«Um filho desaparecido é um filho que morre todos os dias. Nem mesmo nas mitologias mais cruéis há tragédia equivalente; essa dor nenhum deus teve de suportar. Cada noite, ao cair, desaba sobre os pais com o peso renovado da notícia: você perdeu sua criança e ela está naquela escuridão afora, desprotegida. Essa mensagem silenciosa se impregna nas paredes da casa, nos vãos entre os azulejos, nos ponteiros dos relógios e nas páginas dos calendários, nos retratos da família, no chão que se pisa.»
É esta a morte que Ângela tem enfrentado ao longo dos últimos trinta anos, até ao dia em que decide pôr um fim à espera, certa de que o seu filho, Felipe, não retornará à casa que manteve intacta, nem ao quarto da criança que ele já não será.
A voz de Rafael Gallo, sempre acutilante, acompanha o sofrimento desta mãe, por vezes num grito ensurdecedor, constante como as ondas que vêm rebentar junto ao pontão onde Ângela tenta afogar a dor, outras vezes num grito tão silencioso como a espera.
Rafael Gallo nasceu em São Paulo, em 1981. É autor de Rebentar (Ed. Record, 2015), romance vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e Réveillon e outros dias (ED. Record, 2012), coletânea de contos ganhadora do Prêmio Sesc de Literatura. Ambos os livros foram finalistas do Prêmio Jabuti. Tem ainda contos publicados em diversas revistas e antologias, como a Desassossego (Ed. Mombak, 2014) e a Machado de Assis Magazine (Ed. Biblioteca Nacional, 2012), que publicou tradução do conto Réveillon para o espanhol.
“Essa minha renúncia não altera em nada a saudade que sinto. Tenho dentro do meu coração uma ferida aberta, que desenha exatamente os seus contornos. Os meus pensamentos continuam cercados pela moldura da sua lembrança. As minhas mãos continuarão a sentir sua falta; apenas não te buscarão mais, sabendo que não há como te alcançar.”
Uma história delicada e comovente sobre aceitar a irreversibilidade de uma perda. A narrativa faz-se de forma lenta mas, mesmo assim, não deixa depreciar a sua leitura. Gostei bastante, a recomendar!
«Rebentar» é uma obra poderosa e sobre a perda, o luto e a esperança. A história acompanha Ângela, uma mãe que, após o desaparecimento do filho de 5 anos, dedica toda a sua vida à procura da criança. Abandona o trabalho, não tem mais filhos e torna-se voluntária numa instituição de procura de crianças desaparecidas.
Ao longo de trinta anos, Ângela vive numa constante angústia e desespero. Torna-se uma pessoa solitária e isolada, incapaz de seguir em frente com sua vida. No entanto, mesmo diante da dor e da incerteza, ela não desiste de encontrar o filho. Mas, um dia, tudo muda.
A voz da protagonista é forte e visceral, e somos rapidamente envolvidos na sua história. O autor escreve com sensibilidade e empatia, e consegue transmitir transmitir muito bem a angústia e a dor da personagem.
«Rebentar» é um livro que não deixa o leitor indiferente. É uma história que toca o coração e nos faz refletir sobre a importância da família, da esperança, da luta, da resiliência, da mudança e da aceitação.
Recomendo a leitura a quem gosta de personagens marcantes.
"Um filho desaparecido é um filho que morre todos os dias. Nem mesmo nas mitologias mais cruéis há tragédia equivalente; essa dor nenhum deus teve de suportar. Cada noite que cai desaba sobre os pais com o peso renovado da notícia: você perdeu sua criança e está em algum lugar nessa escuridão afora, desprotegida de seu lar."
