«Eu acho que o Henrique é Faltava só uma palavra, era o parto ao contrário, já tinha saído o corpo todo e faltava unicamente a cabeça da frase, o cérebro da frase, o complemento que dava o significado integral à frase e Rogério, como um carro que desaprendesse de arrancar à primeira, soluçava num martírio solitário as sílabas até que a frase, gradualmente, fosse na cabeça só som, perdesse o contorno do significado e fosse apenas a música aleatória que as consoantes fazem quando se acasalam com algumas vogais selectivas e Marta, do seu lado, esperava pelo fim da frase com os pés bem calcados no soalho do carro, com as mãos a agarrarem os estofos com a força possível, como todo o corpo eriçado como um gato a quem quisessem tirar da caixa no veterinário. O Henrique, Marta, eu acho que ele é autista.»
Em que medida somos definidos, ou nos deixamos definir, pelas expectativas que criamos? E como geri-las quando se trata de um filho? Daquele para quem queremos tudo o que há de melhor no mundo? Que queremos que consiga alcançar tudo aquilo a que se propuser, ser aquilo que quiser?
É importante partir para este livro com a informação de que o autor tem, ele próprio, um filho que se encontra no espectro do autismo. Só assim é possível encarar este livro como o que pretende, a meu ver, ser: um livro catarse.
Esta é uma história marcada de escolhas, de dificuldades em lidar com as expectativas criadas em relação a um filho imaginado, aquele que é tão diferente do real. Mas, na realidade, alguma vez os filhos ou os pais e mães são aquilo que se imagina ou espera?
Não esperem tranquilidade e certezas quando este livro vos chamar. Este é um livro claustrofóbico e asfixiante, em que damos por nós a pensar “o que será que faria nesta situação?” ou “quando é que este pesadelo acaba?!”.
Com um estilo de escrita frenético e despudorado, quase bruto, e personagens muito ricas e francas, Valério Romão obriga-nos a ver, mesmo quando queríamos desviar o olhar por um momento, e respirar.
Confirma-se que “fanizei”. E bem!
E vocês, já leram algum dos livros dele? Quais? E quais os vossos favoritos?
"E finalmente aquilo tinha um nome, um nome que soava a agressão, a incerteza e a insegurança. Tinha-se operado a inversão pela qual o Henrique deixava de ser uma criança especial com peculiaridades, para passar a ser uma criança especial com aspectos comuns a todas as crianças. Era a revolução copernicana a operar a reviravolta do centro gravitacional e a submeter qualquer visionamento futuro à escravidão da perspectiva que acabara de se instalar. "
Quando um casal recebe a notícia que vão ser pais, seja do primeiro filho ou do 10°, só tem dois desejos: que seja perfeito e saudável. Estes eram os desejos de Rogério e Marta, pais pela primeira vez viam em Henrique, como todos os casais, o fruto do seu amor e depositavam nele todas as expectativas de futuro sonhadas por eles. Mas a vida por vezes tem o condão de gorar essas expectativas e desde muito cedo os pais viram que Henrique era diferente, não interagia, não falava, não controlava os esfincteres e fazia movimentos repetitivos. A explicação para a diferença de Henrique veio sob a forma de um diagnóstico : Autismo. Quando Henrique tem um acidente grave e enquanto os pais aguardam que os médicos comuniquem o seu estado, o autor transporta-nos para o inicio da vida deste casal, pelo nascimento e crescimento do Henrique e finalmente para o que acontece após o acidente. Como mãe de um menino neuroatipico revi-me em muitas situações pelas quais passaram o Rogério e a Marta : a negação de o nosso filho ser especial, tivemos o nosso "Fabuloso Dr. Miguel Relvas", as terapias, a falta de preparação da escola, o desgaste do casal mas principalmente a incerteza do amanhã. Comecei com o pé direito na obra de Valério Romão, comecei com um livro duro mas arrebatador onde a escrita fabulosa do autor me deixou rendida e me deixou com vontade para conhecer o resto dos seus livros, O Da Joana será o próximo.
