Carmen de Figueiredo foi uma das escritoras silenciadas pela ditadura salazarista, que se opunha aos direitos da mulher e à sua emancipação social e sexual. A autora teve uma produção literária vertiginosa num curto espaço de tempo.
O seu romance Famintos foi acusado, pelo Presidente da Comissão de Censura do Porto, de conter “acidentes trágicos, revelando caracteres mórbidos, aberrações sexuais e outras taras. Com pretensão a obra realista, relata casos amorais e até amores incestuosos, com descrição de imoralidades doentias”.
Edição fac. sím, do Porto: Editorial Domingos Barreira, [1950].
Tive curiosidade de ler este livro por ter sido censurado na época do Estado Novo e porque a autora nasceu no meu concelho, Miranda do Corvo e continua a ser praticamente desconhecida na atualidade, apesar de ter tido uma carreia muito profusa.
As temáticas abordadas são muito corajosas tendo em conta a época de publicação do livro. Nomeadamente a questão da violência doméstica, o alcoolismo, assim como o adultério, o aborto, e a homossexualidade. A originalidade está sobretudo no facto de descrever um mundo rural de trabalhadores famintos, não escondendo as dificuldades da população em geral e o contraste entre as diferentes classes sociais.
É relativamente fácil de ler, apesar de uma escrita muito rica em adjetivos, fez-me lembrar Eça de Queirós nesse aspeto, e Aquilino Ribeiro pela preocupação social.
Que seca de livro! Sem um fio condutor, com personagens estereotipadas e básicas, todas com muitos calores e uma visão medonha das mulheres... "quando o macho fez da virgem mulher" 🤢