Após décadas ministrando oficinas literárias, Noemi Jaffe decidiu sintetizar seus ensinamentos em sete princípios fundamentais. Voltado a escritores iniciantes ou experientes, Escrita em movimento não é um mero manual, mas uma jornada pela exploração e pelo desenvolvimento da voz literária única de cada artista através da conscientização dos próprios processos.
Desde que as oficinas literárias surgiram, debate-se uma questão central: é possível aprender a produzir ficção, da mesma maneira como se estuda outros ofícios? Se existe uma forma de transmitir esse conhecimento, não é com regras e truques de manual, e sim pensando a escrita de modo aberto e livre, através de preceitos norteadores que perpassam a linguagem. E é essa a proposta deste livro, uma reflexão sobre o próprio processo de escrever ― da escolha cuidadosa das palavras à intenção por trás de cada texto, da busca pela originalidade ao mergulho corajoso na experimentação literária. Sintetizando a vasta experiência de Noemi Jaffe em sala de aula, Escrita em movimento traz também entrevistas com diferentes autores de destaque, como Beatriz Bracher, Milton Hatoum, Eliana Alves Cruz, entre outros, para oferecer variados pontos de vista a respeito dos princípios que estruturam o texto e que integram a caixa de ferramentas de todo artista da palavra, proporcionando um panorama amplo da escrita contemporânea, que recusa todos os rótulos.
Nasceu em São Paulo, em 1962. Doutorou-se em literatura brasileira pela USP, e atualmente é professora da PUC-SP. Crítica literária do jornal Folha de S.Paulo desde 2006, é autora, entre outros livros, de Todas as coisas pequenas (Hedra, 2005) e Quando nada está acontecendo (Martins Fontes, 2011). É também organizadora da antologia de poemas de Arnaldo Antunes (Global, 2010). Blog: nadaestaacontecendo.blogspot.com.br
"É por isso que eu amo literatura!", foi o que pensei a cada capítulo de "Escrita em movimento".
Aqui, Noemi Jaffe faz provocações a respeito de sete princípios da escrita literária. A escolha de palavras, de foco narrativo, de detalhes "inúteis" para o texto, do uso (ou não) da pontuação... Para cada possibilidade de escrita, a autora apresenta diferentes maneiras de fazê-la e dá exemplos de primeira categoria (minha lista de leitura ficou cheia). Ao final de cada capítulo, ainda, há propostas de exercícios ligados àquele tema. A principal lição é que a ficção não tem regras, por isso conhecer as técnicas é importante para quem quer desafiá-las.
Outro ponto positivo é a valorização da literatura nacional durante a obra, seja nos exemplos de boa escrita, seja nos textos de autores convidados, que compartilham sua visão a respeito do tema de cada seção.
É uma excelente pedida para quem escreve e para quem lê, por ampliar nossos horizontes literários e nos fazer entender um pouco mais das infinitas maneiras de se contar uma história e transpor sensações para o papel. Um livro para ler, reler, grifar e ter sempre ao lado.
Adoro o jeito de Noemi ensinar e contar de sua experiência como professora. Para quem gosta de escrever e para quem gosta ler e de entender os recursos literários, é uma delícia. Só não curti tanto os textos dos convidados.
Livro essencial para qualquer escritor que busque maneiras de pensar ativamente sobre o "como" contar uma história. Não é um manual de escrita, pelo contrário: é um convite à reflexão dos muitos aspectos que compõem um texto literário, e como eles podem ser moldados, produzindo resultados diferentes. Também não é o livro mais aprofundado sobre o fazer literário, mas é uma ótima introdução ao pensamento crítico: é uma porta de entrada. Não, minto, é a chave para a porta de entrada, e Noemi Jaffe nos deu ela de presente. Basta aceitar o convite.
Se você chegou ao fim e não sentiu nem uma vontadezinha de sair escrevendo pelas paredes, leu errado. Recomece. Que baita aulão de Noemi Jaffe! Conciso, completo, único. Vai ficar na cabeceira pra consultar a todo momento.
