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O Que É Ser uma Escritora Negra Hoje, de Acordo Comigo

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Da autoria de uma das maiores vozes literárias de hoje, eis um ensaio pessoal

que problematiza o lugar da mulher negra escritora no mundo presente.

«Fosse eu minha trisavó, preta de carapinha dura, e o meu destino seria o chicote. Ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo, uma mulher deste tempo, é escrever contra esse facto, carregando-o às costas, sem deixar que ele me tolha.»

Escrever é-lhe essencial, é na escrita que se encontra, se define, se questiona, se apazigua, foi na página que descobriu poder ser o que antes lhe havia sido impossível ser plenamente. E, no entanto, a escrita, e ainda mais viver da escrita, ter-lhe-ia sido vedado, tivesse a escritora nascido décadas antes.

Numa reflexão pessoalíssima sobre o que é ser mulher, escritora e negra hoje, Djaimilia Pereira de Almeida, uma das mais destacadas vozes da literatura em língua portuguesa, encara a contradição que é, para uma escritora negra, viver no melhor dos tempos sem se deixar apanhar pela armadilha que esse privilégio pode encerrar.

É com liberdade que Djaimilia vai exercendo o chamamento que esteve vedado às mulheres da sua vida, como a incontáveis outras mulheres negras antes de si. É com consciência do passado e do presente que vai tacteando o espaço que existe no mundo de hoje para uma mulher negra que escreve.

Sobre O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo:


«Um poderoso manifesto sobre a construção da identidade. (...) Encontra a sua verdadeira grandeza, de um modo um tanto paradoxal, num elemento que muitos consideram ser acessório, mas sem o qual todo o discurso perderia o a paixão firme de um ser humano - no caso, negra e mulher - pelo ato de contar histórias através da escrita.»
Sérgio Almeida, Jornal de Notícias

Sobre Luanda, Lisboa, Paraíso

«A dialéctica dominante consiste no contraste entre a terra prometida e a vida sofrida, entre a penúria e a alegria. […] Luanda, Lisboa, Paraíso,imaculadamente escrito, é mais atento aos outros, mais ficcionado, mais triste e comovente.»
Pedro Mexia, Expresso

«Romance pungente, lírico, contido, cerzido com simbolismos e imagens poderosas, que […] narrauma demanda sacrificial marcada pelos acidentes da vida e pelo desfazer das ilusões pós-colonialistas.»
Sílvia Souto Cunha, Visão

«O que escreve Djaimilia Pereira de Almeida pode entender-se como poderosa ferramenta de transformação da visão da paisagem humana portuguesa.»
Inocência Mata, Público

«A autoratece as frases com a maestria de uma artesã. [Uma] escrita entrelaçada — tão delicada quanto resiliente.»
Folha de S. Paulo

«Este romance o levará da angústia à melancolia, da esperança vã à desesperança, passando pelo desespero. Como é possível que este arco dramático do nada ao nada seja encantador comprova-se pelo talento indiscutível de Djaimilia Pereira de Almeida em amar seus personagens e nos fazer amá-los tamb

81 pages, Kindle Edition

Published October 23, 2023

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153 people want to read

About the author

Djaimilia Pereira de Almeida

22 books194 followers
DJAIMILIA PEREIRA DE ALMEIDA nasceu em Luanda em 1982. É licenciada em Estudos Portugueses, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Teoria da Literatura (2006) e Doutorada em Estudos Literários (Teoria da Literatura) (2012), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prémio de Ensaísmo serrote atribuído no Brasil pela revista serrote, do Instituto Moreira Salles. Fundou e dirige a Forma de Vida (www.formadevida.org). Trabalha na Fundação para a Ciência e a Tecnologia e é, desde março de 2021, consultora da Casa Civil do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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Displaying 1 - 26 of 26 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
948 reviews341 followers
May 2, 2025
Uma das coisas que me entristece é ver, por exemplo, que, se o escritor ou escritoras são negros, as pessoas estão interessadas em ouvi-los falar se eles falarem sobre racismo. Se eu falar sobre outras coisas, sobre a vista da minha janela ou uma futilidade qualquer que apareça à minha frente... Posso fazer isso? Será que há espaço para isso, sendo eu uma mulher negra? E a conclusão a que vou chegando é que não há.