Num dia igual a tantos outros Ângela passeia com o seu filho Felipe de 5 anos numa galeria de lojas. Felipe larga a mão da mãe e dirigi-se à loja de brinquedos e num curto espaço de tempo, Ângela deixa de o ver. Felipe desaparece sem deixar rasto. Ângela inicia então uma busca desesperada por Felipe, televisão, rádio, cola cartazes pelo país, junta-se a um grupo de mães que também procuram os seus filhos desaparecidos, mas durante 30 anos não tem nenhuma pista sobre o filho. Ângela decide tomar uma decisão muito importante e pouco compreendida por algumas pessoas que a rodeiam: parar de procurar o filho. Neste seu romance de estreia, Rafael Gallo, mostra com mestria o sofrimento de Ângela e da sua família e como no seu dia a dia vive com a angústia de não saber onde está o seu filho. Será que está vivo? Será que se lembra dos seus pais? Está feliz? Está a sofrer? Ninguém fica indiferente ao sofrimento desta mãe, sentimos a sua dor e os seus sentimentos contraditórios : Será que tem o direito de tentar viver a sua vida após 30 anos de espera? Será que o seu filho está à espera dela em algum lugar? Um livro maravilhosamente bem escrito e doloroso de se ler, principalmente para quem é mãe e pai, pois não há dor maior da que perder um filho, mas perdê-lo para uma ausência forçada e indeterminada deve ser imensamente pior. Este livro lembra o caso do Rui Pedro que desapareceu no dia 4 de Março de 1998 e de como a sua mãe Filomena Teixeira luta até aos dias de hoje pelo regresso do seu filho.
Se a (boa) literatura nos pode colocar no lugar do outro, este livro é disso exemplo! O Rafael Gallo foi audaz. Não é fácil colocar em palavras o que não tem propriamente uma palavra, uma definição. Mas fê-lo com sensibilidade, responsabilidade e tato.
Sem sombra de dúvida, preferi o "Dor fantasma", embora a qualidade de escrita de Gallo esteja também bem presente neste "Rebentar". No entanto, o ritmo narrativo é mais lento, o que torna a leitura, por vezes, cansativa. Não deixo de me interrogar se não é uma estratégia do próprio autor, de forma a fazer impactar o próprio percurso (lento) da protagonista.
"A esperança não é só esse sentimento bonito, que se apregoa; tem um lado avesso capaz de consumi-la."
Ao contrário da maioria das narrativas sobre desaparecimento, "Rebentar" tem o mérito de centrar-se não na busca do desaparecido, mas no luto de quem está a buscá-lo. Há uma certa poética na dor de Ângela, mãe que decide encerrar a procura do filho após 30 anos de seu sumiço, marcando o início retumbante do livro. Esta lírica, no entanto, logo se dilui em vicissitudes cotidianas como a reforma da casa - condição para o seu abandono e compra de um novo apartamento. Em que pese o sentido simbólico desta mudança, como também o do nascimento do sobrinho-neto da protagonista, a narrativa me parece perder-se mais em pormenores banais que na descoberta de Ângela de sua nova individualidade - algo que quase chega a acontecer na cena em que ela revisita a galeria na qual o filho se perdeu, e prova nas costas das mãos o creme com que vai presentear a sobrinha. O tom retumbante retorna nas últimas páginas, que reencontram o lirismo das primeiras e conferem ao livro uma circularidade poética interessante.
Estou ainda com um nó na garganta depois de acabar de ler este livro! Muito bem escrito , um texto maravilhoso com um tema muito perturbador! O pior pesadelo que ninguém devia ter que passar! Estranhei um pouco o português do Brasil mas é natural! Excelente escritor e curiosa agora para o “Dor Fantasma “
Demorei a pegar neste livro, apesar de ser a proposta do mês do clube de leitura Literacidades, devido ao tema. O desaparecimento de um filho. Supunha que ia mexer comigo e ficar muito perturbada e comecei a ler “a medo” mas tal foi superado com a narrativa desta grandiosa mãe que assumiu depois de trinta anos a irreversibilidade da perda.
Linguagem rica e sentida, este livro é belíssimo desde o início. A narrativa é lenta mas comovente, delicada e muito realista e por isso é um esmiuçar da dor e da culpa. O impacto na família e nos outros que, tão abnegadamente foram solidários na busca e na esperança. Um livro marcante como seria de se esperar.
É um livro pesado, tanto pelo tema como pela forma como é conduzido. Para mim acabou por não resultar. Não é um livro fácil, e acho que merece ser lido com a disponibilidade emocional adequada.
Rebentar é o primeiro romance do autor. Foi publicado em 2015 e no ano seguinte recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura (categoria autor abaixo de 40 anos). A premissa do livro é poderosíssima: Ângela, trinta anos depois de uma procura incansável por seu filho desaparecido (na época ele tinha 5 anos), decide não mais buscá-lo. Trata-se de um drama que se desenrola sobretudo na mente da personagem e o autor é sensível o bastante para mostrar como cada pequena decisão repercute no arcabouço formado por sentimentos tão solidificados depois de tantas décadas. Há cenas belíssimas e os dramas são comoventes. O livro poderia ser um pouco mais curto, uma vez que o encadeamento de muitas cenas fica prejudicado por uma cadência excessivamente lenta. Porém, isso não retira seu encanto. Aliás, recentemente, o autor anunciou que pretende propor uma segunda edição revisada, a ser publicada em breve.
