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O que é a Filosofia?

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Não há ninguém que não tenha uma «filosofia», achando-a tão pessoal que passa a ser «a minha filosofia». Há também quem despreze a filosofia e diga que é coisa de «líricos» — as pessoas de acção que acham que a filosofia nada tem que ver com a vida. Há ainda a definição mais romântica: a filosofia é a amizade pelo saber. E para todo este conjunto de opiniões há já teses filosóficas, interpretações, atitudes, mentalidades, modos de ser. Mas então afinal: O que é a filosofia? É essa a pergunta que aqui se faz a alguns protagonistas da sua história, sem pretender fazer história. A filosofia é uma actividade que procura descobrir a verdade sobre «as coisas», «o mundo», os «outros», o «eu».
Não se tem uma filosofia. Faz-se filosofia. A filosofia é uma possibilidade. E aqui começa já um problema antigo. Não é a possibilidade menos do que a realidade? Não é o possível só uma ilusão? Mas não é o sonho, como dizia Valéry, que nos distingue dos animais? Aqui fica já uma pista: uma boa pergunta põe-nos na direcção de uma boa resposta, e uma não existe sem a outra, como se verá.

376 pages, Paperback

Published September 1, 2023

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António de Castro Caeiro

9 books1 follower

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856 reviews
November 4, 2023
Não se fala nas vidas dos filósofos, nem de história da filosofia, mas das perguntas e respostas que Platão, Aristóteles, Agostinho, Kant, Wittgenstein e Heiddeger nos ofereceram. São perguntas e respostas para a acção, e por isso este volume é tão pertinente e original. Excelente ideia a de transformar em livro o podcast.
Profile Image for Filipa Correia.
21 reviews2 followers
September 17, 2024
Uma boa introdução à filosofia e a alguns filósofos relevantes. Cada capítulo é praticamente self-contained e pode ser lido isoladamente, foca um tema e um filósofo. Estava com algum receio do tipo de escrita e daquilo que para mim é a clássica “divagação dos filósofos” onde às vezes se perde o fio à meada. No entanto embora aconteça às vezes um pouco, o escritor retoma sempre o fio da meada. Escreve muito bem e tem um domínio da língua fascinante, em particular quando menciona traduções e partes não traduzíveis. Fiquei com vontade de ler a maioria da bibliografia principal!
Profile Image for Alexandre Andrade.
Author 23 books40 followers
October 5, 2025
Estes textos resultam de um ciclo de conferências realizado no Centro Cultural de Belém, em 2020. A origem pode ajudar a explicar alguma aparente falta de estrutura e um ritmo próximo da coloquialidade. Cada um dos seis segmentos é dedicado a um filósofo, por ordem cronológica. No entanto, o objectivo do autor não é o de analisar a fundo o pensamento destes autores; este é um ponto de partida e uma referência a que, nas voltas do seu discurso, Caeiro regressa pontualmente, num diálogo permanente que é também uma iluminação mútua. Ao contrário do que o título possa prometer, é mais à pergunta "Para quê filosofar?" que se procura uma resposta. O acto de filosofar é equacionado, por vezes de forma muito explícita, com a própria condição de ser humano. O texto está repleto de exemplos retirados do quotidiano. Mais uma vez, a saturação de alusões a noções e problemas da existência comum adequa-se bem a um contexto de conferência e a uma compulsão performativa: cabe ao orador atrair a atenção dos ouvintes, apelando a realidades que não lhe sejam alheias. Caeiro é, como é óbvio, muito mais inteligente do que qualquer autor de livros de auto-ajuda, mas esta tentativa reiterada de apresentar campos de aplicação familiares dos conceitos filosóficos discutidos soou-me, por vezes, forçada e excessiva. Talvez a maior virtude deste livro seja a de evitar oferecer aos leitores uma ou mais respostas directas e, em vez disso, demonstrar, por etapas e de forma consistente (apesar dos aparentes desvios), que o acto de filosofar é a própria resposta. E demonstra-o fazendo-nos uma visita guiada pela tradição filosófica ocidental, essa tradição inescapável porque está presente em tudo, como a atmosfera, por mais tentador que seja ver na obra de um certo autor uma "tabula rasa" que rompe com tudo o que existia (como Wittgenstein, que afirmava nunca ter lido Aristóteles). Os seres humanos foram aprendendo a pensar, e continuam a aprender; da mesma forma, qualquer um de nós pode (deve) reproduzir esse percurso de indagação, de dissipação dessa opacidade de que Caeiro nos fala desde o primeiro capítulo, dedicado a Platão.
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