Receber o dom de conseguir curar qualquer doença pode parecer irrecusável. No entanto, quando essa dádiva é adquirida através de um pacto com poderes obscuros, será de esperar uma compensação.
Amadeu, oncologista pediátrico, enfrenta este dilema, pois depara-se todos os dias com oportunidades para usar o seu poder curativo; porém, por cada alma que salva, outra terá de tomar o seu lugar. Uma por outra.
Nuno Gonçalves has been devouring books for 30 years. The joy of reading fueled his desire to one day see his own words on paper, bound, awaiting a reader. However, he chose a different path, and Medicine drew him in more than literature. He maintained his connection to books, reviving his reading habits and running a literary critique blog for several years. After embarking on a journey in fiction writing, he won the António de Macedo award in 2022 and Grande Prémio Adamastor 2024 with "O Pacto", his first novel, and was the Portuguese finalist for the EACWP micro-stories competition on two occasions (2022 and 2023).
Leitura super viciante. Foi o livro que li em menos tempo nos últimos anos, simplesmente porque não dá para parar de ler. Fico a torcer por uma prequela sobre o Osvaldo.
A minha primeira aventura num livro do Nuno Gonçalves e gostei imenso. O Nuno escreve bastante bem, conjugando vocabulário complexo com o mais acessível. No entanto, não foi só isso que me atraiu para este livro. É um livro que conjuga um pouco de ficção especulativa com o sobrenatural e o terror mas, na sua essência, a exploração das personagens é o que suporta todo o romance e, se me conhecem, sabem que é algo que aprecio bastante. Gostei particularmente da maneira como o Nuno explorou o tema da moralidade e de como, no mundo, as coisas nunca são a preto e branco. Movemo-nos nos tons de cinzentos e diferentes pessoas vão ter diferentes prioridades para cometer certos actos quando se deparam com certas "dádivas".
Gostei da maneira como as personagens que o Nuno escolheu para narrar tinham todas a sua voz bastante vincada, o que é sempre um ponto bastante positivo e mostra que existe uma reflexão na maneira como cada pessoa é pensada e escrita. Isto, depois, facilita a forma como o leitor se identifica com essas personagens e também faz com que queira descobrir o que vão fazer e até apoiem as suas decisões. Uma das suas personagens principais, o Doutor Amadeu, não seria uma pessoa que, normalmente, torceríamos, mas a capacidade do Nuno como autor faz com que queiramos acompanhar o percurso dele não só do início até ao fim, à medida que vai explorando temas bastante interessantes como a moralidade (que já tinha referido), a autodeterminação, altruísmo, segundas oportunidades...
Faz um uso muito bom das poucas páginas do livro (não me importaria de ler algo maior da parte do Nuno) e espero ler mais coisas da sua autoria no futuro, pois tenho a certeza que serão igualmente repletas de qualidade.
Li alguns trabalhos do Nuno antes de chegar a este "Pacto", por isso já conhecia o seu talento. Também achei ter deduzido a totalidade da trama através da sinopse - o dilema da personagem principal é algo que quase todos conseguimos imaginar e até, talvez, desejar. Ainda assim, fui surpreendida por uma perspectiva original e por algumas reviravoltas inesperadas. Que excelente surpresa, este livro! Muitos parabéns, Nuno. O prémio António de Macedo foi muito bem entregue.
Quem já leu alguns contos de Nuno Gonçalves não será pego de surpresa pela crueza dos personagens e pela qualidade da prosa presente no seu romance de estreia. A ligeireza com que conta a história e a habilidade ímpar de expor o que há de mais desprezível - e real - nas pessoas, tornam esse livro indispensável aos fãs de terror moderno ou de literatura fantástica.
Os pactos faustianos e o pior da natureza humana encontram-se, e mostram bem que a monstruosidade é algo de debatível, quando as premissas são especialmente complicadas. O Nuno, que tenho o prazer de conhecer, urde uma teia, com base numa barganha faustiana, onde os protagonistas se vão enrolando cada vez mais nas consequências das suas decisões e moral consequente. É sufocante o ponto a que, a certa altura, toda a gente está encurralada, (e sem dar spoilers), como de certa forma não deixará de estar. A linguagem o ritmo faz-nos sentir a textura dos horrores, e o livro não tem uma paragem para relaxar. Há uma ou outra transição entre os dois momentos primncipais da narrativa que parece um pouco abrupto, mas nada que afecte a estrutura geral e a vertigem que se quer criar. Talvez como unico ponto que me deixou alguma dúvida, é que o livro parece não acabar, ou será que temos aqui um universo criado ao qual o autor retornará? Vale bem a pena ler este livro. Vale bem a pena ler o Nuno. Vale bem a pena ler autores novos, de ficção, de terror, de fantástico. Recomendo!