Enquanto lia Rebentar assisti, no cinema, ao Benzinho, filme nacional lançado no final de agosto de 2018. Um ponto de contato nas narrativas: a despedida de mães, de seus filhos, em vida. Um esgarçar. Abordagens bem distintas de maternidade e separação dos seus rebentos.
Confesso que do filme preferi o compasso, com as cores, momentos bonitos da mãe e sua ânsia pelo filho de volta ao ventre; no livro, me encantei com a personalidade da protagonista, imersa em um cinza perene. Não me deliciei, no entanto, no que me pareceu um transcorrer arrastado da maturação de uma decisão. A verdade é que, para mim, a leitura começou a rebentar nas últimas cem páginas. Os momentos catárticos são fulminantes e valem a despeito do ruminar da palavra escorrida, na reflexão repisada, uma e tantas vezes.
* This review will be written in Portuguese as the author is Portuguese *
Um livro muito delicado, muito bem escrito - escrito da perspetiva da ausência - e que consegue provocar no leitor emoções fortes. Só não dou 5 estrelas porque achei que, nalguns momentos, as descrições eram longas demais e não havia necessidade para tal.
Do ponto de vista pessoal, foi um livro muito difícil de ler. Se têm filhos e se emocionam facilmente, não vai ser nada fácil ler.
Uma leitura onde a palavra de ordem é sentimentos.
Gallo descreve uma dor, uma luta e um dos maiores amores do mundo, o amor de mãe. Não foi uma leitura fácil, foi duro ler algumas das passagens e ser completamente assoberdada pela profundidade da dor que este livro transmite.
Não consigo imaginar como é perder um filho, mas consegui sofrer muito junto com esta mãe através das palavras e da escrita de Rafael Gallo.
Um autor que consegue transmitir emoções e a personalidade dos seus protagonistas de uma maneira impressionante. No entanto, o meu preferido continua a ser “Dor Fantasma”.
O livro começa bem e cativa pelo ritmo, domínio da narrativa e poder descritivo. Seria ótima leitura se fosse um conto. Sendo um romance de quase 400 páginas que se arrastam num cotidiano monótono e descrição mundana de um dia a dia aborrecido e aborrecedor, com personagens rasos e insossos de quem pouco se conhece, fica INSUPORTÁVEL. A repetição dos sentimentos e ruminações da protagonista, dos diálogos e conflitos e uma continuidade de clichês faz deste um grande melodrama que não emociona e não leva a lugar algum.
O pior de uma tragédia é revivê-la todos os dias. Com sua escrita magistral, Rafael Gallo percorre a difícil decisão de Ângela dar um fim aos 30 anos de procura pelo filho perdido e retomar sua vida, antes ancorada na dor da presença constante da ausência. A incerteza do destino do filho, morto ou vivo, é a angústia de quem não consegue sair de um labirinto num quarto mobiliado sem a criança. Uma leitura intensa sobre um tema emaranhado das dores e recomeços do tempo.
Poderoso, mas um pouco extenuante ao nos colocar no mesmo labirinto que a protagonista. Muito interessante como descreve as sensações, mas repete um pouco demais e poderia ser mais enxuto pra ser mais redondo.
Esse é um livro que funcionaria melhor se fosse contado em primeira pessoa. A carga dramática aumentaria significativamente. Mesmo que não tenho sido escrito o livro continua bom. A história ainda que repetitiva traz uma perspectiva diferente daquela que estamos acostumados.
Acompanhamos o processo de Ângela em desistir de procurar o filho depois de 30 anos do desaparecimento dele. É uma jornada bem dolorosa porque ela deixou de viver para ficar 30 anos vivendo disso. Eu não consigo nem imaginar como é sentir algo parecido como a perda de um filho. Apesar de entender a questão da Ângela tenho que acreditar que ela seja um pouco egoísta em relação ao filho. Otávio, pai de Felipe, é pouco explorado nesse enredo. Ele está ali apenas como suporte a jornada da esposa. É uma bela relação diga-se de passagem, mas pouco explorada. O narrador só acompanha Ângela. Eu até consigo entender devido aos pré conceitos em que a sociedade impõe sobre mães e filhos. Rafael Gallo elenca esses motivos, mas não me convenceram de forma geral por não ter mostrado o sofrimento do pai.
