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A Voz dos Deuses

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«Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato.
Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância.
Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar.

Aquando do seu aparecimento, em 1984, Fernando Assis Pacheco escreveu serem raras as estreias com tanta qualidade. Depois disso, A Voz dos Deuses, ao longo de sucessivas edições, tornou-se um "clássico" do romance histórico português contemporâneo.

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para a Formação de Adultos como sugestão de leitura.

366 pages, Hardcover

First published January 1, 1984

12 people are currently reading
460 people want to read

About the author

João Aguiar

76 books73 followers
JOÃO AGUIAR nasceu em 28 de Outubro de 1943. Licenciado em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, trabalhou nos centros de turismo de Portugal em Bruxelas e Amesterdão, regressando a Lisboa e à carreira jornalística em 1976. Foi assessor do Ministro da Qualidade de Vida, no VII Governo Constitucional (1982-83). Foi autor da reportagem Uma Incursão pelo Esoterismo Português (1983) e dos romances A Voz dos Deuses (1984), O Homem Sem Nome (1986), O Trono do Altíssimo (1988), O Canto dos Fantasmas (1990), Os Comedores de Pérolas (1992), A Hora de Sertório (1994), A Encomendação das Almas (Prémio Eça de Queiroz, 1995), O Navegador Solitário (1996), Inês de Portugal(1997), O Dragão de Fumo (1998), A Catedral Verde (2000), Diálogo das Compensadas (2002), Uma Deusa na Bruma (2003), O Sétimo Herói (2004), O Jardim das Delícias (2005), O Tigre Sentado (2008) e O Priorado do Cifrão (2008). Foi também autor de colecções infanto-juvenis, nomeadamente de O Bando dos Quatro e Sebastião e os Mundos Secretos. Faleceu a 3 de Junho de 2010.

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24 (3%)
1 star
7 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 46 reviews
Profile Image for Luís.
2,394 reviews1,394 followers
October 20, 2021
The Voice of the Gods (Memories of a companion of Viriato), published in 1984, is a novel by the Portuguese writer João Aguiar. It innovatively tells the story of Viriato to previous works written about the Lusitanian chief.
João Aguiar relied heavily on ethnographic, historical and archaeological data to write his novel. The author put himself in the shoes of Tongio, an old priest of the god Endovélico, who tells the story of his life and his encounter with Viriato. On the mother's side, Tongio belongs to the tribe of cónios (or cúneos), a people from the southwest of the Iberian Peninsula, before the Romans. Today, the South of Portugal was part of Tartéssia, a civilization with high points in cities like Gadir, Cadiz (in Spanish, Cadiz).
Profile Image for Ana.
753 reviews114 followers
June 1, 2008
É talvez o romance histórico mais bonito que alguma vez li sobre a história de Portugal, antes de sermos propriamente um país. A lenda de Viriato e das lutas sangrentas contra os invasores romanos.

I read this book from my parents library. I've meanwhile bought myself a copy.
Profile Image for João Teixeira.
2,319 reviews45 followers
January 25, 2021
João Aguiar tem uma forma de narrar muito própria, mas que eu arriscaria a dizer que não é propriamente inovadora do ponto de vista literário. Ainda assim, o que destaco neste autor português são os temas que ele aborda, nomeadamente o passado pré-românico da Península Ibérica. Tôngio, sacerdote do Templo de Endovélico (um dos principais locais de culto ibéricos à época a que a narrativa nos remete) conta-nos como era viver numa Península Ibérica invadida pelos Romanos, na tentativa de expandirem o seu Império até ao Atlântico. Vai daí, a personagem deambula pela Península até encontrar o chefe dos Lusitanos, nada mais nada menos que Viriato, famosa figura de que todos nós estamos habituados a ouvir falar desde sempre e ao qual é dado o epíteto de fundador da nacionalidade portuguesa (enfim... como se à época houvesse essa coisa dos nacionalismos e como se ele imaginasse que alguma vez aqui, no extremo ocidental da Península, haveria de se formar um país chamado Portugal).

Curioso é o facto de João Aguiar, logo na advertência inicial, dar conta de que o seu objectivo com esta história é retratar um Viriato não mítico, mas mais de acordo com aquilo que se pode extrair dos documentos históricos que existem. Ora, o que acaba por acontecer é precisamente o contrário. João Aguiar faz-nos tomar contacto com um herói romantizado que almejava ser rei de toda a Ibéria e que é simultaneamente um general exímio, um diplomata exemplar, sóbrio no que respeitava a reclamar para si os espólios de guerra, fidelíssimo à sua mulher, entre outros aspectos do seu carácter que o tornavam... perfeito.

