Esse é um dos dilemas de O Morro dos Ventos Uivantes, obra-prima de Emily Brontë que mescla amor, ódio e obsessão, publicada agora em formato de bolso.
Certo dia, o patriarca da família Earnshaw volta para casa ao lado de quem nunca poderiam uma criança. O garoto ganha um nome, mas o sobrenome da família permanece inalcançável. A partir de então, sua vida adquire contornos trágicos, que, embalados por um romance reprimido e um constante desejo de vingança, marcarão não apenas a existência de Heathcliff, mas futuras gerações.
Narrada ao pé de uma lareira por Nelly, a criada da família, O Morro dos Ventos Uivantes instiga o leitor, fazendo-o devorar as palavras. Uma história que desafia costumes, barreiras e, principalmente, o tempo.
Como apoio e contextualização para a leitura, toda a coleção Nano traz um QR Code que, ao ser escaneado, direciona para um portal de leitura dos textos extras. Neste livro, disponibilizamos um texto de apresentação de Ju Cirqueira, criadora do canal do YouTube Nuvem Literária, além de posfácios de Sofia Nestrovski, mestre em Teoria Literária pela USP e roteirista e colocutora do podcast Vinte mil léguas (Revista 451), e Daise Lilian, doutora em Letras (UFPB) e professora da Universidade Federal de Campina Grande.
Emily Brontë was an English novelist and poet whose singular contribution to literature, Wuthering Heights, is now celebrated as one of the most powerful and original novels in the English language. Born into the remarkable Brontë family on 30 July 1818 in Thornton, Yorkshire, she was the fifth of six children of Maria Branwell and Patrick Brontë, an Irish clergyman. Her early life was marked by both intellectual curiosity and profound loss. After the death of her mother in 1821 and the subsequent deaths of her two eldest sisters in 1825, Emily and her surviving siblings— Charlotte, Anne, and Branwell—were raised in relative seclusion in the moorland village of Haworth, where their imaginations flourished in a household shaped by books, storytelling, and emotional intensity. The Brontë children created elaborate fictional worlds, notably Angria and later Gondal, which served as an outlet for their creative energies. Emily, in particular, gravitated toward Gondal, a mysterious, windswept imaginary land she developed with her sister Anne. Her early poetry, much of it steeped in the mythology and characters of Gondal, demonstrated a remarkable lyrical force and emotional depth. These poems remained private until discovered by Charlotte in 1845, after which Emily reluctantly agreed to publish them in the 1846 collection Poems by Currer, Ellis, and Acton Bell, using the pseudonym Ellis Bell to conceal her gender. Though the volume sold few copies, critics identified Emily’s poems as the strongest in the collection, lauding her for their music, power, and visionary quality. Emily was intensely private and reclusive by nature. She briefly attended schools in Cowan Bridge and Roe Head but was plagued by homesickness and preferred the solitude of the Yorkshire moors, which inspired much of her work. She worked briefly as a teacher but found the demands of the profession exhausting. She also studied in Brussels with Charlotte in 1842, but again found herself alienated and yearning for home. Throughout her life, Emily remained closely bonded with her siblings, particularly Anne, and with the landscape of Haworth, where she drew on the raw, untamed beauty of the moors for both her poetry and her fiction. Her only novel, Wuthering Heights, was published in 1847, a year after the poetry collection, under her pseudonym Ellis Bell. Initially met with a mixture of admiration and shock, the novel’s structure, emotional intensity, and portrayal of violent passion and moral ambiguity stood in stark contrast to the conventions of Victorian fiction. Many readers, unable to reconcile its power with the expected gentility of a woman writer, assumed it had been written by a man. The novel tells the story of Heathcliff and Catherine Earnshaw—two characters driven by obsessive love, cruelty, and vengeance—and explores themes of nature, the supernatural, and the destructive power of unresolved emotion. Though controversial at the time, Wuthering Heights is now considered a landmark in English literature, acclaimed for its originality, psychological insight, and poetic vision. Emily's personality has been the subject of much speculation, shaped