A DEVASTADORA REPORTAGEM HISTÓRICA SOBRE A PARANOIA DAS CAMPANHAS PARA PROIBIR A LEITURA DE QUADRINHOS NO BRASIL ENTRE AS DÉCADAS DE 1930 E 1960. Adolfo Aizen e Roberto Marinho, principais personagens desta história, são os maiores responsáveis pela chegada ao Brasil de uma novidade americana que a partir dos anos de 1930 se tornou uma febre entre crianças e adolescentes e mobilizou presidentes da República, juristas, parlamentares, intelectuais, educadores, escritores, magnatas e as histórias em quadrinhos. Embora fizessem a festa da garotada e de editores como Aizen e Marinho, os gibis causavam arrepios nos guardiões da moral, polemistas de plantão, tubarões da imprensa e raposas da política, que, em coro, pediam censura urgente às revistinhas — "se não quisermos fazer das próximas gerações brasileiras sucessivas fornadas de cretinos", na sentença de Carlos Lacerda. Outros viam potenciais educativos nos Gilberto Freyre queria uma versão da Constituição de 1946 em quadrinhos para difundir os direitos dos cidadãos brasileiros. Grandes figuras da vida nacional, entre 1933 e 1964, se engajaram na heroica Guerra dos Gibis. Do Suplemento Infantil de Adolfo Aizen aos catecismos de Carlos Zéfiro, Gonçalo Junior narra uma aventura repleta de absurdos, intolerância, preconceito e ferocidade, feita de heróis e vilões de papel e de carne e osso. Agora, a consagrada saga de Gonçalo Junior volta em edição integral, revista e ampliada pela Conrad. Aventure-se neste livro inesquecível.
Gonçalo Junior conta-nos a história da introdução e (r)evolução das histórias em quadrinhos no Brasil. Inicialmente centrado na pessoa de Adolfo Aizen, o livro rapidamente nos projecta para o mundo das suas relações e da forma como a sua ideia - introduzir no Brasil os suplementos jornalísticos protagonizados pelas personagens de banda desenhada- revolucionou o mercado editorial, provocando as contendas que justificam o título do livro. Para além de explorar as batalhas editoriais e os seus protagonistas, são também abordadas as pressões que levaram a um processo lento e arrastado de censura das HQs, tendo como pano de fundo três décadas de clima social e político tenso, e a luta dos autores brasileiros pelo seu espaço no mercado. É de realçar a forma interessante como a interposição de diálogo e de transcrições (de cartas e outros documentos) com o texto de carácter descritivo altera a dinâmica da leitura. Como aspecto negativo, há, talvez, um subestimar do leitor, dada a repetição de informação facilmente assimilável, como exemplo as consequências da verdadeira nacionalidade de Aizen (facto descoberto pelo autor do livro e ,se calhar, daí a sua insistência). Um bom livro para os aficionados da banda desenhada que pretendem compreender melhor os bastidores da indústria/arte. Para os outros nem tanto.
A narrativa em muitos momentos me incomodou pelo rico volume de informações, para um historiador deve ser interessantíssimo, para um leitor que não esta aqui para estudar, essa forma de esmiuçar detalhe por detalhe cada momento torna o texto meio truncado em alguns momentos, porém digo que vale muito a pena a leitura deste, principalmente como aqui é mostrado que a historia dos quadrinhos esta muito entrelaçada a historia do entretenimento e na formação cultural do Brasil, até mesmo como tudo culmina na criação de uma das maiores emissoras de tv do mundo.
Li a segunda edição, revista e ampliada. E apesar de ser muito pesquisado e bem feito, a história é muito centrada em um único editor; para um livro deste volume, poderia abrir um pouco mais. Mas no mais gostei bastante.
O que mais gostei no livro não foi o volume de informações, nem os fatos históricos abordados. O que mais me marcou foi a capacidade de ajuntar os fatos em uma trama bem escrita que não parece um amontoado de informações.