Em todo o caso, é um livro que vale a pena ler. Costumamos pensar que foram os Romanos que civilizaram a Península Ibérica e que, antes deles, não havia nada. Ler este livro vai precisamente tirar-nos essa ideia, ao dar-nos a conhecer as crenças e costumes dos nossos antepassados. É muito interessante, este que foi o primeiro romance escrito por João Aguiar.
Profile Image for Alberto Delgado.
688 reviews132 followers
September 15, 2018
Lo mas interesante del libro para mi ha sido descubrir la forma de vida que llevaban nuestros antepasados en la península ibérica antes de la llegada de los romanos para "civilizar" a sus habitantes. Como novela histórica me ha parecido pobre con una escasa recreación de los hechos que se narran y también una floja construcción de personajes. También decir que el titulo del libro lleva a equivoco porque aunque en el encontraremos a Viriato y su historia realmente el libro nos cuenta la vida de Tongio descendiente de un príncipe lusitano que se unirá al ejercito de viriato en su lucha contra Roma.
Profile Image for V&C Brothers.
Author 7 books93 followers
February 14, 2021
Vida del personaje histórico incluida lucha y muerte en el que derrota a los sucesivos ejércitos enviados por Roma gracias a su ingenio militar y político para proteger las raíces más profundas de su cultura ancestral
Profile Image for Beto.
105 reviews26 followers
February 11, 2014
“A Voz dos Deuses” é uma leitura a destacar.

Chamando à atenção pela sua veia guerreira e insubmissa, este livro também se faz destacar pela veia cultural, religiosa e mística que explora ao longo da narrativa. Com uma compreensão acessível, vamos percorrendo a vida de um personagem (Tongio) quando o objetivo final é, no fundo, dar a conhecer e dignificar o grande «Comandante e Protetor da Liberdade e Revolta Armada da Ibéria»: Viriato.

Assim, na procura de engrandecer esta personagem histórica na luta contra o imperialismo romano, é-nos oferecida uma segunda narrativa de ordem ficcional que serve de cobertura a uma parte da biografia de Viriato.

Com uma escrita e uma intensidade pausada para o tipo de obra a que corresponde (guerra, conquista, etc.), vamo-nos prendendo à sua leitura não pela ação em si, mas pelo acontecimento. É o conteúdo da narrativa (a esperança e curiosidade que daí advém) que nos prende e não a força da ação narrativa. Pois, este não é um livro propriamente sanguinário com descrições exaustas e intensas sobre palcos de guerra, mas antes uma espécie de diário descritivo em jeito de romance.

É uma ótima experiência literária!
Profile Image for Sara Jesus.
1,691 reviews124 followers
September 9, 2021
Este romance histórico épico narra a ascensão de Viriato no herói lendário, por anos aterrorizou os Romanos com a sua liderança nata. Por os olhos de Tongio, navegamos por um reino dividido e instável pelas suas constantes guerras. Lusitânia, veria a ser nosso Portugal, teve sua esperança em Viriato que uniu as tropas e conseguiu levar a revolta no povo.

