Condições socioeconómicas distintas estão na base de resultados escolares e, consequentemente, de empregos e salários desiguais. Apesar de, em Portugal, nas últimas décadas, se ter massificado o acesso ao ensino e melhorado o aproveitamento escolar, a diferença de resultados entre os alunos de famílias mais ricas e mais pobres persiste. Como resolver este problema? Este ensaio diagnostica o ensino em Portugal, relacionando o investimento feito em educação com a probabilidade de emprego e os salários no mercado de trabalho. Discute as questões mais urgentes que enfrenta o sistema de ensino português e sugere políticas educativas com um impacto positivo no percurso escolar dos alunos, no rompimento de bolhas sociais e na promoção da igualdade de oportunidades.
São identificados alguns dos principais desafios inerentes ao sistema de ensino português, como o recrutamento de novos docentes, a recuperação do impacto da pandemia e a diminuição dos fossos sociais nos resultados escolares. Como pontos positivos, considero a obra de leitura acessível e clara e destaco que se recorre, com frequência, a dados estatísticos e análises económicas, com elevado rigor académico. Por outro lado, seria interessante se tivesse sido aprofundado o impacto e a eficácia das políticas públicas já implementadas em Portugal (embora compreenda a dificuldade, dado raramente essas análises serem partilhadas , ou sequer realizadas). Seria, também, enriquecedor desfocar do sistema de ensino tradicional e propor outras soluções, fazendo paralelismos com outras realidades europeias, por exemplo. Esperava alguma reflexão sobre os desafios que o sistema de educação enfrentará a médio/ longo prazo, inclusive com as emergentes mudanças no mercado de trabalho, numa perspetiva de perceber como o sistema se deve adaptar. Não obstante, ensaios como este são importantes para garantir que Portugal tem famílias atentas e exigentes com o sistema, proporcionando reflexões fundamentadas que procurem construir o papel de “elevador social” que a escola deve ter.
Fantástico ensaio sobre temas normalmente não muito debatidos no espaço público sobre Educação. Despolariza alguns desses debates com evidência científica. Recomendo vivamente.
Um excelente ensaio sobre o panorama educacional do sistema educativo. É abrangente no que concerne os principais desafios sobre como educar.
É um livro com evidência científica, o que lhe confere um estatuto solidário de exigência, mas com uma leitura fácil e agradável.
Alguns dos principais temas incluem: o ensino profissional (que oferece um prémio salarial inicial ), o acesso ao ensino superior (onde a evidência internacional mostra que as propinas não são a barreira principal, mas sim o aproveitamento nos primeiros anos de escolaridade !!!), o impacto do professor, os efeitos da pandemia nas aprendizagens (favorecendo estratégias de aceleração sobre remediação), sistemas de cheques-ensino (como o caso chileno que aumentou a equidade), a iminente falta de professores em Portugal (com necessidade de recrutar 34.500 docentes na próxima década), e a importância da autonomia das escolas.
A coisa mais importante: o investimento educativo nos primeiros anos da infância tem os maiores retornos tanto em dimensões cognitivas como não cognitivas, sendo decisivo para todo o percurso educativo subsequente e para reduzir as desigualdades com origem familiar!
Excelente reflexão sobre a educação. Os pais educadores deviam entrar na reflexão proposta. Os professores e políticos muitas vezes transmitem opiniões sem suporte. Deviam ler o livro para fundamentarem as suas posições ou mudarem de opinião.