Fazia tempo que não lia livros sobre técnicas de escrita e esqueci como eles são inspiradores para se começar uma nova trama. E por causa deste Escrita em Movimento, acabei começando a escrever uma nova história. Se ela vai vingar ou não, é outra história (mesmo). Um dos problemas desse livro é que tem um preço muito absurdo comparado com suas dimensões e número de páginas, o que pode afastar o leitor. O conteúdo, por outro lado, é muito bom. Enquanto vai explicando suas sete lições, Noemi Jaffe convida, entre os capítulos, escritores calejados para darem seus depoimentos sobre o tema em questão das sete lições. Isso deixa o livro bastante dinâmico e menos engessado do que outras leituras do gênero. Jaffe também se propõe a ser menos rígida do que as oficinas e livros de criação literárias normalmente costumam ser, o que acho que é um diferencial e uma vantagem para quem se propõe a criar e escrever literariamente pela primeira vez a partir deste livro. Como falei, é um livro que inspira e nos põe para trabalhar. Para não dizer que é da boca pra fora, quando acabei o livro já emprestei para um amigo se inspirar e ler as sete lições.
Escrita em movimento é um livro para quem gosta de ler e escrever. Os princípios apresentados por Noemi, que perpassam a escolha das palavras, a simplicidade, a consciência da narrativa, a originalidade, o estranhamento, os detalhes (ou a falta deles) e a experimentação, reforçam que produzir literatura não tem forma, não tem certo e não tem errado. Como a autora defende, "escrever não deve ter vínculo com prisões, mas sim com libertação". Os capítulos são organizados de uma maneira em que é possível se aprofundar no princípio, aprender com quem o aplica e, principalmente, sair com a vontade de aplicá-lo, com dicas práticas de como fazê-lo. Noemi, obrigada por me colocar novas lentes para ler de um jeito diferente e para experimentar novas abordagens na escrita.
A seguir, listo alguns trechos que me chamaram a atenção:
-"O texto literário cria sua própria realidade e lança o leitor a um mundo que, para além de suas ligações circunstanciais e históricas, existe em si mesmo".
- "Durante o século XIX, a arte buscou construir uma imagem aureolada, de isolamento e genialidade, como se os artistas românticos tivessem sido eleitos e recebessem sua escrita de algum mensageiro externo, de preferência divino ou mesmo diabólico".
- Frase de Picasso: "Se a inspiração quiser vir, que venha. Mas vai me encontrar trabalhando".
- "A reescrita, claro, é tão importante quanto a escrita, pois é nesse momento da produção textual que o autor tem a oportunidade de repensar suas escolhas estilísticas e ir dando forma final ao que escreve".
- "Espanto é curiosidade, indagação e capacidade de ir além daquilo que o mundo apresenta em seu estado de normalidade e convenção".
- "Originalmente, simples queria dizer sem dobras; complexo e complicado, com dobras; e explicar, desfazer as dobras".
- "O ato de contar histórias é um fenômeno que se dá no tempo, diferentemente da pintura ou da arquitetura, cujas presenças acontecem no espaço".
-"Para que seja possível criar o novo, é essencial recorrer ao passado, às origens".
- "O novo faz muito mais sentido e se apresenta de forma muito mais consistente, e se quisermos, ética, quando lastreado pela origem a ele relacionado".
-"A literatura é uma força contrária ao hábito, que busca reinventar a nossa maneira de dizer e pensar o mundo".
- "Estranhar é viver a partir de fora, é estar do lado de fora, de certo modo à margem dos acontecimentos. E, para isso, a mudança de perspectiva é fundamental".
- "Quando conhecemos alguém, superficial ou profundamente, o que nos faz sentir de fato próximos da pessoa são suas manias, idiossincrasias, hábitos e detalhes: uma coceira, um cacoete verbal ou gestual, um objeto especial, uma fotografia, uma música, uma piada privada".
- "Experimentar é colocar algo à prova; é arriscar-se para verificar se uma ideia nova funciona ou se abre novos caminhos. É inaugurar uma forma real para uma imagem mental, e é também vivenciar experiências, abrindo-se para o desconhecido e o imprevisto".
- "Nem sempre um experimento tem uma finalidade ou intenção consciente. Muitas vezes, é fruto do acaso ou do puro prazer de verificar o comportamento de algo sob novas circunstâncias".
Um livro incrível. Eu o descobri por acaso após ouvir a entrevista da autora no podcast Ilustríssima Conversa da Folha de São Paulo e então decidi dar ele de presente a um amigo que está escrevendo um livro. Eu tinha decidido ler apenas o primeiro capítulo só por curiosidade mas acabei me interessando tanto que li até o fim.