Tal como Aníbal, sua guerra perdeu-se. Mas ficaria a chama para o começo da queda do império romano, e o nascimento de novos impérios e heróis.
4 reviews
September 22, 2015
Somos levados a uma viagem e convivência com os povos ibéricos do tempo de Viriato. Particular destaque para as vivências culturais desses povos em que podemos participar através deste livro. É muito bom encontrar um romance histórico desta época e local. Fiquei com vontade de mais.
Profile Image for Ana.
11 reviews1 follower
May 30, 2008
Já o li mais de 10 vezes. E nunca me canso. Um livro apaixonante sobre a época e a personagem de Viriato. Sei que é ficção, mas podia muito bem ter sido assim
Profile Image for Sofia Pereira.
19 reviews40 followers
June 15, 2012
João Aguiar consegue fazer com que vivamos a vida de Tongio, e através dele a vida de Viriato, de uma forma excelente e entusiasmante!
Profile Image for Maria João.
159 reviews6 followers
January 12, 2012
João Aguiar transporta-nos neste livro para um período da História de Portugal pouco retratado em romance. Na primeira pessoa de um guerreiro das hostes “bárbaras” unidas em resistência uníssona contra o potencial invasor vindo de Roma, conhecemos o muito romantizado Viriato de uma perspectiva um pouco distante, mas ao mesmo tempo muito intimista.
O trabalho de pesquisa em fontes históricas arqueologicamente comprovadas transparece em cada linha de “A Voz dos Deuses”. Somos sugados por uma linha temporal até a uma era pré-cristã numa Ibéria repleta de toponímias esquecidas no pó dos tempos, quebrada pelos burgos e tribos que a compunham, e que criaram a tão exaltada Lusitânia. O paganismo, e as suas práticas esotéricas e um quanto brutais, decoram toda a narrativa, fornecendo-lhe verosimilhança e densidade.
Excelente livro que se devora num ápice.
Profile Image for Carlos Magdaleno Herrero.
231 reviews48 followers
December 3, 2019
Una preciosa novela de ficción histórica narrada por un personaje ficticio que llegó a ser uno de los lugartenientes de Viriato.
Tras un comienzo en del libro en el que se desarrolla el personaje narrador (Tongio), nos viene a contar los siete años en los que Viriato logra comandar un ejército formado por gran variedad de las tribus íberas de la época para en cierta manera sacudirse el dominio de Roma. Si bien fue imposible una unificación completa, tan solo parcial, si logro en cierta manera un ejército bastante profesional y cohesionado que actuaba con técnica y táctica.
Por otro lado también de una forma bastante romántica y libre, se centra en los cultos y dioses de una amplia zona.
Profile Image for Ana Santos.
Author 2 books23 followers
July 28, 2012
Foi o primeiro livro de ficção histórica que li - e deixou-me presa à categoria.
Foi há muitos anos e não o reli mas deixou-me uma belíssima impressão sobre Viriato, a sua coragem e a sua história, dentro dos cânones que nos foram ensinados, mas mais do que isto: o homem e a Pessoa.
2 reviews1 follower
June 3, 2010
Um clássico imperdível. O romance histórico que nos apresenta Viriato com preocupação de verosimilhança e atenção aos factos.
Profile Image for Mady.
1,393 reviews29 followers
January 16, 2011
A historical book by a Portuguese writer about Portugal before was a kingdom.
He's certainly one of my favourite Portuguese writers.
Profile Image for Jose Marquez.
119 reviews1 follower
July 4, 2025
He leído está obra que adquirí hace rato y la verdad me ha gustado la narrativa, es la primera vez que leo este autor y le abono la documentación histórica y el mapa de la antigua Lusitania e Iberia.
No le doy cuatro estrellas porque en mi opinión es una versión light y procedo a explicar mi opinion: la descripción de las batallas es muy resumida o solo se describe el resultado, lo mismo sucede con el movimiento de tropas y poblaciones.
Si bien está narrada en primera persona también es muy estática la descripción de los personajes tanto en su apariencia física como los estados emocionales por lo que me he mantenido distante sin lograr empatía ni sentimiento alguno con algun personaje, cosa que no me sucede con la mayoría de las novelas históricas que he leído.
Una buena obra para iniciar la lectura de novela histórica, ya sea general, de está época o de este tema
213 reviews
September 25, 2023
"A história de Tongio filho de Tongétamo, sacerdote do grande Deus Endovélico e guardião do seu santuário."

Tongio é o narrador desta história, em que nos revela a sua história pelas antigas terras da Ibéria até conhecer o herói daqueles povos: Viriato.

Tongétamo era o seu pai; filho do Rei Brácaro que foi destronado e morto após uma dinastia usurpadora deitar fogo á cidadela de Bracara. O jovem príncipe conseguiu escapar, fugindo para terras a Sul onde, em muito mau estado, foi encontrado por Camala e Camalo, dois irmãos cónios (provenientes da região do Cineticum, o actual Algarve, onde se juntava ainda sangue turdetano e fenício) que se dedicavam ao comércio. Camala e Tongétamo apaixonaram-se, casaram e deste amor nasceu Tongio.
No entanto, Tongétamo era um guerreiro e sentia falta da sua vida e da luta pela liberdade daqueles povos que se recusavam a submeter-se ao jugo romano. Um dia, foi encontrado morto junto à estátua de Tongoenabiago, uma divindade adorada na Brácara; tinha 20 anos.

