Uma viagem empolgante de Lisboa até à Índia vivendo todos os perigos e tormentas que viveram soldados, tripulantes, mulheres, escravos nos séculos XV- XVII
Quem eram as pessoas que embarcavam na Carreira da Índia? Com que motivos? Como viviam dentro das naus? O que comiam? Quais os perigos que enfrentavam? Estas são algumas das questões desenvolvidas neste livro que, numa visão conjunta até agora inexistente, analisa a vida a bordo dos navios que permitiram a expansão marítima e o desenvolvimento do Império Português.
Marco Oliveira Borges, historiador e investigador das temáticas relacionadas com os Descobrimentos e a Expansão Europeia dos séculos XV-XVII, leva-nos a bordo da Carreira da Índia, dando voz a escravos, mulheres, soldados, marinheiros e outros tripulantes, para ficarmos a conhecer o quotidiano dentro dos navios da Expansão Portuguesa.
Ao longo destas páginas, o autor aborda temas a perceção que o homem tinha do mar e o medo dos naufrágios, a tipologia, a degradação e a sobrecarga dos navios, a composição social, a alimentação, a higiene, as doenças e os acidentes a bordo, as práticas religiosas, os passatempos, as diversões, a sexualidade e, por fim, as tensões e os conflitos que tinham lugar em plena travessia interoceânica. Uma viagem que durava cerca de seis meses, onde os tripulantes e os passageiros enfrentavam o medo de um mar feroz, a morte e a incerteza de chegar ao seu destino.
This book is an amazing and well researched description of life aboard the Portuguese vessels during the age of discoveries. Concentrating on the period between 1497 and 1655, the author (part of the new generation of Portuguese historians and academics that are beginning to look at our history in a more objective manner), explains how people lived, survived, struggled and (sometimes) died on their way to and back from India.
It is a wonderful work that has the added advantage of concerning itself also with the life of the common folk, who are so often forgotten when history is written.
Obra de leitura obrigatória, para conhecer este fenómeno que foi a Carreira da Índia e esclarecer muitas ideias falsas. Afinal, como conclui o autor, «Com a abertura do caminho marítimo para a Índia tiveram início as viagens oceânicas e perigosas do mundo» (p.301), e para uns ganharem, muitos perderam, inclusive a vida.
Excelente, o autor revela a desgraça dos incógnitos que mais sofreram com a “Epopeia dos Descobrimentos” Leitura a não perder. Os ídolos de pés de Barros (os ilustres) chamados de descobridores, apagaram da história os milhares que morreram com esta aventura. Já não falando da escravatura que garantiam a sustentabilidade da navegação. Parabéns ao autor que põe a crua a verdadeira epopeia.