Claro que não há uma única bíblia da escrita; mas depois de fazer o curso da Escrevedeira, com cinco dos princípios condensados, foi natural me estender por essas páginas e querer fazer mais dos exercícios e ouvir mais da voz de Noemi.
“A literatura talvez seja um modo de fazer justiça à falta de sentido.”
A escritora brasileira Noemi Jaffe reflete neste livro (que, como ela explica já na introdução, não é um manual de escrita) sobre os pilares sobre o que ela, depois de anos de muita leitura, escrita e ensino, considera importantes para todo escritor: palavras (muito ligadas à questão do como se conta uma história), simplicidade, consciência narrativa, originalidade, estranhamento (acho dos mais prazerosos e essenciais), detalhes e experimentação.
Um livro iluminador (e gostoso de ler, cheio de exercícios literários inusitados) para todo mundo que ama escrita e literatura.
Entre o que nos atravessa e o que deixamos passar.
“Não somos donos do que escrevemos, somos mais portadores e misturadores das histórias que captamos.”
Essa afirmação de Noemi Jaffe opera como um tipo de chave; ou melhor, como uma abertura. A autora, ao contrário de tratar a escrita como produção de um conteúdo proprietário, o faz como um campo de escuta expandida. Escrever, aqui, é estar poroso. É deixar-se atravessar por vozes, memórias, símbolos, tensões — e também pelo acaso.
Essa postura reaparece em outro trecho precioso do livro:
“Um misto de invenção e reconhecimento, pois, à medida que inventamos nossos personagens, eles também vão se revelando a nós e nos mostrando características suas que desconhecíamos.”
É essa “revelação”, mais do que a invenção em si, que inaugura a dimensão viva do texto. Os personagens não são produtos, são presenças que se mostram no movimento. E esse movimento, como Jaffe afirma, não visa apenas a eficácia simbólica ou funcional. “Nem tudo precisa ser dotado de um sentido aproveitável.” Eis um alívio para quem escreve, e uma convocação para quem lê: a obra se entrega como um organismo, não mero mecanismo.
Ao ler Escrita em Movimento durante o processo de finalização de meu livro de estreia na ficção, "O Livro do Simulacro | Consciência Síntese" (título provisório), senti que as palavras de Noemi apontavam para algo que até então eu apenas intuía. Na estrutura de minha obra — marcada pela ausência de um protagonista fixo e pela recusa a antagonismos evidentes — a escrita se deu também como escuta. Os personagens, ou "Tronies", como os chamo, surgiram como frequências, como agenciamentos simbólicos que se manifestavam à medida que eu me dispunha a ser passagem.
A leitura crítica recente ao manuscrito captou: “Não há um protagonista só. Aliás, em várias cenas, sequer há foco narrativo único. Todos os personagens surgem, somem, numa conversa são âncora.” E talvez essa ausência de centro, essa oscilação entre presença e desaparecimento, seja precisamente o que Jaffe descreve como organicidade viva. Não se trata de perder o controle da escrita, talvez sim de deixar de exigir dela controle absoluto. De aceitar o imprevisível como motor.
Esse mesmo princípio tem me guiado ao trabalhar "Illuminato e o Vale de Onde Nascem os Voos" (outro possível título para meu livro infantojuvenil em reescrita). Nele, o personagem-título, inicialmente pensado como um protagonista clássico, vai aos poucos se tornando mais próximo de uma presença aberta, um canal de escuta. Quando encontra o Morcego Beija-Flor — criatura marginal, adaptada, resistente — algo muda. A entrega ao outro, ao estranho, ao que não se controla, deixa de ser ameaça e se torna caminho.
Talvez a maior lição de "Escrita em Movimento" seja essa: escrever é escutar, é também ceder. Os personagens nos atravessam. A trama nos desvia. E, no fim, não somos autores de uma obra: somos seus cúmplices em processo.
Ponderei por longos minutos sem saber como começar essa resenha e desse incômodo vazio, de fato, dei início.
Me encantei em poucas páginas e permaneci assim até a última. A fluidez agradável, que sempre gosto muito até as poucas citações das obras e falas alheias, que são tão excessivas em textos como este quase me causando combustão espontânea vezes demais.