Tongio acabou por ser criado pela mãe, Camala, e pelo tio, que o educou como seu e foi a sua figura paternal e idolatrava-o.
Na altura em que Tongio era adolescente, vivia-se em rebuliço na Ibéria, pois os Lusitanos começavam a reunir as várias tribos para se vingarem da traição romana de Galba e expulsar o invasor das suas terras. Algumas destas tribos (como os Celtiberos) eram consideradas traidoras por aceitarem submeter-se ao domínio romano. Os brácaros acabaram por ficar de fora desta congregação porque enfrentavam problemas internos: a dinastia usurpadora governava brácara e havia um grande descontentamento para com os actuais governantes, pelo que havia perigo de revelia.
Gadir (Cádis) estava a saque e Camalo acabou por ser morto por um centurião porque o considerava 'estrangeiro' (de Gadir) quando, na realidade, era cónio. No entanto, Tongio para vingar a honra do tio acabou por matar esse centurião. Essa sua decisão resultou na sua fuga, da sua mãe, da escrava Lobessa e do escravo Beduno para Balsa (Tavira) e depois Baesurius (Castro Marim) por intermédio de um mercador grego, Eunois, amigo de Camalo. No caminho foram atacados por desertores romanos. Beduno não resistiu aos ferimentos, mas poderia ter sido pior se não tivessem o auxílio de um grupo de guerreiros lusitanos. Entre eles encontravam-se Táutalo e Viriato, filho de Comínio.
Convidaram Tongio, a mãe e Lobessa para partir com eles até Arcóbriga e, perto dela, Meróbriga, ambas sobre a protecção do deus Endovélico. Tongio acabou por ajudar a sua mãe no templo desta divindade lusitana.
Entretanto juntaram-se às hostes mais uns guerreiros, desta vez da Bastetânia, sob o comando dos dois príncipes e primos (e consta que algo mais) Cúrio e Apuleio. Consta que os seus pais teriam feito alianças com os romanos e os príncipes, inconformados, partiram da sua terra com um grupo de guerreiros, para se juntarem aos Lusitanos. Tongio foi admitido nas suas hostes para combater os romanos e partiu com eles, fazendo pequenas incursões na Bética até chegarem aos Montes Hermínios (região da Serra da Estrela). Aí voltou a encontrar-se com os Lusitanos e acabou para passar para as hostes da insígnia do touro: a de Viriato. Desde cedo provou ser um líder.
Entretanto surgem mais guerreiros, provenientes da região de Urso, e que Tongio não sentiu muita confiança: eram Audax e Minuro (os futuros traidores de Viriato e da causa lusitana).
Os lusitanos acabaram por se ver cercados numa cidadela abandonada de casas circulares (o que chamamos actualmente de "castros"), mas Viriato mostrou os seus dotes de líder e grande estratega e delineou um plano: atacar os romanos e fugir de seguida para as florestas; fazer estes ataques-e-foge constantes.
Consta que Viriato amava Tangina, filha de Astolpas, mas pelo jovem guerreiro não ter posses, o pai da donzela consentiu a relação com bastante relutância.
Por sua vez, Tongio com 17 anos conhece Sunua, de 12. Ambos acabam por se apaixonar de uma forma muito doce, mas Tongio torna a partir, deixando Sunua com bastante renitência.
Entretanto, chega a notícia da queda de Cartago em 146 a.C. Isto representa mais uma vitória para Roma e um percalço para a resistência lusitana, que viu o grande inimigo de Roma ser derrotado.
Quando Tongio procura Sunua um ano depois, soube que ela tinha morrido e fica desolado.
Viriato acaba por o enviar juntamente com Táutalo como emissários para as terras a norte do Tagus (Tejo). Tornaram a juntar-se a Viriato e chega o último bando de guerreiros: os galaicos - conterrâneos de Tongio - mas sem os brácaros.
Entretanto, mais um desgosto para Tongio: ao passar por Arcóbriga, descobre que a sua mãe, Camala, tinha falecido. Reencontra Lobessa, a escrava com quem tinha uma relação especial, e descobre que tinha um filho (que era dele). Deu-lhe o seu anel de família e uma das suas vírias, que representava a sua aliança com Viriato. Tornara a partir pois Lobessa tinha refeito a sua vida com Amínio, cujo nome deu ao filho de ambos. Tornou a despedir-se de ambos e retorna ao Cineticum.