É bastante provável que, como a autora diz, não tenha espaço para escrever sobre coisas mais corriqueiras e mundanas, sendo negra. Ela o saberá melhor do que ninguém. Apesar de ter chegado ao fim deste livro com a certeza de que não abarquei tudo o que a autora quis dizer, de uma coisa eu sei, quero ler outras obras de Djaimilia Pereira de Almeida.
Profile Image for Katya.
489 reviews3 followers
Read
April 30, 2025
Foi escrevendo que me encontrei com a minha pele. Escrevendo, entendi-me negra. Fui além do segredo e, de uma vez, acertei o passo comigo.(...) Os meus livros são quem me defende no mundo. Sou uma mulher negra em livros. Eles são a minha defesa do mundo.

Djaimilia fez-me sentir com este livrinho algo muito próximo daquilo que senti com a leitura de Sei porque canta o pássaro na gaiola: um alheamento que me choca. Um alheamento de ser o outro. Ou melhor, a outra. A mulher negra. Porque ambas as autoras tornam muito evidente que ser mulher e ser uma mulher negra são coisas muito diferentes. E são. E não são.
Mas, para começar este raciocínio, é preciso ter em conta que a história inicial do feminismo não se descolava de uma outra história de opressão, a história do racismo. Caminhando de mãos dadas, é óbvio que o feminismo retirava muita força deste apoio, destes números. Mas, a partir do momento em que o fim da guerra civil norte americana concede ao homem negro o direito de voto, esquecendo, como sempre a mulher, ocorre uma cisão muito infeliz no movimento sufragista e, consequentemente, na primeira onda do movimento feminista. Apartadas por questões de classe (que já tinham dificuldade em gerir) e agora também de raça - para utilizar o termo menos polido de Angela Davis - as mulheres vêem-se cada vez mais divididas entre si por um movimento cujas lutas já não parecem muito dirigidas a erradicar diferenças de género, mas mais apostadas em sublimar subtilezas culturais, profissionais ou académicas, acabando por enaltecer divisões irrisórias de que ninguém precisa.
Consequentemente, as divisões internas do movimento feminista têm vindo a forçar um outro feminismo, ou antes, outros feminismos. O feminismo negro, o feminismo judaico, o feminismo islâmico, o indiano etc. E dividindo a filosofia, estes novos feminismos dividem as pessoas, fazendo com que a luta de uma Djaimilia me seja (como a muitas outras mulheres, não tenho dúvida), muitas vezes, vergonhosamente alheia. Alheia porque me faz sentir privilegiada no papel de mulher branca, europeia; alheia porque me faz perceber que há uma lacuna entre duas mulheres que muitas vezes se preenche com uma cor quando poderia antes ser preenchida com sororidade.
De repente, a luta já não é por uma sociedade igual para homens e mulheres porque as mulheres não se conseguem rever numa única expressão. Na palavra Homem cabe o Mundo, porque não na palavra Mulher?
Tudo isto para dizer que, e apesar da fortitude deste texto, me senti muitas vezes incapaz de medir o grau de dificuldade que uma mulher negra e uma escritora negra atravessa no mundo e no mundo editorial/cultural:

Serei uma mulher ou uma coisa? É uma preta uma pessoa ou uma divisa?

E se, por um lado, aprendi imenso sobre a minha própria visão do outro; por outro lado revi alguns conceitos discriminatórios para os quais colaboro, mesmo que inconscientemente, e que não quero continuar a perpetuar. Coisas tão simples como olhar a história do ponto de vista do pequeníssimo privilégio, mas ainda assim, privilégio da mulher branca...

