorar a rir), intrigante e maravilhoso. Cativante para adolescentes e adultos, este livro é qualquer coisa de extraordinário.
Profile Image for Paulo Mota.
173 reviews
February 13, 2021
Lembro-me de ter sido forçado a ler este livro quando frequentava o 10 º ano de escolaridade. Na altura detestava a vida escolar, resistia, aliás, desde a 2ª classe que resistia a esse ritual diário, por questões que pelas quais não vou querer alongar-me, vou apenas sublinhar o que via: era, e é, infelizmente, uma farsa. Limitava a mente, pedia às pessoas para decorar e "saber" através da coação e do medo, algo que rejeitei por dádiva da mera intuição (mas tive sinais exteriores a essas experiências que me abanaram também).
No entanto este livro foi uma surpresa agradável, lembro-me que fiz um esforço para o ler, para o querer ler, querer começar. O esforço terminou após 2 ou 3 parágrafos, sentia-me em casa. Recordo com facilidade o quanto me fez rir, a minha mãe a entrar pelo meu quarto a dentro, curiosa, queria saber a razão pela qual eu estava a largar tamanhas gargalhadas. O que me fez rir e mais tarde prendeu o meu coração foi uma sensação de honestidade, que era algo de inaudito para mim na altura, uma escrita em português, original, honesta. Uma realidade palpável cuja tristeza eu conseguia compreender. Claro que a felicidade foi amputada de um jorro só, após abrir os olhos e encontrar-me dentro de uma sala de aula, e comecei a ouvir o que era pedido, o que queriam de mim, o que ia ser analisado, o pudor sobre temas sérios, as implicações sociais, existenciais, a falsa coragem, e claro, o medo, o medo sempre presente: lá vou eu ter que decorar os pequenos almoços tomados e a relação que os outros decoraram que existe entre personagens, só se pode dizer aquilo que se consegue justificar aos olhos da validação experiente do tutor - Assim entendi, renovei e relembrei, o que a escola não queria: não queria uma revelação, não queria saber nem promover a autodescoberta, a escola queria dizer o que existia ali, para mim e para todos, e as pequenas variações superficiais que os outros rejubilavam com sorrisos tímidos, eram e temo que hoje em dia ainda sejam, as migalhas de pão que muitos ingerem para se sentirem livres, com a permissão validada pelo orgulho dos seus tutores.
Lembro-me que terminei o livro, por curiosidade, com o ânimo cansado. O esforço foi tamanho que após a prenda do "Francisco" à professora e das relações de noite no parque, tudo volta em branco. Tempos horríveis.
Hoje vi este nome num alfarrabista, João Aguiar, reconheci o design da capa, e esbocei um sorriso. Quando esta pandemia terminar, voltarei a casa dos meus pais e irei resgatar este livro. Quero ler mais romances do João de Aguiar.
(Vivo da dúvida se li este livro em 1999 ou 2000, se foi no 9º ano ou no 10º, não acredito que tenha tido a possibilidade de o ler em 1998 com 13 anos, não acredito, dado os temas do livro, aposto que foi em 2000 senão mesmo nos inícios de 2001)
Profile Image for Magda Pais.
Author 4 books81 followers
March 30, 2016
Aos quinze anos, Solitão Francisco tem uma vida lixada. Começa pelo nome - Solitão, ou Litão - que odeia. Um nome escolhido pela sua madrinha Preciosa - médium e que recebeu inspiração do outro mundo para a escolha do nome. Litão bem tenta que todos o tratem por Francisco, ou, vá, por Chico mas sem sucesso. Depois porque, por causa do nome, tem de andar à porrada com toda a gente na escola porque está sempre a ser gozado. E além de ter de ir à escola, ainda tem de servir às mesas no restaurante do pai. Como se não bastasse, o avô Aquilino, lá do além, obriga-o a escrever um diário - esta merda de diário - e é com esse diário que acabamos por o acompanhar e por perceber o seu crescimento, não só enquanto pessoa mas também na escrita.
A primeira parte do livro acaba por ser a mais hilariante, não pela história em si mas pelos erros que Solitão comete ao escrever. Sem virgulas, claro, porque meter virgulas é chato. Do pecado contra a sua castridade - cometido sozinho e sem ajuda - ao pedido de besolvição feito ao padre, ou a berlaitada que quer dar com a Cátia com piçarvativo, passando pelo varredor da Cultura (como é que, na Câmara se varre a cultura, pergunta, e bem, o nosso Solitão) passando por pensamentos brilhantes como, por exemplo:
... a Preciosa começou a arrotar e entra em trânsito e começa a falar com uma voz fininha... e vai daí o meu velho arrotou mas como ele não é médio não era trânsito era o feijão do jantar.
Depois, a segunda e terceira parte, não sendo hilariante - porque Solitão aprende, entretanto, a escrever melhor - são bastante interessantes, conseguindo-se acompanhar o seu crescimento em todos os aspectos e a sua reconciliação consigo próprio. Ao longo da leitura temos ainda a grata oportunidade de reflectir sobre alguns aspectos da sociedade, ainda actuais nomeadamente sobre o provincianismo.
Apesar de ter um fim previsível, a verdade é que foi uma leitura bastante agradável.