Gallo também pincela rapidamente a diferença como famílias brancas são tratadas quando precisam de atendimento policial e o que difere de uma família preta. Ângela e Otávio são brancos e ricos e para diferenciar a histórias deles ela relata como aconteceu quando o filho de Dora, fundadora de uma instituição para mães que possuem os filhos desaparecidos, também some. É um detalhe importante mesmo que pouco exectutado.
Outro ponto legal do livro é a relação da Ângela com a sobrinha afilhada Isa. Toda essa situação afetou a família inteira inclusive a sobrinha. Mas isso fez com que elas acabassem se aproximando ainda mais. É legal reparar a importância que uma tem na vida da outra e como isso vai se construindo.
O livro tem uma história dolorosa, mas é bem tranquila de se ler. Recomendo para quem quer ler sobre uma nova perspectiva algo que é tão explorado.
Rebentar foi, se não estou em erro, o romance de estreia de Rafael Gallo.
Fala-nos da história de Felipe, uma criança de 5 anos que se separou da mãe numa galeria de lojas e que desapareceu sem deixar qualquer rasto.
Ângela, a sua mãe, procura-o de forma incessante durante 30 anos, nunca baixando os braços, nunca desistindo desta busca, que modifica a sua vida, de forma inqualificável, fazendo-a entrar em depressão, num processo de luto sem fim, em que esta abandona o seu trabalho, a sua vida, numa permanente busca, até um dia em que tudo muda...
Esta é uma obra magnífica, poderosa, visceral, dura, tão bem escrita, que nos transmite com facilidade o estado de espírito da personagem e que nos faz recordar frequentemente histórias semelhantes do conhecimento público.
A história em si, muito bem construída, envolve o leitor que quer sempre saber o que acontecerá a seguir e, enquanto mãe, fez-me pensar como será perder um filho, mas não saber onde ele está, como está, se está vivo ou morto, bem ou mal tratado, .... uma angústia e uma dor inimaginável.
Não é um livro de leitura compulsiva, faz-nos parar para pensar, respirar, fez-me arrepiar diversas vezes. Um livro que não será do agrado de todos os leitores, principalmente de quem não gosta de sofrer com um livro.
Personagens marcantes: 📚 Felipe 📚 Ângela 📚 Octávio
O que gostei: 📚 Escrita 📚 História
O que não gostei: 📚nada a apontr
Citações: 📚 "Um filho desaparecido é um filho que morre todos os dias.”
Um ponto final! Este livro conta o fim de uma história que nunca teve nem terá um fim. É um livro do futuro, sem futuro, de uma mãe que perdeu o seu filho, sem o ter perdido nunca. Uma mãe que mostra todas as dores que se podem prolongar por uma vida inteira sem que seja essa a opção, porque não tem como escolher. Não consegue escolher entre continuar a procurar o seu filho (que perdeu quando tinha 5 anos) ou deixar de procurar um homem agora com 35 anos que nunca poderia voltar a ser o seu menino. Esperou 30 anos para decidir que poderia voltar a viver. Uma dor sem fim, partilhada de forma ligeira mas sempre presente pelo pai do Filipe. Poderia ser um Rui Pedro, poderia ser outra criança com 5, 6 12 ... anos. Custa-me acima de tudo entender uma esperança tão dorida de uma mãe que consegue acreditar que ainda é possível. Este poder só existe numa mãe, em mais nenhum ser humano neste mundo. O Rafael Gallo consegue esticar o tempo de dor em dor, esperança em esperança, renascença em renascença. E faz desta história, que poderia demorar 20 páginas, um livro inteiro que acaba com um mundo novo que pode ainda ser possível. Depois de ler o livro anterior dele - Dor fantasma - é inegável o dom que ele tem para explorar a dor e fazer-nos acreditar que quem sofre daquela maneira, tem direitos que mais ninguém tem.
. "Um filho desaparecido é um filho que morre todos os dias. É um luto com uma diferença fundamental: alguém que não é reencontrado nunca se perde em definitivo."