Este livro deixou-me com dificuldades respiratórias...De maneira que agora ando a arfar...completamente!Eu nem sei se tenho pulmões* Este livro inala e exala tanta dor,só dor,que me sufoca e me leva a confundir o oxigénio com o dióxido de carbono o que,por si só,é um perigo de vida! Esta minha falta de ar é uma espécie de reacção bioquímica...ao tema do livro!Não sei se teria energia para enfrentar o autismo de um filho! Ai que tenho tanta sorte e nem sempre a sei agarrar! Um livro violento para ler e entranhar!!!Não dá para fugir... Só me apetece pedir desculpa mas não sei porquê nem a quem... Desculpem*
A escrita é razoável. O estilo é muito variado, que inclui páginas de blogues, relato de sonhos (odeio), grafia estilo poema e, no final, uma carta; enfim, uma salganhada. O assunto é pouco mais do que discussões entre casais. Mas como este livro tem uma média de 4,43 no Goodreads, admito que sou eu que sou parva...
O que é que se passou aqui? Este livro é fortíssimo... É tareia do início ao fim... É um sufoco constante... E este final?! E está revelação?! Como assim?? Tenho que processar este livro.
Apesar de cronologicamente ser o primeiro foi o último que li da trilogia. Lê-se como um thriller e mantém muitos dos temas dos outros dois: doença/internamento, paternidade, família. Neste volume o tema central é o autismo e o impacto que tem nas relações familiares. Foi mais numa leitura turtuosa em que sentimos empatia com as personagens que estão muito bem desenvolvidas. O progresso da história é lento e sentimo-nos presos na situação tal como n' "O da Joana". A revelação final é tenebrosa mas para mim foi um bocadinho previsível.
Apesar de ter gostado das leituras ao acabar de ler a trilogia sinto-me aliviado e preciso de ler qualquer coisa mais leve com urgência.
Numa sociedade de brandos costumes, fundada em verdades feitas e iludida por estatísticas enviesadas ante uma hipnótica curva gaussiana, a diferença conquista um estatuto de tabu. Entre silêncios e negações, tudo aquilo que sai da norma é olhado de soslaio, submetido a um julgamento injusto, pejado de uma incompreensão imensa. Se, a nível ficcional, já faz eriçar o pelo, o que dizer das experiências reais, vivenciadas na primeira pessoa ou narradas por outro alguém?
O título não deixa espaço para dúvidas. A história aborda os quês e os porquês de uma criança com autismo, uma doença comparada a uma chaga. Devido à falta de noção do outro, Henrique vive num mundo próprio, sob uma baça redoma de vidro, impedindo-o até de enxergar a sua família. Ante este abismo, em queda livre, acompanha-se a dura luta, de pais e avós, para integrar Henrique na sociedade, tentando ultrapassar todos os sucessivos entraves - desde a parca resposta social para a patologia em questão até à ostracização da doença e da criança.
Tendo em conta os meandros do autismo, é expectável a ausência da perspectiva de Henrique. Esta é construída com base nas intervenções dos restantes membros da família: por registos de chamadas telefónicas, por entradas de um “Blog” e pela narração dos factos, tudo num tom coloquial, que engrandece o drama vivenciado, tal a proximidade que garante. No entanto, a narrativa principal pode acusar cansaço pelo desmedido alongar das cenas, culminadas num final abrupto e impactante. Destaco ainda a primorosa edição, complementada por ilustrações que remetem para a própria infância.
O caminho para aceitar a diferença poderá ser longo mas tem de ser percorrido e se, tal como o carro da capa, capotarmos, teremos de nos erguer e seguir adiante!
“Porque é que eu não aceito o Henrique? Que tipo de filho eu queria ter? Tinha alguma expectativa em ter um filho de tal modo que até uma carreira já lhe tivesse definido? Eu até sou aberto e inclusivo, mas o Henrique é um problema que eu não consigo integrar. E não devia. A Marta aceita-o melhor do que eu, de alguma forma já fez as pazes com o autismo, eu não consigo, eu estou sempre a ver se nos livramos do autismo para ficar com o Henrique, e isso não acontece.”