in part by her sister Charlotte’s later writings and by Victorian biographies that often sought to romanticize or domesticate her character. While some accounts depict her as intensely shy and austere, others highlight her fierce independence, deep empathy with animals, and profound inner life. She is remembered as a solitary figure, closely attuned to the rhythms of the natural world, with a quiet but formidable intellect and a passion for truth and freedom. Her dog, Keeper, was a constant companion and, according to many, a window into her capacity for fierce, loyal love. Emily Brontë died of tuberculosis on 19 December 1848 at the age of thirty, just a year after the publication of her novel. Her early death, following those of her brother Branwell and soon to
Minha menina Emily Brontë só escreveu 1 livro em vida porque viveu até a idade que eu tenho hoje (30 anos). Sim, HeathCliff irritante, me exauriu e me cansou demais, mas a escrita da jovem, principalmente a versão traduzida para português, que coisa magistral! Ela foi muito mulher pra escrever sobre temas tão polêmicos na Inglaterra Vitoriana, não teve o menor pudor ao tocar no “intocável” da época, uma intelectual rebelde e fascinante, imagina as coisas que ela poderia ter feito se tivesse tido mais liberdade e mais tempo…
Nunca um livro me fez odiar e, ao mesmo tempo, amar todos os personagens como esse. é uma história que te prende do início ao fim, não deixando espaço para ser largada. é um misto de horror, fascínio, amor e ódio tão grande acontecendo ao mesmo tempo que te deixa torcendo por todos os personagens - tanto pela felicidade quanto pela ruina deles. A maior lição que o livro passa é que ser fofoqueira te faz ter uma bela memória.
meu deus que novelona nem a globo seria capaz de um Drama desse adorei, queria viver que nem gente rica no século XIX tão livres na vida que tinham tempo de literalmente morrer por uma desilusão amorosa…
O morro dos ventos uivantes é diferente de qualquer romance que já li. Consigo compreender perfeitamente o estranhamento com o qual o livro foi recebido quando lançado. Isso porque o foco não parece ser o amor em si, mas sim a vingança. Os personagens são todos difíceis de digerir e o protagonista é simplesmente intragável. Em determinados momentos, o que vemos não é simplesmente a falta de bondade, mas apenas a prática do mal pelo mal. Apesar de tudo isso, a narrativa é bem construída e envolvente. Em alguns momentos, achei impossível parar de ler. Acho que a Emilly foi genial nas suas escolhas. Uma pena ela ter morrido antes de se revelar a autora da obra!
Obra primaaaaaa. Comecei a ler pra uma leitura conjunta e me apaixonei pela história e pelos personagens. Me lembrei da novela Renascer em vários momentos kk
Amei a tradução e já quero ler a versão em inglês.
Só tem maluco nesse livro. Dito isso, falha minha... eu sempre acreditei de O Morro Dos Ventos Uivantes fosse um romance romântico, mesmo que gótico... (spoiler, não é). Eu gostei da história como um todo, odiei TODOS os personagens, sem nenhuma exceção, ninguém é confiável, mas a fofoca é boa, sério... 1800 precisava muito de terapeutas disponíveis 24h por dia, todos eram problemáticos. Ninguém sabia lidar com sentimentos e frustrações. As diferenças sociais, a falta de acesso à educação, o mundo dos personagens ser reduzidos apenas a 2 fazendas com pouco conhecimento do "fora dali" ou nenhum conhecimento levou uma alienação a estes personagens e conflitos a medonhos. Inclusive isso foi usado como arma por um dos personagens. Essa é uma literatura muito antiga, logo mulheres são humilhadas e também agredidas ao longo da história, super desconfortável e acredito que esse era um desejo da autora, deixar o leitor desconfortável. Recomendo a leitura mas digo que pode ser um livro para acompanhar por muito tempo, não é uma leitura de final de semana. A edição da Antofagica é ótima.
Se espera ler uma história de amor, definitivamente este não é um livro para você. Emily Brontë, muitos anos a frente de seu tempo, traz personagens incrivelmente densos e bem elaborados. Uma história cheia de vinganca, desprezo, ódio, onde o amor é posto em segundo plano para que todos esses desejos sombrios prevaleçam. Não é a toa que este é um belíssimo clássico! Que história incrível!
Poucas vezes senti tanta raiva lendo um livro. Muita gente insuportável tomando as piores decisões possíveis. Amei.
