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Ensaios de Abril

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Para as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, que se assinalam em 2024: Ensaios de Fernando Rosas que, em tempos de «impolítica», assinalam a incontornável natureza matricial da revolução na democracia portuguesa. «Reúno neste livro alguns textos que fui escrevendo para seminários, obras colectivas, conferências e outros actos públicos a propósito do 25 de Abril, da Revolução Portuguesa de 1974/1975, designadamente para o seu cinquentenário, que se assinala em 2024. É uma forma de me associar à celebração dessa efeméride que mudou o curso da história portuguesa a partir do último quartel do século XX. A anteceder esses ensaios, deixo um texto testemunhal, autobiográfico, que pretende tornar presente, contra um certo tipo de desmemória organizada, o modo como uma jovem geração militante nos anos 60 e 70 do século passado resistiu à ditadura, denunciou o absurdo e a injustiça da guerra colonial e desembocou na tempestade revolucionária abrilista com a alegria e o entusiasmo que lhe conferia a convicção profunda de que estava a ajudar a moldar com as próprias mãos um futuro emancipatório para o povo português e a responder aos desafios de uma revolução mundial que, desde 1968, parecia aproximar‑se da Europa. Dessa esperança sagrada, dos seus sucessos e insucessos, vos falam este meu depoimento e o conjunto de ensaios que lhe sucedem.» — Fernando Rosas

Inclui um texto autobiográfico sobre o percurso político do historiador.

152 pages, Paperback

Published September 1, 2023

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About the author

Fernando Rosas

106 books40 followers
FERNANDO ROSAS nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1946. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1969), mestre em História dos séculos XIX e XX (1986) e doutorado em História Económica e Social Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1990).

Foi, entre 1996 e 2016, professor catedrático de História Contemporânea. Em 2019 tornou-se o primeiro professor emérito da NOVA/FCSH, distinção pelo seu percurso académico ímpar. Na mesma faculdade, foi Presidente do Instituto de História Contemporânea (1995-2012). Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História.

Desenvolveu a sua investigação sobretudo em torno da História Contemporânea e da História de Portugal no século XX, com especial incidência no período do Estado Novo. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (história portuguesa e europeia do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934 (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica: estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII - O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores (coautor), (2013); O Adeus ao Império - 40 anos de descolonização portuguesa (org. et al.), (2015), História a História: África (2018), Salazar e os fascismos (2019), Ensaios de Abril (2023) e Direitas Velhas, Direitas Novas (2024).

Autor dos programas de televisão, História a História e História a História - África, produções Garden Films para a RTP.

Foi deputado à Assembleia da República (1999/2002; 2005/2011) e candidato à Presidência da República, em 2001, pelo Bloco de Esquerda, tendo obtido 3% dos votos. Em 2006 foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem da Liberdade e foi galardoado com a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2017) e a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (2018).

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Ana Mendes.
78 reviews3 followers
March 15, 2024
Uma breve síntese dos fatores que desencadearam a revolução do 25 de Abril e os acontecimentos do ano que lhe procedeu. Um livro que se reveste de especial interesse pelo primeiro capítulo sobre a experiência do autor durante a ditadura: “Devo reconhecer que no MRPP desse tempo aprendi o significado da solidariedade combativa, o respeito pelo coletivo, a disciplina de um trabalho organizado, marcado pela capacidade de intervenção, até pela ousadia, uma cultura de não temer estar em minoria (…)” (p.25).

Fernando Rosas deixa-nos ainda uma nota para a atualidade, 50 anos após a revolução: “Resistir, penso eu, há de ser sempre estudar com dúvida e lutar com esperança. Pessimismo da razão, otimismo da vontade” (p.47).
Profile Image for Bárbara Portugal.
49 reviews2 followers
July 7, 2025
Estes seis ensaios do Fernando Rosas, mais a sua introdução autobiográfica neste livro, compõem uma bela narrativa com vista a contextualizar o 25 de Abril e o que o sucedeu.

Quem foram alguns dos grandes atores, de que forma se organizavam, mas - e este para mim foi o ponto crucial do livro - o que os movia.

Especialmente a fase introdutória tocou-me por ser tão crua e honesta. Recomendo!!
Profile Image for Carol.
216 reviews111 followers
June 4, 2024
quando inicialmente imaginei o #abrilcravosmil, a única ideia ou critério que tinha é que queria ler “a noite”. posteriormente, quando tentei montar aquela que foi a iniciativa de abril, rapidamente decidi que queria ter três géneros presentes: a ficção (sob a forma de texto dramático), a não-ficção e a banda desenhada. o ensaios de abril havia saído em outubro do ano passado.