Me diverti com o despertar das tentativas e mudanças nessa leitura. Vontades estas trazidas pelos exemplos antiquados de obras consagradas e seus trechos que nas minhas interpretações, transformaram-se na reflexão que há tantos experimentos interessantes que caíram por resultados sem graça. O efeito em mim não foi tédio ou aversão, pelo contrário, trouxe, todas as vezes, a ânsia por tentar as mesmas técnicas e descobrir o quão novas, iguais ou diferenciadas podem ser.
Adorando as ideias práticas, percebi um mesmo exercício num capítulo diferente. Minha primeira impressão foi julgar porque havia uma repetição, até surgir um pensamento demorado a me encontrar. Atividades iguais após mais um capítulo com informações novas e práticas complementares, tornaria-se, quem sabe, uma atividade semelhante com resultado diferente. Dito e feito.
Terminei aos sorrisos, realmente animada durante a leitura de um livro de escrita, que traz tanta insegurança, tanto conceito pra lembrar mas também muita coragem de colocar em prática e que assim seja.
O meu único adendo, mas esse por enquanto segue para todos os livros de escrita que encontro, é a falta de mais citações e exemplos recentes, que encontram e fazem ainda mais sentido com a literatura atual e não uma obra de 1930.
Adoro livros sobre escrever livros, assim como amo filmes sobre fazer filmes e músicas sobre fazer músicas. Acho a Noemi ótima e adorei que, respeitando a não arbitrariedade do fazer literário, ela chamou uma pá de autores contemporâneos para darem seus pontos de vista.
Destaque para como ela abordou o estranhamento, e para como ela respeita o novo, o velho e tudo o que há no meio. É um guia tão fluido que estimula não só a escrever, mas também a ler mais. E, principalmente, ler com maior atenção à escrita, o que eu espero ser um caminho sem volta!
Marquei MUITOS trechos, mas deixo apenas alguns aqui:
"Um fato triste deve ser narrado de tal modo a entristecer o leitor; uma cena de calor deve fazer o leitor querer se abanar(...)"
"(...) Mas Clarice escolhe, muitas vezes, tornar intransitivos os verbos transitivos, suprimindo possíveis objetos. Isso faz com que seus personagens e suas ações ressoem no vazio e que o verbo ganhe em peso e amplitude. Se a menina "suportava", a impressão é a de que não suportava somente alguma coisa, mas o mundo inteiro e sua solidão generalizada."
"(...)Acho que sofri da tal "angústia da influência" (...) Depois, a impressão que tenho é de que, à medida que as leituras vão se acumulando, o peso de cada influência também se dilui. Então a armadilha passa a ser não mais os outros, mas sim nós mesmos: a dificuldade é não se repetir, tentar ser original dentro desse universo que fomos construindo."
A autora avisa logo nas primeiras linhas de sua obra: “É um livro que não pretende ser um ‘manual’ de escrita criativa”. Porém, “Escrita em movimento: sete princípios do fazer literário”, vai além desse objetivo de tantos textos, longos e curtos, cursos e encontros que se propõem a incentivar e ensinar técnicas a quem deseja escrever. Sim, o pequeno livro de Naomi Jaffe é enorme em reflexões e ensinamentos sobre o que é um texto bem escrito. E vai além porque atende não só quem pretende ser profissional das letras, mas também a leitores e leitoras que se interessam em tirar o melhor proveito do que estão lendo. Ao demonstrar com clareza didática, a autora acaba fazendo perceber por que um determinado conto, novela ou romance não consegue nos absorver. Naomi Jaffe é autora de vários livros, doutora em literatura brasileira pela USP, crítica literária, coordena e ministra oficinas de escrita. Seu texto é saboroso, e “Escrita em movimento” ainda traz um artigo complementar de escritoras e autores brasileiros após cada um dos “sete princípios”. São prazeres que se somam nessa obra imperdível para quem ama literatura.