Um livro agreste, tenso, arrebatador, imprevisível e muito perturbante, sobre os efeitos do autismo de uma criança, nas relações dos membros de uma família. Depois de ter lido “O da Joana” e “Autismo”, livros que me deixaram muito perturbada, ainda não tenho a certeza, se gosto ou não de ler Valério Romão. “Uma escrita que lembra rapidez e pontaria: ninguém escreve como Valério Romão.” (HUGO PINTO SANTOS )
Comprei este livro numa livraria lisboeta. Não foi numa dessas que toda a gente conhece. Os preços dos livros, na loja a que me refiro, estão estampados nas primeiras páginas. No entanto, quando comecei a folhear, não encontrei o preço. Quanto custa?, perguntei ao livreiro. Respondeu-me que não havia escrito o valor nas primeiras páginas para não estragar as ilustrações que dão início à história. De alguma forma, senti que existia ali um cuidado especial com o objecto livro, que a livraria não se resumia a um lugar que deve beber lucro, mas que olha para as páginas como parte de um todo muito importante. Saramago dizia que temos a mania de romantizar tudo, talvez seja o que estou a fazer. Não vou aqui escrever sobre o autismo. Sou ignorante nesse aspecto. Além disso, este livro é muito mais, embora o tema central seja esse. Começo por lembrar uma expressão muito utilizada quando alguém questiona o sexo de um bebé que, eventualmente, vai nascer: “é menino ou menina? O que interessa é vir com saúde!” Espera-se sempre que, do nascimento, venha um ser humano quase perfeito, sem limitações, pronto a crescer, forte, preparado para dar cabeçadas à vida. Rogério e Marta, pais de Henrique, não tiveram essa sorte. Aperceberam-se de que aquela era uma criança diferente das outras. Dessa condição, surge um mundo novo, duro, cruel. O casamento é colocado constantemente à prova, as relações humanas transformam-se de dia para dia, como se descessem uma escada sem retorno. Valério Romão destapa, nestas 353 páginas, a condição humana. O egoísmo, sobretudo, comum a pessoas tão diferentes, que aqui se lê como uma farpa que se crava na realidade. A nossa realidade. Convido-vos a ler este excerto da página 20 e 21, que vive na voz de Abílio, avô de Henrique: “Nós somos assim, cheios de pressa de barrar a manteiga, de dar conselhos, de mudar uma porta de sítio para reconfigurar a geometria doméstica. Como toda a gente, temos planos, e são eles as âncoras que jogamos rente ao futuro, para nos movermos à força de braços para lá. Os mais novos, é claro, têm planos feitos da mesma imprestável merda, mas envernizam-nos com uma camada sonhada de grandiosidade que consiste em chegar a chefe de repartição ou em comprar uma casa maior. Na verdade, todos os sonhos são ridículos e é o ridículo que nos move, mas os velhos riem dos novos e os novos riem das crianças, e o riso é intergeracionalmente estanque, e é isso que mantém o circo a funcionar em contínuo (...)” A narrativa conta-nos os pontos de vista das várias personagens. Todas elas me levaram, enquanto leitor, a olhar o problema de diferentes perspectivas. O amor que se sente pelo Henrique existe, é genuíno, penso que essa força se aplica a toda a família. No entanto, como vamos aprendendo ao longo da vida, os afectos mais fortes também nos podem trazer tristeza, luta, frustração, desejo de morrer. O autismo não é o único problema de uma casa. É esclarecedor pensar que essa é uma condição que que, enfim, não se pode decidir ter ou não ter. Se assim fosse, não existia. No entanto, aquilo que somos para os outros, aquilo que fazemos a respeito das nossas vidas, dependerá da nossa bondade, da nossa maldade, do nosso egoísmo, da nossa esperança. Não deve existir culpa na inocência.