Em Aritum Vetas (Alvega) deu-se a boda entre Viriato e Tangina. Por terem aparecido romanos na boda, mal após o enlace, Viriato, Tangina e os seus homens partiram imediatamente sem celebração. No novo acampamento acabou por aparecer o agora sogro de Viriato, Astolpas, que os visitou e acabou por cortar relações com os romanos.
Apesar de contrariada, Tangina ficou sob a protecção do pai em Aritum Vetas enquanto a campanha lusitana decorria novamente, desta vez contra o comando de Serviliano.
[Consta que as mulheres galaicas partiam para as campanhas juntamente com os maridos; prática que não seria seguida pelos lusitanos.]
Crisso, chefe de Conímbriga, tombou heroicamente em combate.
Seis anos após a grande expedição lusitana a partir dos Hermínios, estavam de volta.
Tongio tornou a ser enviado, desta vez para procurar o auxílio de Cúrio e Apuleio. No entanto, numa campanha, Cúrio acabou por falecer, também heroicamente, em combate pela liberdade. Quando estava prestes a arder na pira, Apuleio bebeu uma taça de vinho e tombou. Ambos tiveram o seu destino final juntos. [Achei linda esta interpretação]
Astolpas junta-se a Viriato com uma hoste de guerreiros.
Enquanto isso, e apesar de várias cidades se terem revoltado a favor da causa lusitana, outras iam caindo sob o jugo romano. O castigo era duríssimo. Chamavam "Bárbaros" a estes povos, mas os romanos não ficavam atrás, pois usavam um costume lusitano de devoção aos deuses para mostrar a sua barbaridade: decepar as mãos dos prisioneiros para "castigar os Bárbaros" pelo seu amor à liberdade.
Sob o comando de Viriato, as hostes invadiram Erisane (sul da Andaluzia), onde em 141 a. C, cercaram a cidade e Serviliano ficou sob poder dos lusitanos.
Viriato desejava fazer uma proposta de paz a Serviliano e Tongio fez de intérprete, o que surpreendeu Serviliano por um "bárbaro" falar tão fluentemente o seu idioma.
Viriato exigia apenas que Roma reconhecesse a liberdade dos reis e chefes seus aliados, que Roma não os tornasse a atacar e que Viriato fosse considerado amigo do povo de Roma. E em troca Viriato honraria essa amizade. O tratado foi assinado. Serviliano manteve a sua palavra e a paz foi, finalmente, conquistada. No entanto, quando terminou o mandato na Hispânia Ulterior, foi substituído pelo irmão, Quinto Servílio Cepião. Este, não honrou o tratado e foram várias as populações livres que sofreram de ataques romanos. Certo dia, Cepião exigiu que Viriato lhe oferecesse o seu sogro, Astolpas, como refém. Este, irredutível, bebeu de uma taça e tombou. As suas cinzas foram levadas para Aritium Vetus para repousar junto dos seus antepassados.
Viriato, farto das traições de Roma, decidiu ser como eles. Desta vez, iria enviar os homens de Urso, Audax, Minuro e Ditalco, com a capitulação dos lusitanos para ganharem tempo para recuperar novos aliados e continuar a combater o invasor. Estes regressaram e assim foi o prenúncio da catástrofe: não sabendo do comandante, Táutalo, Arduno e Tongio foram saber dele à sua tenda. O que viram não tinha explicação. A mais vil das traições tinha ocorrido e com ela qualquer esperança de uma Iberia livre. O único ponto vulnerável apresentara-se aos assassinos: o pescoço. A ausência dos homens de Urso fez-se notar e depressa se soube da proveniência da traição. Estes já iam a caminho da Bética reclamar a Cepião a única coisa que lhes interessava: a paga pelo seu crime.
A realeza que não lhe foi concedida em vida, foi-lhe reconhecida na sua morte e nunca a Iberia tinha testemunhado tal mar de gente no último adeus a um comandante.
A morte de Viriato acendeu ainda mais a chama de vingança contra Roma e Táutalo foi elegido como o novo Comandante e os lusitanos marchavam agora contra Saguntum.
Uma nova desilusão para Tongio: a agonia de Arduno em combate e a sua última vontade - morrer às mãos de Tongio.
O prenuncio aproximava-se: a Iberia ia cair nas mãos de Roma e o mundo dos povos livres iria acabar. Iriam ter que se submeter aos seus deuses, magistrados, leis romanas, os tributos, impostos... O mundo "civilizado".
Tongio soube por Táutalo que Cepião disse dizia sobre Audax, Minuro e Ditalco: "os assassinos de Viriato filho de Comínio lhe tinham pedido uma recompensa e que ele recusara, pois Roma não paga a traidores".

