“Something in the way she moves attracts me like no other lover. Something in the way she woos me.” – The Beatles
“Uma Nova Chance” não é meu primeiro contato com a escrita da Tatiane, mas foi desde a primeira leitura de uma história dela que notei como ela é boa em criar cenários palpáveis, personagens reais que erram, se arrependem e aprendem com seus próprios erros.
Nesse livro, por exemplo, vemos de cara a Manu tendo que lidar com as consequências de suas escolhas que, infundadas ou não, foram erradas.
Manu acreditava estar fazendo o melhor ao esconder de Dante que a noite que tiveram acabou resultando em uma linda menina, a Giovanna. As razões para tal não vale aqui citar, não quero estragar a experiência de leitura para ninguém. Mas mesmo sem saber com precisão o que a levou àquilo, nós sabemos que é errado tirar de um pai o direito de conhecer sua filha ou, ao menos, ter conhecimento de que ela existe.
E é quando Dante passa a advogar no mesmo local que Manu, que esse direito lhe é dado pelas mãos do destino – ou de Tati.
Agora que conclui a leitura posso dizer com ainda mais firmeza que não passo pano para a atitude da Manu, mas tentando olhar pelos olhos dela como uma mãe de primeira viagem, que não planejava ter um filho e sequer estava em um relacionamento, com o suporte de alguém para dividir as angústias diária, eu entendo ter tomado aquela decisão. Especialmente sabendo tudo por trás dessa escolha.
Não deve ser fácil ver sua vida virar de ponta cabeça da noite para o dia, só porque se permitiu por uma noite dormir com seu rival. A pessoa que você mais odeia. Se tornar mãe pode ser uma benção, mas é inegável o tanto de mudanças que traz; além de tudo que, nesse caso, vinha no pacote.
É por isso que não concordo com ela, mas não julgo. Assim como não julgo Dante por ter sentido raiva, mas não nego que o julguei quando quis tomar uma atitude drástica lá no início. A raiva era compreensível, mas a verdade é que ele não estava pensando como o pai que dizia querer ser, mas como um homem querendo impor sua vontade e jogando toda a raiva na mesa. Compreensível, mas não significa que era o certo e nesse caso, nem mesmo o melhor para ninguém, principalmente Giovanna.
Agora, os personagens que realmente odiei, que me fizeram mais passar raiva nessa história foram os pais do Dante e Dom, o Adriano e a Marcella. Por muito tempo, tive esperanças com relação ao Adriano, o extremo oposto do que senti por esses outros três personagens. Marcella é a típica pedra no sapato das histórias de romance e para quem já leu várias, de certa forma sabe o que esperar, que coisa boa não será. E os pais do Dante, bem, não houve cerimônias para mostrar que não eram flor que se cheire. Mas ao menos a mãe foi melhorando com o tempo. O pai, em compensação, foi se provando mais ser uma péssima pessoa. Adriano foi outro, uma verdadeira decepção porque realmente cogitei que podia ter redenção.
Mas falando sobre coisa boa (que é o que não falta por aqui), vamos começar pela maior surpresa: Domenico. Eu juro que eu não esperava que acabaria implorando por um livro dele, mesmo muita gente pedindo o mesmo. Mas Dom veio como um pé no saco e acabou como alguém a quem nos aperfeiçoamos, nos sensibilizamos e sim, nos apaixonamos! Amei como a Tati fez com quem não fosse uma mulher em um próprio livro dele que o fez se abrir, mas sim a sobrinha que até um tempo atrás, não fazia ideia que existia. Além dele, outro que me faz implorar por uma história própria é o Antônio. Eu lembro de ter me encantado por ele assim que vi que a autora o imagina como o Andy, mas conforme ele aparecia na história, era por ele, Antônio, que eu me apaixonava. Com suas piadas, seu jeito de quem não leva nada a sério… Ele é a prova de que é pelos engraçados que nos apaixonamos (ao menos, eu!).
