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Psicologia Suja

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Neste livro, Sofia Favero explora a potência dos afetos infames, dentre eles a raiva, culpa e tristeza, como forma de dar outros destinos à vivência de ser minorizada. As cenas em que pessoas são atingidas pelo racismo e sexismo são capazes de gerar respostas emocionais complexas, ligadas a sensações que, paradoxalmente, nos educam a lutar contra. Em diálogo com a negatividade queer e os estudos críticos da branquitude, Favero conjuga a brutalidade destinada a travestis no Brasil como estratégia para imaginar outros mundos, propondo uma leitura psicológica sobre as constantes humilhações e assujeitamentos a que mulheres, pessoas negras, gordas e LGBT+s têm sido expostas em seus cotidianos. Articulando conceitos e saberes como pulsão de morte, erotismo, cancelamento, afropessimismo e destransição, ela aposta na sujeira como forma de resistir ao imperativo da limpeza e da assepsia que as recentes “clínicas da diversidade” têm investido. No lugar disso, a autora encara o sujo como uma pergunta ativa. O que fazemos com a violência anti-trans disseminada na cultura? Diante do quadro mortífero causado pela desigualdade social e pela injustiça epistêmica, Sofia escreve com fúria sobre experiências pessoais, na busca de sugerir à clínica uma postura mais sacana, criminosa, no próprio ato de ouvir. Sujas são aquelas pessoas que não são nem sujeito (condição política) nem objeto (condição de desejo). Psicologia Suja é um livro provocativo e certamente marca a força dos estudos trans nesse território denso que é o campo do cuidado, propondo usos políticos da irritação e do arrependimento. Afinal, uma clínica software já conhecemos, podemos fortalecer uma clínica malware? Esse é o ousado convite que Sofia faz a quem lê.

238 pages, Paperback

Published January 1, 2022

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About the author

Sofia Favero

6 books2 followers

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Vitoria Amancio.
33 reviews2 followers
September 12, 2024
“Ao invés de ‘como emancipar a diferença?’ pergunto-me ativamente sobre ‘como abrir espaço para a vida?’(…) A psicologia suja é um gancho. Trata-se de uma oportunidade afetiva, pois não ousaria chamá-la de ferramenta técnica. Ela exige que não vejamos a clínica como algo a ser consumido, mas como algo do campo das emoções. Toda a saúde mental é um campo do conhecimento (ou ciência, caso' prefira), mas, mesmo assim, o seu "fazer" é completamente orgânico (depende, por excelência, da dimensão afetiva). O afeto é a questão, o famoso "bater o santo" que chamamos de transferência. A energia que me mobilizou a escrever não almejou que você se preparasse melhor para atender pessoas LGBT+s, mas que, lendo e transformando o que coloquei aqui, pudesse fazer a seguinte transposição: (ao invés de pensar em) como desintoxicar uma vida envenenada pelos discursos de poder, porque não também assumir a intoxicação da norma como estratégia de defesa da vida? Nós, profissionais da escuta; somos máquinas de fazer gente, ou de revelar o sujeito ao ego. Algumas dessas pessoas que ouviremos estarão vindo de contextos de ojeriza aguda. Caso essas pessoas sejam reinseridas nos mesmos esquemas de violência, estaremos atuando para matá-las, e consequentemente refinar critérios diagnósticos.”
Profile Image for gabriela tavares.
38 reviews
January 22, 2024
só nesse livro a sofia cita david cronenberg, lady gaga, virginia woolf, madonna... fico tão feliz por ter as mesmas referências da diva (e, claro, toda a relevância do manifesto). A MINHA VIDA ESTÁ MUDADA.
Profile Image for natalia.
57 reviews2 followers
September 5, 2024
"preciado posiciona a coragem como um produto da norma, necessário à sua manutenção. os corpos tachados de naturais não precisam ser corajosos, mas aqueles tachados de desviantes devem acionar esse afeto, o da coragem, uma soma entre confiança (emoção) + força (moral), para dar sentido às suas existências. fazendo oposição a isso, preciado reivindica a covardia. [e uma vez perdida toda a sua coragem, frouxos de alegria, eu desejo que vocês inventem um modo de usar para seus corpos. porque eu os amo, desejo-os fracos e desprezíveis. pois é pela fragilidade que tudo opera]."
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