confesso que tinha algum medo, estava receosa que o texto fosse maçudo e mostrou ser o oposto. aprendi tanto! o livro condensa vários textos sobre momentos que contribuíram para a revolução do 25 de abril e aquilo que veio no pós-revolução. as gerações estudantis dos anos 60 e 70. a guerra colonial. o marcelismo. a revolução. o prec. e o novembrismo… este que “está para a contrarrevolução como o movimento militar de 25 de abril esteve para a revolução.” irrita-me a postura da direita em portugal e a necessidade que têm em bater com a mão no peito para defender o 25 de novembro, que nos “salvou” do comunismo. lol. contudo, tal como fernando rosas afirma “a democracia política não existe em portugal apesar da revolução, mas porque houve revolução”.

há 50 anos atrás, fernando rosas era estudante. tal como eu. lutou e foi preso político. duas vezes, por sinal. e pergunto-me “o que teria feito eu se tivesse vivido naquela altura?”, será que teria tido a coragem de lutar? será que com medo de ser apanhada ter-me-ia calado? gosto de pensar que a esquerdalha em mim teria tido a força para lutar pela liberdade.
Profile Image for Priscila Gomes || euosiameseoslivros .
29 reviews1 follower
December 25, 2023
"E numa madrugada inesquecível, bem cedo, a Hilda, a dona da casa que me dava abrigo, veio acordar-me afogueada: 《Fernando! Acorda! Vem ouvir o que está a dar na rádio!》E assim começou o primeiro dia do resto da minha vida."

Em Ensaios de Abril, o autor aborda a sua autobiografia antes e depois do 25 de Abril, onde reúne vários textos que foi escrevendo para seminários e conferências.

Há 50 anos atrás, Fernando Rosas era um estudante e foi também um preso político. Sofreu e lutou. Lutou por todos nós. Leiam este livro, malta. Venham conhecer estes guerreiros da nossa história.
Sou filha, neta e bisneta de quem viveu estes tempos sombrios e guardarei para sempre a força deles que há em mim.❤️⚘️

Em tempos de impolítica, não esquecer NUNCA quem lutou para que possamos ter voz.
⚘️ 25 abril, SEMPRE!
Profile Image for João Marques.
14 reviews2 followers
May 27, 2024
«Pensamento que não age ou é aborto ou é traição.»
Romain Rolland


MDP/CDE, MRPP, MES, LUAR, PRP/BR, OCMLP, PCP(m-l), LIC são siglas que hoje em dia pouco nos dizem, mas nestes 6 ensaios Fernando Rosas revive o caldo cultural, social e político em que foram partidos que influenciaram a Revolução de 74/75. Disputaram espaço com o hegemónico PCP e foram por ele perseguidos, através dos seus braços armados (instrumentalizando o MFA, as forças armadas e o COPCON).

A linha ideológica e a intervenção do autor no período que aborda são bem conhecidos, mas isso não tira nem mérito nem valor à análise histórica que faz. Pelo contrário, acho que é a das análises sintéticas mais elucidativas e completas (não ignora nenhum espectro político, até por ser do mais marginalizado), escrito no seu estilo académico característico - com uma exposição lógica e comparativa, cunhando termos e periodizando todo o período marcelista e de transição.
Critica bastante a historiografia "revisionista conservadora", assim como alguma esquerdista do PCP, de Raquel Varela (História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75) e do próprio Álvaro Cunhal (A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril: A Contra-Revolução Confessa-se) por separarem a democracia (parlamentar, burguesa) da revolução (como prejudiciais e limitadoras uma da outra, consoante a perspetiva) ou fazerem constantemente uso da leitura do «levantamento popular» no 25 de abril e no pós-gonçalvismo, onde ele não existiu.

Mas o que marca a diferença é a introdução e o primeiro capítulo, em que a abordagem do movimento de resistência estudantil, em Lisboa, Coimbra e Porto assume a marca pessoal de assistir e ser vítima da repressão da PIDE-DGS. Em nome de João Martins Branco e José Ribeiro Santos.

Funeral de José Ribeiro Santos, estudante morto pela DGS em outubro de 1972
Funeral de José Ribeiro Santos, estudante morto pela DGS em outubro de 1972
2 reviews1 follower
Read
July 20, 2025
Leitura obrigatória para toda a gente que queira perceber o que de facto foi o 25 de abril e o processo revolucionário que lhe seguiu. Separa o golpe militar de 25 de abril de 1974 da Revolução que lhe seguiu, e mostra porque é que o primeiro estava longe de implicar obrigatoriamente o segundo. Argumenta que o vazio de poder em que o golpe deixou Portugal deu espaço à revolução, feita de forma espontânea pela população.

Tem algumas teses problemáticas: por exemplo, apesar de não ser dito explicitamente, fica subentendido que Fernando Rosas considera que em 1975 a "legitimidade revolucionária" se deveria ter sobreposto à "legitimidade eleitoral". Nesse ponto, senti falta de uma análise mais profunda sobre porque é que o grande movimento de massas que fez a revolução não se traduziu em resultados eleitorais condizentes.
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