Na verdade acho incrível a forma com Emily Brontë explora a complexidade das personagens e dos acontecimentos da narrativa. Mesmo lidando com personagens complicados, a forma como Brontë escreve me prendeu de uma forma que foi difícil largar o livro até o fim.
Muito obrigada Ellen Dean por ser a maior fofoqueira da história!
Não sei se sou um monstro terrível, mas não consegui ter empatia por quase ninguém do livro 😶🌫️ Mas ao mesmo tempo fiquei feliz que o Morro dos Ventos Uivantes passou a ver dias melhores depois de tanto trauma geracional
O Morro dos Ventos Uivantes é um daqueles livros que claramente divide opiniões. Ou é 8 ou 80: ou você ama, ou você odeia. Eu faço parte do grupo que amou, justamente porque a obra não tenta ser confortável, nem agradar o leitor a todo momento.
A história acompanha a relação intensa e destrutiva entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, um vínculo que atravessa a vida, a morte e duas gerações. Não é um romance de amor no sentido tradicional, mas um estudo profundo sobre obsessão, ressentimento, perda e vingança. O afeto entre os protagonistas não salva, não cura e não redime; ele adoece, aprisiona e contamina tudo ao redor. E é exatamente isso que torna o livro tão potente.
Entendo, porém, por que tantos leitores se frustram. A narrativa não é linear, não começa “do começo” e não é contada por Catherine nem por Heathcliff, mas por narradores intermediários, o que pode causar estranhamento logo nas primeiras páginas. Os personagens também não são fáceis de gostar: são moralmente ambíguos, cruéis em muitos momentos e incapazes de lidar com seus próprios sentimentos de forma saudável. Além disso, a atmosfera é pesada, sombria e emocionalmente exaustiva, sem alívio ou romantização.
Ainda assim, para mim, tudo isso funciona perfeitamente dentro da proposta do livro. A atmosfera é tão densa que se torna quase palpável, e o ambiente deixa de ser apenas cenário para agir como um verdadeiro personagem da narrativa. O vento, o isolamento, a paisagem hostil e a casa carregada de memórias refletem o estado emocional das figuras que habitam a história. A estrutura fragmentada reforça a ideia de memória e repetição, os personagens difíceis tornam a experiência mais humana, e o clima opressivo combina com o amor doentio que está no centro da obra.
O Morro dos Ventos Uivantes não é um livro para quem busca conforto ou personagens idealizados, mas para quem aceita encarar o lado mais sombrio das emoções humanas. É intenso, desconfortável e inesquecível, talvez seja exatamente por isso que continue dividindo leitores até hoje.
Passei raiva o livro inteiro para, no final, pensar: que leitura maravilhosa! Amei a forma como essa história é contada, como uma enorme fofoca e do ponto de vista de alguém que estava inserida naquele meio, mas que às vezes apenas observava tudo de fora. Isso faz com que nunca saibamos realmente o que se passava na cabeça dos outros. No começo, me perguntei até que ponto essa narradora é confiável, e foi exatamente essa dúvida que me fascinou.
Os personagens são detestáveis, alguns até repugnantes, mas tudo é tão real e cru que, apesar da raiva, em nenhum momento pensei em abandonar a leitura. Há muita vingança, ódio, obsessão e um amor doentio. No início, senti compaixão por Heathcliff, mas depois me questionei: até onde vai essa vingança? Ele mostrou que vai até depois da morte, até com pessoas que não têm culpa. E no final, de que vale tudo isso? Heathcliff é totalmente detestável, assim como vários outros personagens, mas o livro nos revela o porquê disso. Não que justifique suas ações, mas como alguém pode oferecer aquilo que nunca recebeu?
Não digo isso apenas sobre Heathcliff, mas também sobre todos os outros que cresceram em um ambiente hostil e apenas reproduziam o que viam e o que lhes era ensinado. Ainda assim, isso não é desculpa para tamanha crueldade.
Gostei de como o livro termina, trazendo um sentimento de alívio e recomeço.
É triste saber que este é o único romance publicado por Emily Brontë, porque eu adoraria ler mais obras dela.
Gente, quem acha que isso é uma história de amor ou não leu o livro ou precisa fazer uma terapia pra rever seus conceitos sobre relacionamentos; é uma história de rancor e ressentimento.