Este foi o livro que li mais rápido este ano, simplesmente porque não o conseguia largar. Não estava mesmo nada à espera de todas as reviravoltas desta história, sempre que achava que estava a ir numa direção e que ia conseguir adivinhar o que vinha a seguir acabava sempre por ser surpreendida. Adoro como este poder de decidir quem vive e quem morre não está confinado apenas a uma personagem e conseguimos acompanhar estas diferentes perspetivas e motivações de diferentes ângulos, que depois acabam por se encontrar, quanto às personagens que conhecemos, mas que deixa em aberto a ideia de que existem muito mais pessoas com este poder. Concordo que devia haver um livro só para o Osvaldo! Para além disto, posso dizer que senti que consegui conhecer bem todas as personagens, mas gostava que o livro fosse maior para poder passar mais tempo com elas. Este foi um livro que me surpreendeu imenso!
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Recentemente fui a uma convenção e tive a honra de conhecer a mente por detrás deste livro, uma das pessoas que estava a ouvir o que Nuno tinha para dizer perguntou lhe se iria haver uma continuação do livro, e agora entendo o porquê de ele ter feito essa pergunta, o final é simplesmente incrível, da uma sensação de alívio e nervosismo ao mesmo tempo, a ver se temos a sorte de uma vaga de inspiração cair sobre o Nuno Gonçalves ou se cada leitor escreve a sua própria continuação na sua mente. ;)
O livro leva nos a pensar "e se fosse comigo?", seríamos capaz de ir contra todas as coisas racionais e cometer o crime para salvar quem mais amamos ou simplesmente quem não merece partir naquela hora?
Estou simplesmente sem palavras para descrever o quanto este livro me prendeu, cada decisão, cada conversa com o Velho, cada crime, cada piada seca das duas personagens femininas que encontramos, uma mistura perfeita entre o humor e o obscuro.
Um livro que se perde entre os contornos do fantástico e do sobrenatural e que nos leva numa aventura pelos limites da ética e dos princípios morais.
Mas dizê-lo assim é muito lato, pois toda a trama trax muito mais do que isto, traz entidades sobrenaturais, poderes ocultos, morte, doença, vida e uma veracidade dos factos médicos descritos que dão um verdadeiro suporte a toda a história.
Factos médicos sim, não fosse o nosso protagonista um oncologista pediátrico que vai ter muito mais à sua responsabilidade do que os seus pequenos pacientes e cujo seu sucesso pode ditar o futuro do mundo.
Foi um livro que me arrancou completamente à ressaca de leitura. Um livro que li em três sessões de Sprint de Leitura e que resultou em grandes clips nos quais se vê claramente a minha surpresa ao longo da leitura.
Um exemplo de uma história com demasiados ferros no fogo. A premissa aponta-nos para algo intimista, pessoal, que não tarda a crescer e a ganhar uma dimensão que cresce cada vez mais com cada página, ao ponto de mudar de sub-género.
A narrativa em si está bem construída e é de louvar o ritmo que é capaz de captar o leitor.
É uma obra muito bem escrita e uma premissa com potencial que podia ter sido levado a outras alturas com uma diferente abordagem ao nível da gestão de expectativas com o leitor.
This is one of those books that remind you why you love reading. With an engaging and straightforward writing style, the author skillfully balances mystery, emotion, and reflection in a very natural way. It’s an easy, fluid read, the kind you can finish in just a few sittings, yet it still leaves room to think about the characters’ motivations and inner conflicts. From the very beginning, you can sense that there’s more beneath the surface, and that subtle tension is what makes the story so captivating. The plot is clever and multilayered, unfolding its secrets at just the right pace, never rushed, never overdone. It’s easy to connect with the characters, to understand their contradictions, and to root for them even when their choices get complicated. There’s a real sense of humanity in the way the author builds the narrative, and that’s what makes it stand out. I finished the book with that satisfying feeling of wanting more. I'm genuinely excited for a sequel because there's clearly much more to explore in this universe.
Este livro foi uma experiência cativante e envolvente, que me prendeu do início ao fim. A história é intensa e as escolhas que os personagens são forçados a tomar criam uma atmosfera arrepiante. Ansioso por novos livros do autor!
Narrativa cativante que prima pela profundidade do leque de personagens que nos são apresentadas e pela forma fluida como nos são descritas, das mais inocentes às mais cruéis.
“Alguém sabe se não serão mais fáceis de suportar as dores terrenas do que as dores da eternidade?”
Um livro bem ao estilo do thriller de Stephen King.