Com 25 anos Tongio considerava que a sua vida tinha terminado. Andava agora sem rumo.
Soube que Roma somava conquistas: Décimo Junio Brutus, procônsul da Hispânia Ulterior, conquistava terras cada vez mais a norte. Tongio olhava desanimado para aqueles homens ainda livres que mantinham a esperança e continuavam a lutar pela sua liberdade. Sabia que estavam condenados a morrer sob o ferro de Roma. E assim decidiu deixar a Iberia com a infelicidade de que o seu mundo acabara. A dada altura decide retornar a casa e instala-se em Arcóbriga, junto do santuário de Endovélico, onde lhe prestava os ritos e escrevia a história dos resilientes lusitanos para manter viva a chama da resistência e para que não esquecessem que os povos livres lutaram pelos seus ideais até ao fim.
Até a descrição da sua história era feita na língua do invasor, a única que aprendera. Ainda assim, tornou-se receptor das oferendas a Endovélico, cujo culto permanecia por aqueles que fizeram subsistir as suas crenças.

No ano 79 a.C. M. Hirtuleio envia uma carta a Quinto Sertório, mencionando que se dirigiu a Arcóbriga e viu que muitos habitantes desta região tinham voltado às suas antigas casas, pelo que os tornou a expulsar. Visitou o santuário local dedicado ao deus "bárbaro" Endovélico, mas este encontrava-se ao abandono pois o último sacerdote - Tongio - tinha falecido há um ano.
Limparam e recuperaram o santuário, valendo a gratidão dos bárbaros. Ainda assim, até cidadãos romanos prestavam homenagem ao deus, pelo que muitas das antigas crenças permaneciam entre os invasores. Hirtuleio também encontrou na residência do falecido sacerdote um documento onde redigira a história da sua vida como companheiro de Viriato, onde dá a conhecer a sua forma de pensar daqueles povos.

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- Estas tribos viviam com base na simplicidade e em comunhão com a natureza, recusando a "civilização" que Roma impunha aos seus dominados. Ainda assim, estes povos combateram o domínio romano até serem atraiçoados pelos seus. Viriato representou esta figura de resistência ao invasor.
Não se sabe ao certo a proveniência de Viriato, mas na altura os territórios que actualmente correspondem a Portugal e Espanha tinham uma configuração diferente.

- Tratando-se de uma época tão remota e para a qual estes povos pré-romanos não deixaram registos escritos, o conhecimento que detemos revela-se através dos vestígios arqueológicos. Sendo que não tenho conhecimentos suficientes para fazer uma análise rigorosa histórica às informações que o autor explana na obra, devidamente fundamentada com os escassos estudos que existem até então.
Alguns destes povos não faziam estátuas das suas divindades, como o caso dos galaicos.
No final da obra o autor deixa um compêndio, com uma cronologia e mencionando os topónimos (por exemplo, as Colunas de Héracles), as divindades adoradas na região pelos vários povos como:
- Durbédico
- Herácles-Melkaart (também adorado pelos fenícios, com o último nome)
- Bandiarbariaico
- Bandioilenaico
- Banderaeico
- Divindades da natureza como as correspondentes ao Tagus (rio Tejo)
- Trebaruna
- Runesos-Césios (deus da guerra e senhor dos Dardos)
- Atégina
- Endovélico (deus lusitano da cura dos enfermos, desvenda o futuro e conduz no Além os espíritos dos seus servidores)
- Coaranioniceus (deus protector de Olissipo)
- Bandua

- É uma leitura extremamente rápida de se fazer e além de ser uma narrativa repleta de acção (e de infelizmente sabermos o desfecho), a composição de todos os elementos (o modo de vida daqueles povos, os vários deuses mencionados...) fazem querer deliciar-nos com esta leitura. Deliciosa!