- Relacionamentos amorosos saudáveis: zero - Catherines se apaixonando por um boy manipulador e sem inteligência emocional: 2 (o que não é muito, mas é curioso que aconteceu duas vezes no mesmo livro) - Clássico da literatura inglesa: 1 (embora não seja muito o meu gosto, não vou fingir que o livro é ruim)
Não é a toa que é contado pela governanta, porque é uma grandessíssima fofoca. São muitos detalhes pra querer ser enxuta nas palavras, mas vou tentar.
Acho brilhante para a época em que foi escrito que uma mulher tenha sugerido personagens tão desagradáveis e moralmente longe de heróis, com aquele conhecimento profundo das normas sociais que a gente vê quando lê autoras do período. Sendo treinadas pra isso a vida toda, têm um domínio no humor da coisa e uma liberdade sagaz para ser selvagem durante 300 páginas.
No meu imaginário, Morro dos Ventos Uivantes era mais ou menos um Orgulho e Preconceito, com mais margem româtica mesmo, mas não. Aqui a gente vê o pior das pessoas, a vingança como um fio condutor e aquele impulso de odiar todo mundo, ninguém presta, pronto!
E nesse ninguém se salva vem os motivos, as paixões, as ilusões, o abandono, os maltratos e as perguntas. O que será que desencadeia atitudes más? Heathcliff teria sido outro homem em circuntâncias diferentes? Catherine teria sido outra se se permitisse e se os outros permitissem um relacionamento com o Heathcliff?
Acho que o que chegou a me distanciar um pouco foi a mudança rápida e às vezes drástica de humor dos personagens, somado àquele ambiente restrito de Morro dos Ventos e a granja dos Linton, tudo pelo olhar de Nelly. Muitos detalhes, longo tempo e um vai-vem danado.
A edição que eu li não tava muito legal, tinha bastante erro, letras pequenas, diagramação às vezes despadronizada, enfim, a experiência poderia ter sido melhor, mas não chegou a prejudicar o conteúdo da leitura.
No geral, como é bom ler os clássicos, parece que tem um véu de mistério, o que me lembra que tem, de fato, um elemento "sobrenatural" na história que coloca mais lenha nessa fogueira de estudar personagens e suas cabeças reviradas.
Novela das 18h misturada com análise psicológica e humana, baseada em etiqueta, costume e crítica social... grande livro.
Gosto como ele é cadavérico, tanto por estilo quanto pela mortalidade da época. O corpo do primeira Cahty, o fantasma dela que persegue Heath e o Sr. Lockwood, e a própria morte de HeathCliff com seus olhos fixos abertos.
Talvez a tradução tenha deixado as coisas mais confusas, principalmente no início foi fácil se perder com os nomes dos personagems que acabam se repetindo muito. Pretendo ler novamente na linguá original para ter a experiência da Emilly Bronte relatanto o dialeto local, porque acaba parecido como uma novela ouvir personagems como o Joseph com um sotaque muito forte de regiões brasileiras.
Acho que Nelly acaba monopolizando muito a história, e talvez eu não tenha me esforçado mas não pareceu que os relatos dela mudavam muito dos do Lockwood, acho que um narrador não confiante é sempre algo muito interessante em uma história e aqui acaba não tendo muito destaque.
A parte do livro que fica ecoando na minha cabeça é da relação entre a inveja de HeathCliff e Hareton perante os Lintons sobre as qualidades intelectuais deles, enquanto os Lintons enxargam eles como selvagens. Acho que talvez a ALMA que a primeira Cathy comente ser a mesma de HeathCliff é essa selvageria/liberdade que ela enxerga nele, que é fruto de tanto abandono como mals tratos. E que no final vai desaguár em sua tremenda crueldade e loucura, uma crueldade que é extremamente calculdade e "civilizada", muito longe de ser algo bestial. Um plano de anos para roubar e punir todos os descentens dos Lintos e Earnshows.
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Nada pior do que gente perturbada e com sede de vingança para atrapalhar e destruir a vida alheia e a sua própria.
Eu poderia resumir muito de “O Morro dos Ventos uivantes” com essa frase simplória e meio bobinha. Mas não faria jus a grandeza e a força que é esse livro. Os personagens, as paisagens, a natureza, a escrita, tudo aqui grita grandeza, para o bem ou para o mal. Uma pena que a Emily Brontë faleceu e só deixou esse romance no mundo, mas que dádiva ela o ter escrito.
