Este é um livro que traz a morte para um lugar mais próximo da vista e do pensamento. Mas não é um livro macabro - muito pelo contrário. É um livro que promove uma maior consciência sobre a morte, para que a ideia nos seja mais próxima. É a promoção dessa proximidade que tem potencial para diminuir o choque quando o luto for inevitável. Neste trabalho do escritor Nelson Nunes, observamos as vidas de quem foi afectado pelas mais variadas facetas da morte. Há quem tenha atravessado a perda de uma mãe, há quem tenha atravessado a perda de um filho. Há quem esteja enlutado por um desaparecimento, pela morte presumível que nunca voltou a aparecer. E há também quem esteja a gerir a sua própria morte - fosse por ter tentado o suicídio, por ter tido um acidente quase fatal ou por ser doente terminal.
Mas vamos também conhecer aqueles que tratam a morte por tu: um anatomo-patologista desvenda o que significa morrer, uma pedopsiquiatra fala sobre como devemos conversar sobre a morte com as crianças, uma prestadora de primeiros socorros diz-nos como é viver com a morte no seu quotidiano, líderes religiosos explicam os mecanismos com os quais a religião nos ajuda a lidar com a perda e o medo do fim, um filósofo contempla a ideia da morte e um cientista diz-nos se é plausível pensar realisticamente sobre a imortalidade. Trazer a morte para junto de nós é a melhor forma de aprendermos a aceitar um pouco melhor a sua inevitabilidade. É a melhor forma de nos prepararmos para o luto, contemplando a morte e sabendo que ela é parte indissociável da vida.
Nelson Nunes é escritor. Enquanto jornalista, fez parte da redacção da revista Focus e foi produtor de programas da Rádio Renascença. Além disso, foi chefe de redacção da revista Forum Estudante e assessor do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Actualmente, é criativo na agência de storytelling True Stories. É o autor das obras Preciosa, Quem Vamos Queimar Hoje?, Isto Não é Um Livro de Receitas, Com o Humor Não se Brinca e Quando a Bola Não Entra.
"A verdade acerta-me como uma adaga: não sei nada sobre a morte. Sei, isso sim, o que o contacto frequente com a morte nos faz à vida. Mantém-nos mais presentes, com um sentido de urgência mais vívido."
Há uns anos uma figura pública fez uma afirmação que se tornou uma espécie de piada. A afirmação era óbvia (aparentemente) e por isso sujeita às críticas. No entanto, quantos de nós nos esquecemos, diariamente, que "estar vivo é o contrário de estar morto?"
Aproveitemos melhor os dias que nos restam (e que não sabemos o número), enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal chamada vida.
Gosto de ler livros sobre a morte, para a perceber melhor e ir perdendo o medo do fim, o meu e o dos que me são próximos. Para tomar consciência da sua inevitabilidade.
De um modo muito direto e nada macabro, fala-se da experiência da morte a vários níveis: de quem perdeu os pais, de quem perdeu os filhos, de quem se tentou suicidar, de quem enfrente uma doença terminal. Mas também de quem lida com a morte todos os dias: médicos, cuidadores, religiosos, cientistas, pisquiatras.
Interessante para estarmos conscientes de que não há morte sem vida nem vida sem morte, e que esta faz parte inexorável de quem somos. De um modo natural.
A morte assusta, talvez por isso continue a ser um tema tabu; talvez por isso continue a ser um assunto que nos deixa desconfortáveis e que evitamos a todo o custo. No entanto, tal como acontece noutras circunstâncias, acredito que retiramos algum do seu peso quando conversamos sobre ela - é uma maneira de a irmos aceitando melhor, até porque é inevitável.
Neste livro, construído de uma forma tão cuidada, transitamos entre o lado científico e o lado humano da morte, observámo-la a partir de várias vozes, perspetivas e manifestações. Com testemunhos que emocionam, Enquanto Vamos Sobrevivendo a Esta Doença Fatal também nos aproxima: no medo, na fragilidade, nas dúvidas e no facto de precisarmos todos de gerir o processo de luto.
Demonstrar fragilidades é algo que nos melindra e acho que adiamos este género de conversas porque ficamos altamente vulneráveis. Além disso, independentemente do quão bem estivermos resolvidos, não é fácil imaginar um mundo onde as nossas pessoas não estejam: ter esta noção de perda tão presente angustia. Comovi-me bastante durante a leitura, mas também me senti mais leve, porque este livro ajuda a relativizar certas questões e, sobretudo, a encarar a vida com outra sensibilidade.
Que viagem, este livro. Retrata um tema ainda difícil de abordar com clareza, reunindo vários testemunhos de pessoas que já lidaram com a morte de formas diferentes, e o intuito de destapar um pouco a cortina, como que a dizer «Olha, vai acontecer, por isso é melhor habituares-te aos poucos». E no fundo, como já diziam os Monty Python:
For life is quite absurd And death's the final word You must always face the curtain with a bow Forget about your sin Give the audience a grin Enjoy it - it's your last chance anyhow
Ao mesmo tempo que lemos histórias de pessoas e das suas vivências com a morte pensamos nas nossas próprias experiências em que a finitude, a tristeza e o vazio trouxe esse confronto com o sentido de estarmos vivos. Numa escrita fluída, colocam-se questões enquanto o autor eleva argumentos da ciência, da religião, da arte e da literatura. Não chegaremos todos a um epitáfio, mas descobrir na iminência da morte o caminho para sermos melhores pessoas, amarmos os demais e estimarmos os que nos rodeiam é, já por si, uma forma bonita de adiar essa doença fatal.
Ao longo dos capítulos destes livros, aprofundam-se as diferentes facetas da inevitabilidade da morte, seja do ponto de vista científico, religioso, filosófico, pessoal e intimista. Um ensaio que merece ser lido, ainda por cima quando, pelo peso da temática, foi recusado por três vezes até encontrar a editora certa.
Há muito tempo que não tinha um livro que prendesse a minha leitura deste o primeiro minuto . O tema… é sem dúvida uma forma diferente e especial também emocionante de ver a morte . Histórias que nos emocionam, mas também que nos prendem na leitura do princípio ao fim . Parabéns
Um livro importante sobre um tema tabu. Conversar sobre a morte é levantar questões para as quais não temos resposta, não deixando, no entanto, de ser essencial abordar um tema que todos nós, mais cedo ou mais tarde, teremos de enfrentar.
Um texto fascinante entre o ensaio e o registo jornalístico que mistura vivência pessoal com recolha de testemunhos, história, filosofia e uma profunda emoção. Para consultar uma e outra vez.
Como o subtítulo indica, esta é uma exploração pessoal das várias facetas da morte. Ao longo dos 12 capítulos que compõem o livro, o autor aborda vários aspetos como o que é a morte?, a ausência que esta implica, o suicídio, procurar um sentido para a morte (e para a vida), a possibilidade de imortalidade, entre várias outras questões que surgem a qualquer ser humano que reflita sobre este tema. Escrito com humor, bem fundamentado e documentado, deixa-nos muitas sugestões bibliográficas, caso queiramos saber mais.