O Pessoal É Político é um ciclo de palestras-performance inspirado na máxima da segunda vaga feminista que proclamava que o pessoal é político. Maria Gil e Miguel Bonneville criaram uma trilogia de palestras performativas, partindo de diferentes temas, escrevendo textos originais, na primeira pessoa, utilizando como matéria prima memórias, fragmentos e histórias das suas vidas, abrindo espaço para a reflexão colectiva e o debate de ideias. Em todas as palestras-performance, Maria Gil e Miguel Bonneville recriaram performances icónicas da História da Arte Ocidental que se relacionavam directamente com os temas propostos. Este livro reúne os textos de todas as palestras e ainda os textos Narrativas do Eu, escritos durante o processo de criação de Amor e Política, e apresentados no Colóquio Narrativas, Media e Cognição, na Universidade Católica do Porto. Medo e Feminismos estreou em 2013, no Negócio/ZDB. Amor e Política estreou em 2015, no Negócio/ZDB, no contexto do Festival Temps d’Images. Religião e Moral estreou em 2019, no CAL – Centro de Artes de Lisboa/Primeiros Sintomas, no contexto do Festival Temps d’Images.
um livro mais poético que teatral. um livro que é um manifesto e que me dá vontade de analisar isto como se fosse uma aula de português por isso here we go
dividido em 4 cadernos dramatúrgicos, começamos com Narrativas do Eu, o meu least favorite, onde achei curioso o rasurar do nome de Miguel, aparentemente a simbolizar uma quebra entre o Miguel retratado no livro e o Miguel atual.
o meu favorito foi o seguinte, Medo e Feminismos, que foi simplesmente perfeito e me fez pensar no quão diferente é a experiência feminista entre homens e mulheres (perdoem a minha explicação binária): para o homem é uma questão de intelectualidade; para a mulher é uma questão de sobrevivência.
a seguir veio o Amor e Política. “à falta de amor paterno, copiei o amor materno - um amor altruísta que, por pôr o amor próprio em segundo plano, se autodestrói.” não preciso de dizer muito mais. este caderno analisa tudo o que é amor, seja familiar ou romântico, de um ponto de vista político, porque after all tudo é político, especialmente o que nos é pessoal (get it, title reference).
por fim, terminamos com Religião e Moral, algo que me suscita particular interesse enquanto ateu. “calcei umas Doc Martens e procurei a espiritualidade na poesia.” a vulnerabilidade da fé desesperada é bonita e de louvar.