Esse é um dos meus livros favoritos da vida, desde que tinha uns catorze anos. Essa é a minha primeira releitura, quase quatro anos depois, e o mesmo encanto e terror que senti na primeira vez que li se mantem. É um livro que só melhora a cada vez que você o lê, pega as infinitas nuances e contornos da história.
Sobre as personagens, são detestáveis, de um modo ou de outro. Catherine, Heatcliff, Edgar, Linton, Joseph… de alguma forma, todos falham, erram, são detestáveis e mostram suas garrinhas e dentes ao decorrer da narrativa.
O final é incrível, a leitura flui que é uma beleza e o tom de fofoca trás uma certa “leveza” na história tão dura que é contada. É um livro incrível, uma experiência que merecer ser aproveitada por todos.
Não consigo entender como a primeira vez que li esse livro (2021) ele me pareceu muito mais fluido e encantadoramente sombrio. Amei desde a primeira página e jamais o esqueci. Agora, quatro anos depois, me pareceu apenas um relato de pessoas loucas e algumas poucas sãs. Espero que seja a tradução diferente, mas ainda assim não revivi a paixão que tanto esperava com essa releitura.
Lendo pela segunda vez tive a impressão de um drama um tanto passado dos limites. Os monólogos de Catherine me soavam tão além do racional que parecia bobeira, apesar dos de Heathcliff serem desabafos admiráveis, assustadoramente compreensíveis. E que memória boa tem essa governanta! Quase fotográfica. Às vezes me impressiono com o quão minha memória é ruim (eu nem lembrava o final desse livro), e a Nelly me humilhou bastante com os detalhes ínfimos de sua vasta memória.
Minha nota 5 permanece a mesma, pois eu ainda amo esse livro e ele ainda merece essa nota.
"Um dia depois Não me vire as costas Salvemos nós dois Tudo vira bosta"
O morro dos ventos uivantes é um romance, no sentido literário e não no emocional, onde a paixão é o pilar central da relação entre Heathcliff e Catherine. Por que no final "Thats no heaven/ Thats no hell", não há bem e mal, certo e errado, família, amigos, não existe relações interpessoais ou sentimentos que importem além da relação entre Heathcliff e Catherine e a paixão. Heathcliff e Catherine propuseram a mesma conjectura que nossa eterna rainha do rock e saudosa Rita Lee: salvo eu e meu amor, no fim, tudo vira bosta. A escrita é envolvente e me deixou completamente absorta: não existia nada além do Morro dos Ventos Uivantes e da Granja dos Tordos enquanto lia. Não vou comentar na confiabilidade dos narradores porque nem pensei nisso durante a leitura. É evidente, no entanto, que apesar da crença de Heathcliff, no fim, tudo acabou em um jazigo.
o paulo freire estava pensando no heathcliff quando disse que, quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor🙅♀️
amei a morbidez desse livro e a amargura dos personagens 😃 ele é um de alguma maneira um livro muito diferente de tudo que eu já li.
achei muito legal que todo o dramalhão é contado com um teor de fofoca quentíssima pela nelly 😄
achei legal também o quão nítido a emily brontë deixou na narrativa a questão de como comportamentos disfuncionais em uma família disfuncional podem se perpetuar entre gerações, e acho que esse é o verdadeiro ponto do livro.
quem panfleta esse livro como um romance entre a catherine e o heathcliff provavelmente leu ele com o livro fechado (cof cof, emerald fennell, cof cof)
enfim, despertou em mim um interesse em ler os livros das irmãs brontë!