A escrita do Nuno é escorreita, acessível e capaz de enredar o leitor para o universo criado.
Esta não é a história do Amadeu, da Susana ou da Marília. A tríade que cura, ressuscita e perspetiva. Nem a história do Osvaldo, que rapidamente personifiquei na gabardina do Wesley Snipes.
O Nuno escreve sobre a fronteira ténue entre o bem e o mal. É um tema de que gosto imenso e sobre o qual também tento escrever. O que é o bem e o que é o mal? No fim de contas, é tudo relativo, até para aqueles que, para salvarem alguém, têm de abdicar de outro alguém (ou matar).
O livro do Nuno é sobre a escolha. A decisão. O peso. A balança. O equilíbrio.
A forma como são enlaçadas as personagens e alguns capítulos é inteligente. Coloca-nos na perspetiva do mau da fita; nos sapatos do bom da fita.
“Sei lá eu o que é bom ou mau, o que é o bem ou o mal, o que é divino ou demoníaco.”
A discrepância entre o bem e o mal, entre o bom e o mau. Entre nome e adjetivo, entre objetivo e subjetivo. O Nuno consegue fazer-nos colocar em causa tudo isso nesta obra. Não é um thriller de trazer por casa como os da moda. Há um fundo claro nestas linhas, há uma mensagem. Isso, para mim, separa um livro simbólico de um descartável.
Foi uma maravilhosa experiência que tive durante uma manhã ao ler este livro. Para já é um livro que se lê bastante rápido, devido à sua escrita e à história empolgante. Para todos os mestres de terror, recomendo vivamente. É um terror leve, mas com uma carga emocional muito elevada, dado que envolve questões éticas (como a sinopse refere: “Uma vida por outra, para restaurar o equilíbrio”). Fez-me lembrar um episódio específico da série Supernatural, sobre um curandeiro que ao salvar uma vida, o ceifeiro levava outra. Parece uma mistura desta série, com Stephen King (vários livros) e Richard Matheson (“A caixa). Nuno Gonçalves é o nosso Stephen King lusitano. Agora entendo porque é um dos top de vendas, porque se o 1.º livro deste autor é assim, nem quero imaginar o que vem aí no futuro.
Inteligente e fugidio, o Pacto é um livro inesperado. Num volume tão pequeno, Nuno Gonçalves consegue criar personagens densas e credíveis, que se movem num comboio de acontecimentos estranhos e macabros, com um enredo muito bem construído e gerido com mestria. Gonçalves tem algumas capacidades raras enquanto escritor, sendo uma delas a habilidade incomum de mudar de direção dois ou três momentos antes do que estaríamos à espera. O efeito é de surpresa constante e de nunca conseguirmos perceber totalmente aonde estamos a ir, o que é precioso num thriller. Pequeno e imperdível, este livro faz-nos querer ler mais de Nuno Gonçalves o mais depressa possível.
Uma surpresa muito agradável, este livro do Nuno Gonçalves. Quem já tenha lido os seus contos ou microcontos saberá que por trás daquelas linhas está uma pessoa com talento, mas há sempre um ponto de interrogação quando se faz a transição para o romance. Se havia alguma dúvida, ele conseguiu desfazê-la em segundos. Uma premissa intrigante e conseguiu manter-me agarrada do início ao fim. Não diria que existe uma reviravolta chocante no final do livro, como tem sido tão recorrente nos últimos anos. Diria antes que o Nuno mantém uma perspectiva original o suficiente para manter a história interessante até ao fim. Adorei o facto de o Nuno ter transportado a sua experiência enquanto profissional de saúde para este "O Pacto". É dificil não imaginar que o dilema do personagem principal não lhe tenha passado pela sua cabeça algumas vezes. E se pudessemos salvar quem, à partida, não pode ser salvo? Que consequências traria? O que teríamos de sacrificar por tal pacto?
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O pacto de @nunormgoncalves deixou-me bastante indecisa sobre o que achar sobre a obra em si, sobre a história e a evolução do plot. Gostei muito do início, da introdução, senti que algo se perdeu a meio, ganhou-se de novo mais perto do final que me fez querer um bocadinho mais da obra
Um livro que se lê de um fôlego: até porque passamos quase toda a leitura de respiração suspensa, à espera da nova surpresa o autor nos colocará de seguida.
Imprescindível para quem queira acompanhar a nova ficção especulativa portuguesa.
📚 Este livro oferecemos uma visão do sofrimento humano quando vemos alguém que amamos à beira da morte e quando morre. Convida-nos a pensar o que faríamos se tivéssemos um dom daqueles. 📚 Recheado de dilemas éticos e morais. "Por cada alma que é salva outra terá de tomar o seu lugar."