Foi uma das leituras mais saborosas de 2023 e que me faz sentir muito orgulho de ter sangue brácaro!
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Profile Image for Abilio.
103 reviews
December 25, 2009
Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato. Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância. Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar.
Profile Image for Nuno.
434 reviews6 followers
October 20, 2012
Esta foi a primeira vez que li um livro de João Aguiar, um autor relativamente conhecido em Portugal. Tinha curiosidade também pelo tema desta obra, os tempos da invasão Romana da Ibéria e a resistência de Viriato, pois nunca li nada acerca do assunto além do que aprendi na escola.
No geral o livro é interessante, teria dado 2,5 estrelas se possível. Mas não gostei de alguns aspectos da escrita, muita "polida" na minha opinião (especialmente sendo um relato na 1ª pessoa). Também a história em si utiliza alguns lugares-comuns, acaba por não surpreender. Ah, e o mapa da península disponibilizado teria sido bem mais útil se incluísse mais do que 30% dos locais mencionados. Pelo lado positivo, gostei de saber mais sobre a mitologia daqueles tempos. A inclusão das obras usadas como referência neste aspecto é outro ponto a favor.
Profile Image for Francisco Câmara Ferreira.
52 reviews
January 5, 2014
Interessante novela histórica sobre a heróica luta do lendário chefe/estratego Lusitano Viriato contra os invasores da republica Romana. Do pouco que existe sobre este período da historia de Portugal/Península Ibérica (sec. IIac). Recomendo, especialmente a todos aqueles que estejam interessados em Viriato e nos costumes/crenças/religiões/etc.. dos Lusitanos e outras tribos peninsulares unificadas por Viriato antes do estabelecimento da "pax romana".

"Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse Memória em nós do instinto teu.
Nação porque reencarnaste,
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada."

Fernando Pessoa, Mensagem, Viriato, 1934.122
Profile Image for Cobramor.
Author 2 books20 followers
August 9, 2017
Contra todas as expectativas, já que os autores portugueses não são profícuos em fantasia histórica, João Aguiar tem em "A voz dos deuses" um excelente livro sobre Viriato, capaz de ombrear com os grandes do género como George Martin ou Bernard Cornwell.
Profile Image for Samuel Tomé.
90 reviews4 followers
September 12, 2019
Foi a terceira vez que o li. Talvez um dos melhores romances históricos que já foi escrito em português.
Profile Image for Centaures i marmetines.
79 reviews6 followers
August 18, 2022
No puc deixar d'associar el nom de Viriat al meravellós quadre de José de Madrazo amb títol "La mort de Viriat". Obra que posa al Rebel a l'alçada que li pertoca en fer revisió de la Història i que sempre li fou negada sobretot per la influència de Roma, ja sabeu "l'escriuen els guanyadors", el seu relat és el que s'imposa.

Poc se sap veritablement de la figura de Viriat, però el que sí: líder just que va saber organitzar un exèrcit disciplinat sent cent per cent bàrbar i sense ser Rei, d'orígens humils, supervivent de l'ajusticiament de Galba, estrateg i les seves principals fites són recollides en aquesta petita obra del mestre João Aguilar, que sap tractar la seva figura de manera gens exacerbada, donant el pes de la història a un personatge fictici, al qual dota de realitat gràcies a un gran estudi de com estava estructurada la vida i la geopolítica de la península Ibèrica de llavors.

Insisteixo en el tractament poc exagerat del personatge per part de l'autor, tot i que sent portuguès no cau al parany de voler identificar-lo com a Pare de l'actual Portugal. Sí, em refereixo a la mania aquesta de voler associar personatges d'altres èpoques, temps i disputes amb actuals "incidents" geogràfics i polítics (països). Fet que sí que ha ocorregut amb altres personatges de la Història com Vercingetorix, Armini, El Cid, etc.

Més informació a: https://www.centauresimarmetines.cat/...
Profile Image for Mari | Páginas Divertidas.
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November 5, 2021
A Voz dos Deuses de João Aguiar é um livro que li pela primeira vez na época do secundário (uma leitura que a minha professora de história nos "obrigou" a ler para consolidar conhecimentos) e foi dos poucos livros que gostei bastante de ler nessa altura. Por já ter passado bastante tempo desde que o li, já não me lembrava praticamente de nada da história dele, então decidi relê-lo em 2020.

Com a minha mudança para a zona de Viseu e as minhas pontuais visitas à Cidade do Viriato, a curiosidade perante esta personalidade começou a crescer. Nada como reler este livrinho para recordar alguns dos actos heróicos desta ilustre personagem, conhecida por ser "O Terror dos Romanos".

