Ninguém Vai Te Ouvir Gritar é uma obra que, sem dúvida, tem uma premissa promissora e potencial para ser uma leitura eletrizante. Entretanto, ao longo da trama, algumas escolhas narrativas acabam enfraquecendo a experiência.
O enredo peca, principalmente, pela previsibilidade. Desde o momento em que Calvin deixa o bilhete alertando para "não confiar em L", torna-se quase inevitável desconfiar dos únicos personagens que carregam esse inicial: Lucas e Liam. E, apesar dos esforços do autor em conduzir o leitor a suspeitar constantemente de Lucas, essa tentativa soa forçada e entrega demais, tornando a grande revelação pouco surpreendente.
Outro ponto que enfraquece a trama é o desenvolvimento do personagem Elijah. Não demora muito para perceber que ele, na verdade, é um fantasma — uma revelação que perde o impacto por ser extremamente previsível. Além disso, a figura maligna central, que deveria gerar medo e tensão, decepciona pela fragilidade: que tipo de demônio é derrotado com um simples soco? Essa solução soa simplista e quebra totalmente a expectativa de um desfecho realmente aterrorizante.
Apesar dessas falhas, a leitura é dinâmica, fluida e até divertida. A trama prende pela curiosidade, mesmo que deixe diversas pontas soltas que poderiam ter sido melhor exploradas. É aquele tipo de livro que não chega a ser ruim, mas também está longe de ser realmente bom — fica em um meio-termo que diverte, mas não marca.