"Antes de entrar no coração de alguém, é preciso tirar os sapatos, passar as mãos na sola dos pés para afastar pedrinhas, poeiras, pedacinhos de algo, estilhaços de vidro. Porque quando se vai embora, o que se levou fica lá. E é verdade que um imperceptível grão se transforma em pérola. Mas, até que aconteça, a ostra sente muita dor."
Meu coração diz teu nome é simplesmente cativante porque atesta uma das marcas da Cris Lisbô explicar o impossível ou falar de forma profunda sobre nós e sobre nossos sentimentos. No decorrer das páginas, o que temos é um jogo de espelhos em que ver o outro é encontrar a si mesmo, enxergar a si próprio.
É bem provável que, assim como eu, o leitor se sinta vulnerável. Eu, que parei há algum tempo de romantizar muitas coisas na vida, encontrei nesta leitura uma reflexão delicada que nos mostra que esse é um dos caminhos. Por que não?
Afinal, as dores e as alegrias de ser quem se é não são fáceis. É preciso descaber, desafiar o que aprendemos desde que chegamos neste mundo para... caber. Vivemos métricas, prateleiras e um mundo etiquetado, cheio de espelhos, dedos e julgamentos multiplicados e, agora, telas. Os mesmos dedos que apontam são os que apagam as luzes no entorno. Para mim, a beleza, no entanto, são as "coisas acesas por dentro".
Esta história me amoleceu porque transforma a vulnerabilidade em nossa maior virtude. Regou a coragem de me vasculhar e de não deixar que minha voz seja tomada pelo que pensam que eu sou. Me trouxe o desejo maior de escolher caminhar consciente, singular e imperfeita — e com uma luz acesa que apenas eu tenho o poder de a de dentro.
O livro foi inspirado em uma história familiar, duas irmãs gêmeas, uma nascida com um hemangioma cobrindo parte do rosto. Eu queria ter lido esse livro com 14 anos, mas ele só nasceu agora. Sou fã da Cris Lisbôa que de maneira simples mas profunda e amorosa consegue dizer tudo aquilo que está preso na garganta. Eu não queria que o livro acabasse, cada capítulo é um afago naquela criança ferida que trazemos conosco nos dias de hoje, uma esperança de que podemos ser nós mesmos com um pouco de coragem. Uma prosa poética que mergulha nas profundezas da protagonista que poderia ser qualquer uma de nós, que pode ser uma amiga, uma irmã, qualquer uma que está afogada nas críticas, nas palavras cruéis que já escutou e que deixou permanecer na sua vida. As palavras de Cris Lisboa vão te abraçar e acarinhar e você vai ouvir uma voz interior dizendo “tudo vai ficar bem!”. E um livro para ser lido e relido sempre que precisar de um cafuné ou uma palavra amiga.
cada parágrafo, cada capítulo deste livro tem a cara, o cunho, o amor e a magia de Cris Lisboa. é ela, do início ao fim, com a sua escrita cativante que me soa sempre a música de embalar! ❤️
A Cris faz chover luzes dentro da gente com sua escrita!! Esse livro foi um encanto e virará meu livro de cabeceira, sabe aqueles que gente voltar e reler sempre que se esquecer da beleza que é ser a gente msm?
“Na escuridão, a luz decide o que a gente pode ver ou não. O problema é que quando a escuridão é do lado de dentro, só quem pode acender a luz somos nós.”
Há pouco menos de um ano, eu terminei o meu Doutorado onde estudei o Caio Fernando Abreu. E estou gostando de enxergar a genealogia literária que ele deixou impressa na Cris, para muito além das epígrafes. Comprei esse livro de uma maneira completamente aleatória, em dias de angústias passadas que precisavam de respostas presentes, e quase sempre trato de buscá-las na arte, em Deus, no vinho, nas verdades que podem doer um pouquinho. Deixei-o descansando na estante. Hoje, depois de uma semana excessivamente quente, longa e cansada, agarrei-o como companhia. E acho que fiz bem. Agora, terminada a leitura, faço o que não tenho por hábito fazer, derramar adjetivos sobre as palavras ilustradas sem muito me explicar: Lindo, sensível, importante. Saber se enxergar é muito bonito.
Lido 2024- 27/02 Achei lindo. Tem um Q especial porque Matheus me deu esse livro quando completamos 4 meses de namoro. Amor, meu coração também diz teu nome. Obrigado, Matheus. Obrigado, Cris Lisboa. Vocês usam bem as palavras <3
uma leitura leve, bem tranquila além de ser uma obra bem rápida de ser lida e ser muito fluída, uma obra gostosinha, capítulos bem curtinhos, ótima para passar o tempo e relaxar, um título bem impactante, assim como a história!!
Meu Coração Diz Teu Nome, livro escrito pela brasileira Cris Lisbôa, é inspirado numa história verdadeira. A história de 2 irmãs gémeas idênticas não fosse o hemangioma (mancha) que cobre parte da cara de uma delas. O livro, contado na primeira pessoa por essa gémea, aborda os sentimentos de quem é diferente, mesmo que não se sinta assim. Mas os outros, com os seus olhares e atitudes, recordam e reforçam sempre essa diferença, tornando impossível passar desapercebido. Um pequeno livro, de leitura muito fácil e fluida mas que aborda questões importantes e nos mostra o quão ser diferente, por mais pequena que a diferença seja, pode ser determinante para o futuro de uma pessoa e condicionar a forma como os outros a veem e se relacionam com ela.