A história de Ângela, mãe de um filho desaparecido há mais de trinta anos, é um retrato muito honesto da dor que não se dissolve com o tempo. A escrita é crua, intensa e sem artifícios. Rafael Gallo consegue dar forma à ausência, à espera interminável, ao luto suspenso que nunca encontra o seu desfecho natural. É impossível não sentir na pele o peso dessa maternidade amputada, dessa esperança que, mesmo apodrecida, insiste em sobreviver de alguma forma.
O que se encontra é a dura realidade de quem teve de aprender a viver com uma espécie de ferida aberta, e que, mesmo assim, se tenta reinventar. A decisão desta mãe, de finalmente aceitar a perda e tentar reconstruir a sua vida, longe do símbolo de resistência em que a transformaram na Associação de mães de filhos desaparecidos, é profundamente comovente. Rafael Gallo faz-nos acompanhar este processo com uma sensibilidade rara, mas sem sentimentalismos.
"Rebentar" é um romance sobre a coragem silenciosa, a coragem de abandonar o velório infinito, de aceitar que o amor não precisa de ser paralisante para ser verdadeiro. Uma leitura que ressoa cá dentro, como o som de ondas a rebentar contra pedras antigas. Pensei muitas vezes na mãe do Rui Pedro.
A perda de um filho é algo indiscritível, que nem consigo imaginar sequer. Contudo, penso que no livro esse sentimento fica um pouco aquém nas primeiras páginas e só ganha verdadeiramente dimensão a partir do meio.
Um dos aspectos mais interessantes do livro é o da "esperança eterna" e o que ela provoca nesta mãe: o facto de nunca saber o que aconteceu ao filho, se está vivo ou morto, e ter a sua própria vida suspensa durante 30 anos em função disso, sempre com a esperança de um dia o poder reencontrar. O quarto intacto, a fachada e a casa sem serem renovadas para que o filho possa reconhece-las sempre, mesmo passado 30 anos. Como se o tempo tivesse parado de vez no dia em que Felipe desapareceu. E para Ângela parou.
O desaparecimento de um filho obriga a reviver essa tragédia todos os dias. A prolongar a esperança. Até quando? Quando é que é legitimo uma mãe desistir de procurar o filho? Não há respostas certas (muito menos para quem nunca passou por isso). Apenas reflexões.
Penso também que o final foi demasiado súbito e estranho.
"Um filho desaparecido é um filho que morre todos os dias. Nem mesmo nas mitologias mais cruéis há tragédia equivalente; essa dor nenhum deus teve de suportar.
Um livro fantástico deste autor brasileiro com um dom impressionante para escrever, com grande sensibilidade e profundidade, sobre o sofrimento humano. A história de uma mãe cujo filho desapareceu em criança e que o procura ao longo de 30 anos: as buscas, os fracassos, a tristeza que invade a vida de toda a família, a esperança sempre presente, a opção entre continuar a procurar ou desistir e seguir em frente... Duro, mas fabuloso.
Um livro que não nos deixa indiferente a esta dor de mãe.... O livro começou muito bem, mas depois achei que se arrastou demasiado, tornando se monótono... Acabei por perder um pouco da expectativa grande que tinha sobre este livro. No entanto gostei da atitude desta mãe para finalmente seguir em frente...
Continuo achando Rafael Gallo o melhor escritor brasillleiro surgildo neste Século. Embora "Rebentar" careça da força de "Dor Fantasma", há passagens e frases memoráveis ao longo do livro. Mas o que me incomodou, mesmo, foi o uso desmedido que o autor faz do "dele" e do "dela", em substituição aos pronomes possessivos.
Aborda de forma profunda a história sobre uma mulher que perdeu o filho em uma loja de brinquedos quando ele tinha 5 anos de idade. O foco principal está em como lidar com esta perca após 30 anos… mostra uma vida devastada, o rompimento com a procura e o processo de superação. Escrita rica em detalhes e de uma ternura ímpar.
Um livro profundo e humano. O autor consegue, através de sua bela prosa, trazer temas com profundidade. Uma obra que vai muito além do luto de uma mãe depois de perder o seu filho. Trata-se de um livro de vida e morte, alegria e tristeza, amor (nas suas diversas variações). Um livro sobre a vida e sobre o viver.
Uma Boa Surpresa.Entendo porque ganhou o Prémio José Saramago.Uma descrição plena de “ extinção “ do luto , da inquietação, da tristeza e da dor, da perda de um filho, 30 anos após o desaparecimento.