Escrever é assustador. Não encontrar uma palavra, perder de vista os temas, reler e achar tudo uma grande bosta são processos de humildade, que nos mostram como é difícil dominar uma das únicas coisas que nos é inerente - a linguagem. O que Noemi tentou fazer aqui é desassustar (um pouco), mostrando o que para ela são recursos essenciais de escrita. O que cada um desses recursos guarda é justamente aquilo que, quando lemos uma obra que amamos, não está presente nas letras da página, mas imbuido na filosofia e na estética de quem escreve - é tudo aquilo que dá o prazer único de ler algo e não sentir que aquilo foi escrito, mas que brotou, naturalmente. A narrativa de Noemi, no entanto, desmembra essa coisa meio obscura e a traz "ao rés do chão", tornando um conteúdo impossível, algo que quase nos faz acreditar que escrever é fácil. Se você não liga para escrita, a leitura ainda vale para conhecer mais sobre a forma de grandes escritores e escritoras, como Kafka e Clarice.
Muito bom! Não traz nenhuma novidade pra quem já leu outros livros com a mesma proposta, mas é ótimo para quem quer começar a estudar escrita literária.
“Para escrever literatura é preciso observar e respeitar o outro. Uso esse termo, “outro”, como generalização de tudo aquilo que faz limite com o “eu” e que se diferencia dele. Existe o mito de que a literatura é expressão do eu, derivado principalmente do romantismo, que tanto valorizava essas entidades abstratas: a subjetividade e os sentimentos. Mas há muito tempo essa visão se diluiu; na literatura moderna e contemporânea é mais importante conhecer aquilo que está fora do eu—o outro—do que buscar expressar a verdade de si mesmo.”
alguns motivos que me fizeram considerar essa leitura sublime: 1) foi o primeiro livro de uma brasileira sobre escrita criativa que li na vida, com dicas realmente valiosas voltadas à nossa língua; 2) ele é tão sucinto que até quando o óbvio é dito soa afiado e impactante; 3) as opiniões de vários escritores patrícios incrementa demais a obra, e mesmo quando discordava deles eu sentia que estava aprendendo; 4) me apresentou a Ali Smith (acabei de ler um de seus contos e estou perdidamente apaixonado); 5) eu o achei sublime porque ele é sublime; 6) se tornou meu favorito sobre o tema. obrigado Noemi Jaffe.
Que delícia de livro. O que tem de pequeno, tem de profundidade.
Há anos leio livros sobre escrita, e com bastante frequência eles me inspiram. Mas "inspira" só arranha o que esse livro fez em minha mente e fazer literário.
A Noemi me levou para uma sala de aula, me pôs sentado na primeira fileira, e me ensiou. Me guiou. Seus exercícios propostos de escrita são a lição de casa mais divertida possível e certamente vão ser feitas e refeitas pelos próximos anos.
Noemi vale uma linha nos agradecimentos dos livros que eu publicar.
Um livro-experiência que reúne práticas e teorias, exemplos e relatos de pessoas escritoras sobre o fazer literário. Um livro-guia, para ser lido, relido, exercitado, questionado, refutado. Noemi apresenta os princípios observados e passados nas suas oficinas literárias de forma deliciosa, com proposições ao final de cada capítulo, que suscitam reflexões e podem levar ao aprimoramento dos nossos escritos. Uma delícia.
"Escrita em movimento: Sete princípios do fazer literário" é um guia com reflexões que me ajudaram a pensar melhor nas histórias que escrevo. A autora Noemi Jaffe entra em detalhes sobre coisas que podem parecer triviais, como a escolha da palavra certa para denotar determinada coisa, mas que dão vida ao texto literário. Ela também quebra muitas crenças e “regras” preestabelecidas, além de incluir comentários de grandes autoras e autores convidados no final de cada capítulo.
O livro de Noemi é muito bom, com dicas de princípios para quem gosta de escrever e até para leitores e principalmente de trechos literários. Vale destacar que a cada final de capítulo existem algumas tarefas disponíveis para o leitor realizar que são muito interessantes. Prefiro o curso on-line da mesma autora no site da ESCREVEDEIRA, onde além de vê-la, os exercícios são enviados por e-mail e respondidos por uma equipe técnica. Vale a pena.
Mas do que falar de literatura, escrita, linguagem, processos, eu tomo os princípios literários passados por Noemi como conselhos de vida. É como se cada um deles nos dissessem também que há tantas formas de viver—do estranhamento a experimentação. Um livro belíssimo de escrita igualmente elucidante!
Este livro é o alicerce para um iniciante na escrita. Linguagem simples e direta com dicas de exercícios práticos para desenvolver a habilidade de escrever, aulas objetivas e depoimentos de renomados autores.