O Rogério e a Marta amavam-se e tiveram um filho, o Henrique. Ter um filho é uma coisa maravilhosa, mas muda tudo. Muda a forma como encaramos a vida ou como olhamos para os outros. Muda também a vida de casal, as rotinas, as prioridades. Imagino que essa mudança seja ainda maior quando o filho é diferente, tem necessidades especiais. Como o próprio título indica, a diferença de que aqui se fala é o autismo.
Esta é uma história que prende e que se vai desenvolvendo de forma frenética, não faltando um final surpreendente e um pouco macabro. Quem já leu outras coisas de Valério Romão não ficará surpreendido.
Mas neste caso não é o enredo que importa. Este é um livro sobre as expectativas dos pais relativamente aos seus filhos. O que fazer quando a realidade é tão diferente do que esperavam? Que sentimentos os assolam? Os pais que, neste caso, querem o melhor para o seu filho mas que são confrontados com dificuldades e obstáculos constantes. Às vezes há progressos a festejar mas outras vezes parece que tudo volta ao princípio.
O autor tem um filho autista e, talvez por esse motivo, temos aqui principalmente a visão de um pai. Um pai que tem dificuldade em fazer o luto relativamente ao filho imaginado e que lamenta ter perdido dimensões da sua vida, de quando ainda não era pai. Que nem sempre entende que a sua companheira passou a ser mãe e que isso, ainda mais neste contexto, passa a estar no topo do seu ser.
Uma escrita crua, dura, forte, que nos impele a continuar, se aguentarmos o embate. Não deixa ninguém indiferente.
A narrativa tem um início muito gráfico e chocante que, vem a revelar-se, não tem absolutamente nada a ver com a história, talvez, dando o benefício da dúvida, numa tentativa de caracterizar a personagem em causa que nem sequer é a personagem principal.
O autor faz uso de uma escrita muito dura, bruta, rude e, por vezes, sarcástica. Nunca vai direto ao assunto, assume-se com muitos rodeios, usando muitos palavrões e asneiredo ordinário, desnecessário ao fluir da narrativa.
Achei o autor, através da linguagem veiculada, muito arrogante e, por isso, não consegui estabelecer empatia com as personagens, apesar de o assunto central ser um tema bastante sensível.
Todo o livro é uma enorme perífrase, com assuntos periféricos e sem interesse, que poderia reduzir-se apenas ao último capítulo.
Tinha curiosidade em ler o segundo volume das Paternidades Falhadas, «O da Joana», que, ao que consta, é sobre a violência obstétrica, mas, sinceramente, depois desta leitura, não estou capaz de arriscar, pelo menos não para já.
Tenho muita pena de não ter tido uma boa experiência de leitura, as expectativas altas também não ajudaram.
Eu acho que é um grande livro, de tal forma, que até convidei o Valério a fazer uma pequena apresentação do seu livro na minha escola. Foi uma experiência muito gira. Acredito que seja um bom candidato para o prémio Camões. :)
Este foi o último que li da trilogia Paternidades Falhadas. Deixei para o fim o primeiro, que diziam até ser o melhor. E concordo. Livro excelente! É impressionante o impacto que a leitura causa. Ao lê-lo senti angústia, medo, sufoco e revolta com a situação de Henrique, a criança autista, personagem central da história para cuja doença todos gravitam. O desenvolvimento das personagens é dos mais interessantes que já li. Vamos percebendo a história de uma mãe, pai, avós maternos, relatada de vários prismas e com formas de linguagem diferentes (entradas num diário, chamadas telefónicas, relatos ocasionais, entre outros). A crueza e pureza destas pessoas é sublime e não escamoteia nem é politicamente correta. O tema que destacaria é o das expectativas. O que é isto de ter um filho? O filho dos nossos sonhos versus o filho real. Como nos adaptamos e recalibramos a nossa realidade com o que temos? Podemos fugir? O que é disto das relações, de pais e filhos, de marido e mulher, a relação consigo próprio, como ficam afetadas com a desilusão ou o desespero? Escrita rica, envolvente, dura e inovadora.