Terminei hoje uma das melhores leituras da minha vida! O morro dos ventos uivantes é um romance gótico clássico que realmente sustenta toda a expectativa! Os personagens são todos imperfeitos, reais e cheios de camadas, a história é extremamente complexa e bem escrita, cheia de reviravoltas, vinganças e dilemas morais. O livro traz um misto de sensações de choque e horror, principalmente com os elementos góticos da época (por se passar nos anos 1700 e tantos e ter sido publicado em 1847) traz ideias e reflexões muito a frente do seu tempo, com personagens femininas fortes, imperfeitas e determinadas. Realmente foi um livro que mudou minha visão sobre os clássicos e me fez refletir sobre como ainda hoje temos problemas tão parecidos com as temáticas do livro. É uma história intensa, emocionante, crua e cheia de camadas que vale a pena ler e reler 🤯
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Uma leitura de tirar o fôlego! O clássico O morro dos Ventos Uivantes, escrito de forma brilhante por Emilly Brontë, é simplesmente um dos livros mais fantástico que já li. O enredo. Os personagem. A forma como a Emily relata a história. Sensacional. Uma história assombrosa contada a partir de um personagem curioso, que, ao alugar uma casa, começa a procurar saber da história da família do seu senhorio e descobre uma história fabulosa de amor, ódio, vingança e desprezo. No início da leitura não estava conseguindo engatar, mas com o passar das páginas e compreendendo a narrativa, comecei a ficar obcecada pela história. O mais chocante nesse livro é que os personagens são todos desprezíveis, todos se odeiam, mas mesmo assim a gente consegue se apegar. Recomendo muito a leitura e estou feliz de, finalmente, ter conhecido uma obra tão potente.
Que maravilha de história! Mal dá para acreditar que os personagens foram escritos em meados do século XIX. Cathy é uma personagem feminina que não leva desaforo para casa, ao mesmo tempo em que acompanhamos sua ruína emocional ao perceber que não pode ficar com Heathcliff. Já ele se torna uma pessoa vingativa e rancorosa após sofrer na juventude o racismo evidente em relação à sua aparência. A decadência de Heathcliff se revela lentamente, encontrando força e alívio em sua vingança contra todos que o fizeram mal amaldiçoado todas as suas gerações. Trata-se de um romance gótico intenso, que faz o leitor chorar de frustração, pois tudo poderia ser diferente se os personagens não tivessem tomado as decisões que sentenciaram suas vidas.
que livro simplesmente incrível! acho que jamais irei superar essa escrita e desenvolvimento perfeitos. Os personagens, mesmo sendo todos insuportáveis, são fascinantes, cada um com sua individualidade e um bom desenvolvimento verdadeiro — o que hoje em dia é difícil de ver em livros atuais. A maneira como a história é contada através de uma fofoqueira, a Ellen, so deixa melhor ainda. Tatuaria todas as declarações de amor de Catherine e Heathcliff na minha testa, mesmo elas sendo confissões de seu amor duvidoso. Não é só um romance, é muito mais entender as pressões sociais da época, dificuldades dela, complexidade dos relacionamentos e, principalmente, o desdobrar da vingança, e como ela corrói e correu todos que foram vítimas dela.
4.5* gostei desse livro por justamente não ser igual aos romances de época (que eu particularmente não sou muito fã). amor possessivo, status e poder social, vingança e repetição de ciclos são os pontos centrais desse livro. claro que estamos vendo o ponto de vista de uma personagem que só observava e tinha relação com os personagens principais, então não sabemos os reais sentimentos por trás das motivações de cada ação de amor, fúria e vingança. a unica coisa que me cansou um pouco foi o final, mas isso não impediu de aproveitar a leitura. dito isso, uma fofoca bem contada é outra coisa e a Emily Brontë conseguiu escrever uma pessoa contando uma fofoca de uma maneira muito bem feita.
eu esperava um romance clássico e ganhei um show de horrores. e surpreendentemente fiquei obcecada por toda a história e personagens completamente malucos! um ou outro que salva. tenho muito a refletir mas o que posso dizer por agora é que foi uma experiência e tanto de leitura, um clássico não é um clássico a toa mesmo. como pode uma obra de 1847 ainda ser tão envolvente e mostrar os lados mais obscuros do ser humano com tanta destreza? e além das declarações tão fervorosas,de amor ou ódio, o que mais me fascinou foi o elo entre as gerações e pelo menos UM final que para mim foi feliz.
Amei e detestei a leitura. Fiquei dividida, pois, embora a cada página eu me deparasse com mais e mais perversidades, devorei a leitura na esperança de alguns capítulos felizes. A história se desdobra ao longo de três gerações que vivem no Morro e é uma imersão em um universo sombrio, maldoso e vingativo... Ao ler, nos deparamos com o lado feio e obsessivo da paixão, se mostrando um amor doentio até o final do livro.