A história deste livro é sobre a vida de Tongio e é toda relatada por ele, um soldado em que, quis o destino, se tornou um soldado do exército de Viriato e um dos poucos que acabou por ter uma amizade com ele, sendo uma pessoa bastante reservada (segundo o que é retratado neste livro, não se sabe muito sobre a personalidade de Viriato). Ao longo do livro, vamos conhecendo os hábitos religiosos e de vida de algumas tribos ou localidades da península ibérica, numa época em que não existia Portugal nem Espanha, mas apenas grupos de pessoas que formavam povoações e, a todo o custo, tentavam resistir aos avanços de conquista territorial do Império Romano.

A Voz dos Deuses, como o nome do livro fala, dá voz aos deuses que as populações na época adoravam, ao qual faziam os seus sacrifícios. Tongio, ao longo das suas viagens pela península em busca de um rumo para a sua vida, vem a descobrir que tem esse dom para as ouvir, sentir e decifrar os seus segredos. No entanto, Tongio tinha um outro talento que era muito útil para as estratégias políticas e militares que os lusitanos dispostos a travar o avanço dos Romanos viram nele: ele sabia ler e falar em latim e grego, algo que era raro de saber derivado à inexistência de "instituições" de ensino para as populações na época. Esse detalhe seria fulcral e dessa forma iria ligar Tongio a Viriato.

É um livro que achei bastante interessante, pelos detalhes da história do nosso país, de uma época em que existem poucos vestígios do nosso passado antes de D. Afonso Henriques e muitas imprecisões geopolíticas, derivada à falta de documentos escritos que os comprovem. É um livro para quem tem a curiosidade de conhecer esta parte da nossa história e este nosso herói.
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November 29, 2022
É a primeira vez que leio um livro histórico em que o autor recorre à fantasia para preencher ou complementar os buracos na história e posso dizer que adorei a experiência. A forma como João Aguiar enriquece a narrativa através da ficção é muito inteligente e permite que se adquira os conhecimentos de forma muito natural e fluída. Aliás, no final fica-se com a sensação de que tudo se tratou de um passeio fantástico por tempos longínquos.

A única coisa que me incomodou ao longo da leitura foi a inexistência de várias localidades no mapa apresentado no início do livro. Enerva porque dá vontade de acompanhar o percurso das personagens, pelas quais o autor conseguiu criar, da minha parte, genuíno interesse (com uma ou outra exceção), e não é possível fazê-lo devido a essa falta. De resto, é um excelente livro!
Profile Image for Javi Lopez.
170 reviews
August 21, 2024
Hacia tiempo que lo empecé pero lo deje por aburrimiento en las primeras páginas, no estaba preparado. Hace poco en clase de Historia Romana de Hispania salió la figura de Viriato a colación y decidí darle una segunda oportunidad. La verdad es que es un libro que intenta divulgar la figura del general lusitano Viriato, que “intento” unir a todas las tribus indígenas hispanas contra el avance amenazador de Roma, y lo hace sin alardes y sin leyendas inventadas cosa que se agradece desde el punto de vista histórico pero que hacen a la novela lenta y aburrida desde el punto de vista literario. Aun así es de las pocas novelas fidedignas escritas sobre el héroe portugués más reconocido así que si os interesa el tema no deberías dejarla pasar.
Profile Image for Oscar Espejo Badiola.
472 reviews2 followers
November 8, 2022
Llevaba tiempo deseando acercarme a Viriato y hoy ha acabado su historia, la novela está bien, me gustan los detalles de creencias en distintos dioses y sus sacrificios, así como el carácter de los pueblos que habitaban la Península Ibérica, unas tribus indomables y autónomas que luchaban por no perder su independencia y eran fuertes a la hora de afrontar el destino.
La trama nos lleva a un personaje que coincidió con Viriato en las sucesivas guerras contra los romanos que se saldaron en su mayoría con victorias de los Iberos y nos cuenta sus vivencias, apareciendo Viriato como un protagonista, pero no el personaje principal.
Libro histórico bien llevado y entretenido.
Profile Image for Ana Chaves.
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June 1, 2020
Uma das obras de ficção, sobre uma possível História de Portugal, que mais gosto. Esta e os Lusíadas.
É emocionante a forma como o personagem narrador (Tôngio, um antigo companheiro de Viriato) )nos conta os anos em que Viriato comanda o seu grupo de ibéricos, contra o domínio de Roma. Táctica sobre a força.
Mas não é um livro só sobre guerra. Este é um excelente retrato social da época e também nos mostra que a força de ser livre é inerente ao Homem.
Bela leitura!
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