TW: Referência a Droga, Pensamentos Suicidas, Abandono; Linguagem Explícita
Um livro doloroso, que nos tira de qualquer zona de conforto, até porque nos impulsiona a refletir sobre escolhas, sobre expectativas e sobre aquilo que seríamos nós a fazer, caso estivéssemos no contexto dos protagonistas. Com uma escrita frenética e crua, Valério Romão construiu uma narrativa que chega a sufocar, que nos aflige pelo desnorte, pela falta de respostas e pela sensação de estarmos a falhar num papel bastante específico - e, aqui, refiro-me a um «nós» pelo simples facto de nos sentirmos parte deste enredo, que se torna tão pessoal. Colocando o espectro do autismo como peça central, não só nos deixa mais conscientes do mesmo, como também nos convida a reconsiderar tudo aquilo que implica: em quem o sente na pele, nos pais, no casal, na família. Porque as repercussões afetam um todo, diariamente, mesmo que em graus distintos. Acho que ainda estou a processar o final.
Adquiri este livro na Feira do Livro, quando estive a dar uma mãozinha no stand da Editorial Abysmo. Já tinha ouvido falar do autor e estava ansiosa por experimentar um dos seus livros, pelo que comecei com o primeiro de uma trilogia sobre o “pai ausente”. No entanto, estava com receio, por ter ouvido falar tanto do autor e da sua brilhante escrita: por um lado, tinha receio de me irritar com a escrita e achá-la petulante; por outro, estava desejosa de me tornar fã. Acho que foi o que aconteceu.
Contado sob as perspectivas de vários membros da família, este livro conta-nos a convivência com uma criança autista, não verbal, que sofre um acidente. Assistimos a vários episódios, mais ou menos contínuos, nomeadamente o exasperante tempo de espera no hospital. Mas também recebemos alguns flashbacks sobre o que aconteceu quando se descobriu o problema da criança e que soluções foram tentadas pelos pais.
No meio disto, através de uma construção de personagem cuidada e detalhada, podemos conhecer um pouco da relação entre os pais e os avós e as consequências que o problema (não lhes chamemos doença) teve na vida quotidiana e concreta destas pessoas.
A escrita em si é brutal, sem vergonhas nem pudores, com cenas de uma violência emocional extrema e situações tão reais como absurdas dentro do contexto em que as encontramos.
Este é um drama forte da vida real e qualquer um de nós poderia ser uma destas personagens. Gostei muito e confirma-se: virei fã!
Autismo é um perturbante romance de Valério Romão (nascido “em França, nos idos de 1974.”). A edição é da Abysmo (Abril de 2012, ilustrações de Alex Gozblau).
O autismo de uma criança faz deflagrar uma violência – relacional, comportamental – numa família (com referências reais) e o romance tece-se numa estrutura que procura dar(-nos) conta dessa violência e do que ela arrasta, procurando evitar, contudo, que o leitor não seja de todo submergido na teia de morte que atravessa a narrativa, tanto mais forte quando muitos dos leitores sabem (ou adivinham) que por detrás da literatura medra (ainda?) a poderosa teia do sofrimento e da culpa.
Um livro muito bem construído, que agarra o leitor desde a capa à contracapa e aborda o tema do Autismo com um sentido realístico e sem porta aberta à fuga humana. Uma narrativa com um carácter de simultaneidade dos vários discursos muito interessante e que contribui para a sua verosimilhança. Um livro para ler, passar ao outro e também ao mesmo.
Como mãe de um menino com Autismo, este livro foi muito muito duro de ler. É-me difícil compreender, mas, na medida do possível, não julgando, que um pai/mãe não aceite um filho por causa de uma doença. Se o seu filho "perfeito" sofrer um acidente e deixar de o ser, o que é que os pais irão fazer?
O Autismo traz avanços e recuos, às vezes mais recuos... Mas o mundo maravilhoso que o meu filho me mostra é imensamente superior a todos os recuos❤️