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
June 15, 2010
É um livro muito bom, que recomendo porque João Aguiar tem aqui um trabalho fabuloso que, não sendo uma obra-prima, é uma leitura que nos provoca sorrisos e que, principalmente no final, nos deixa com um brilhozinho nos olhos. Consegue equilibrar muito bem a crítica que faz à sociedade, à política e às promiscuidades que a rodeiam, com o crescimento do Solitão como ser humano. Como qualquer ser humano, Solitão está exposto a tentações a que por vezes cede e das quais tira proveitos mas que, no caminho, luta para não perder o rumo e continuar íntegro, à sua maneira. No final percebe que o mais importante já ele tinha, mas percebe também que o caminho que percorreu até chegar a esse ponto foi essencial para que soubesse apreciar o que já tinha. O Solitão é uma personagem fascinante.
Não deixem de ler este livro, se tiverem oportunidade de o fazer, garanto-vos que será tempo bem passado, ou não fosse o João Aguiar um dos melhores escritores portugueses. :)
Profile Image for João Roque.
342 reviews17 followers
October 5, 2015
Um livro que me surpreendeu pela positiva. Ainda não tinha lido nada de João Aguiar e esta sua novela "Navegador Solitário" agradou-me deveras, já que o autor através da sua personagem principal - o Solitão Fernandes - nos leva a reflectir numa série de factos que embora passados no final do século passado, continuam hoje muito actuais; é um livro bastante cru, não evitando tocar assuntos bastante delicados e mostra-nos uma trajectória de vida bastante bem delineada e que, quanto a mim, apenas peca por um fim talvez demasiado "fabricado" e que de certa forma aniquila essa ânsia de sucesso, bem equacionada e melhor sucedida que foi a vida de Solitão, desde os 15 aos 23 anos.
É, por assim dizer um "happy end" demasiado caridoso para uma história tão agradavelmente construída sobre gente hipócrita e falsa...
Profile Image for João Cruz.
360 reviews23 followers
November 25, 2016
Face à insistência de vários amigos que consideram este livro uma excelente leitura, decidi lê-lo. É um livro de leitura fácil, bem escrito, mas a história não me cativou sobremaneira. O final é despropositado. Há, no entanto um alarme que ressoa ao longo do livro, a melhoria do nosso bem-estar económico (anos 90 do século passado) não foi acompanhado por uma evolução cultural. A televisão e o futebol mantêm-nos brutalizados, afastados de problemas bem mais estruturantes do que quem foi ou quem vai ser o próximo campeão nacional de futebol.
Profile Image for Tânia Carvalho.
8 reviews1 follower
October 6, 2015
Ao longo do livro,passamos do riso nos capítulos iniciais,à reflexão através duma realidade nua e crua da sociedade que nos é apresentada à medida que a personagem cresce e amadurece.Pode dizer-se que à medida que Solitão cresce, o livro cresce com ele.E a realidade é que se torna grande,mto grande.
Profile Image for Joana Leitão Teixeira.
37 reviews
July 10, 2012
Um livro muito engraçado e muito bem escrito. Sou capaz de ter encontrado o meu escritor português favorito.
25 reviews
January 4, 2020
muito bom, para adolescentes e adultos. Muito bem escrito, visao do mundo de um homem em crescimento.
Profile Image for Maria Ana.
9 reviews
September 27, 2020
É um livro fabuloso. Há muito tempo que não ficava tão envolvida pela trama da história. Recomendo a todos aqueles que gostam de boas leituras.
Profile Image for António Eleutério.
11 reviews
November 11, 2020
O livro que me ensinou a ler melhor. Um livro que me ensinou em adolescente o que a adolescência tem de natural e o que a adolescência tem que deve ser controlado.
This entire review has been hidden because of spoilers.
64 reviews
May 25, 2024
“Navegador Solitário” de João Aguiar
“ Morreu um dos nomes mais carismáticos do romance histórico em Portugal”. Tal foi afirmado por ocasião do falecimento do escritor João Aguiar em 2010. Tinha 66 anos e, entre outras obras, deixou-nos 15 romances, escritos a partir dos seus 40 anos. Foi em 1984, com a publicação de “A Voz dos Deuses“, uma das suas obras mais emblemáticas, que iniciou a carreira literária.
Considerava a estupidez como “o único verdadeiro pecado do mundo terreno”.
No romance “Navegador Solitário” sentimo-nos retratados por João Aguiar. Somos o ser que navega nesta sociedade, nas ondas do mal-estar familiar, nos vícios e invejas dos colegas, nas tempestades dos jogos de interesses dos poderes políticos e no mar calmo da verdadeira amizade.
A decisão do rumo a tomar é demorada porque a sociedade nos acena com taças, com prémios que nos deslumbram mas com os quais não atingimos o que nos pode deixar dormir com a calma e serenidade que ambicionamos.
Mas Solitão Francisco Fernandes, a personagem, o navegador solitário, encontrou contra ventos e marés a sua baía de mar calmo, e ancorou.
Profile Image for Mady.
1,383 reviews29 followers
April 15, 2010
This was the first book I've read from Joao Aguiar and it really captured me to read more from this author. It was only later that I've realised this was so different from his "usual" style, which was even better! :)
Profile Image for Solange Oliveira.
7 reviews1 follower
January 13, 2017
Navegador Solitário foi um dos melhores livros que já li. A forma como a história é contada revela uma enorme inteligência e imaginação. Mas também não foi grande surpresa para mim o brilhantismo da obra. Não fosse ela escrita pelo grande João Aguiar!
Profile Image for Elisabete.
7 reviews3 followers
August 12, 2010
O primeiro livro que li do João Aguiar. Extremamente divertido e de escrita inteligente, como são todos os livros do João Aguiar.
Displaying 1 - 24 of 24 reviews

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