O Gui, a Ju e o Lucca foram uma família que eu leria fácil algo a mais deles, porque amei conhecer os três. O Gui é aquele melhor amigo que você sabe que pode contar, capaz de ir contra alguém da família se essa pessoa errou com você, para te defender e cuidar. Além de ser o pacificador, aquele que media as situações e é justo. A Ju, de certa forma, também é essa melhor amiga e também não colocaria alguém que errou com você acima de você, mas ela não é tão pacificadora quanto o marido. Mas é justa e divertida. Adoraria sair com ela. Com todos, na verdade. E o Lucca, o que dizer? É fofo demais!
Assim como a Gio, que me fazia sorrir feito boba a cada cena que aparecia. Eu senti aquela coisa de “é por isso que amo histórias com crianças” sempre que a via, especialmente a cada palavrinha nova sendo dita.
E os papais do ano?
A Maria Manuela e o Dante vieram para mim depois de ter recém lido dois casais que amei da Tati, o Marco e a Alice e o Pedro e a Larissa, sendo assim, minhas expectativas estavam altas. Ainda mais a cada quote que via nas redes sociais. Mas os dois, lado a lado, deram um chute na porta, derrubaram a placa que demarcava o quão alto eram minhas expectativas e usaram de um jatinho alugado para ir além.
Eu não esperava me apaixonar tanto quanto me apaixonei. Aqui preciso fazer mais e não só dizer o que achei de cada um, mas falar deles como um casal. As interações foram maravilhosas. Foi tão bom os ver discutindo e ao que cada briga levava. A Tatiane SABE escrever uma cena +18. Mas acertou ainda mais no desenvolvimento do casal que, consequentemente, também se tornou o desenvolvimento individual.
A maternidade pode ter trazido mudanças na vida da Manu que já é de se esperar quando acontece, mas no caso dela, veio em companhia de muito mais coisas, boas e ruins. O que eu senti é que a tornou uma mulher ainda mais madura, forte e com propósitos tão maiores do que os que já a acompanhavam. Em contrapartida, Dante pode não ter tido a paternidade chegando da forma usual, mas de certa forma, o dia em que gerou um bebê foi o que girou a chave das mudanças em sua vida e a descoberta da Gio foi o que reafirmou isso ainda mais. Dante podia até ainda ter resquícios do babaca que um dia foi, mas reconheci as mudanças em diversos momentos e na convivência com a filha, na paternidade, a melhora foi crescendo. Ver ele se dando bem com quem um dia desprezou, cuidando de que jurou odiar e se tornando um pai babão, que faz tudo por ela, foi tudo para mim. Assim como a cada momento que a Manu reconheceu o erro que cometeu e cedeu pela filha.
Acredito que nem preciso tentar falar no individual porque, de certa forma, já o fiz.
A Manu é uma mãe incrível, com seus erros e defeitos, mas admirável. O Dante é um pai encantador, com seu problema de mimar a filha demais, mas que por um lado revela uma visão bonita demais dele. E juntos, os três mostram que para ser bonito, inspirador e apaixonante, uma família não precisa ser feita a de um comercial de margarina. Não, ela precisa ser real. E ainda que eles só estejam nas páginas desse livro, na tela de um aparelho, senti a cada página como se fossem reais e conclui com um sorriso no rosto.
Mas cuidado caso você vá ler depois de ter concluído a leitura de Pecado Preferido, outro livro da autora. Fiquei em abstinência de cena do Pato, o macaquinho que conhecemos na duologia com a Camila Cocenza.
E se você for ler depois de ter lido a trilogia E Se, o livro único Todas as Nossas Estrelas e o que no outro parágrafo também, todos da autora, se prepare para diversas referências e até mesmo aparições que irá te deixar ainda mais apaixonada pelo Tativerso existir!
Mal posso esperar para ver o que mais esse universo irá nos trazer!