A data do meu nascimento é o meu maior privilégio. Peso cada palavra. Houvesse eu nascido setenta anos antes, e não haveria lugar para estas linhas, ou para qualquer dos meus livros.

...ou de pensar a cultura como um mundo de oportunidades equitativas:

«Se eu agora desatar a escrever sobre plantas e jardins e casas de banho e torneiras, alguém vai querer ler a escritora negra a falar sobre isso?»

O que nos leva ao início de tudo. Feminismo é uma coisa ou várias coisas? E sendo várias coisas, isso torna-o mais forte ou mais fraco? Porque eu não acredito num feminismo negro por oposição a um feminismo branco, mas sei que é exatamente assim que procedo e procedemos todos - apartados - enquanto não assimilarmos que a alteralidade faz parte da identidade, e que uma mulher é muitas mulheres.
Gostei da Djaimilia (as suas reflexões não são apenas lúcidas e emocionantes, mas também pertinentes), mas sinto necessidade de começar a ver um apelo para a evolução de um Feminismo em vez de vários.
Posto tudo isto, caramba, que leitura dura!
Profile Image for Rute Durão.
210 reviews12 followers
December 13, 2025
Deixo a minha opinião, que é em contra corrente a muitas outras, mas é apenas a minha e, como tal, vale o que vale.

Após a leitura muito apreciada de outros livros da autora, este foi um desalento. Não foi porque tivesse expectativa alta, foi mesmo porque não encontrei um discurso consistente. Pode ter sido a minha leitura, mas parecia cheio de contradições.

Se, por um lado, a autora veste com orgulho a noção de ser uma mulher negra que escreve, por outro questiona Se eu agora desatar a escrever sobre plantas e jardins e casas de banho e torneiras, alguém vai querer ler a escritora negra a falar sobre isso?, logo recomeça pela necessidade de escrever sobre a restituição da interioridade negra.

Sou filha de retornados, mas não sou retornada, sou refugiada. Os meus pais não foram colonos, foram idiotas num tempo de idiotas. Não conheço o país onde nasci, que é o mesmo da Djaimilia. Cresci pobre em dinheiro e dei a volta ao destino que me estava predestinado. Oportunidades vedadas à minha avó, e até à minha mãe, mulheres, pobres, alegremente coloridas numa vida negra. Continuo sem dinheiro, mas sou rica em conhecimento, em empatia e em tolerância. Tenho consciência que existem pessoas, no país em que nasci e no país que me acolheu, a quem não foram dadas oportunidades, cuja estagnação é toda a realidade que conhecem. E essas? Têm palavra? Poderiam escrever sobre o quê? A Djaimilia escreve sobre elas?

Um autor nem sempre escolhe os seus leitores. Mas os melhores escrevem sobre a sua existência. Escrever sobre plantas e jardins e casas de banho e torneiras é tão válido como escrever sobre qualquer outro assunto. Tenho em mim a certeza que se a Djaimilia escrever sobre esses temas será um excelente livro. Já as receitas de venda, acredito que sejam, atualmente, diferentes. Mas esse assunto daria outro livro.

Sendo um ensaio, sei que se pretende que seja pessoal e subjetivo, com envolvência do leitor. No entanto, as perguntas são tantas que me senti quase culpada da experiência de vida da autora. E não sou. Confio na minha inteligência e nas minhas próprias respostas. Posso falar por mim e pela visão que eu tenho do mundo. Compreendo o tema e integro na minha vida todas as pessoas, as negras e as brancas, as amarelas, as vermelhas, as azuis e as albinas, as ricas e as pobres, os homens e as mulheres, os idiotas, os sábios e os meio/meio, os humildes, os sagazes, os audaciosos, os destemidos e os conformados. Tenho alguma dificuldade em integrar os arrogantes, os presunçosos, os imbecis e os obtusos. As respostas a todas aquelas perguntas não serão para o leitor, mas assim pareceu.

Enfim, deixo aqui o meu fraco ensaio, com a certeza que continuarei a ler Djaimilia Pereira de Almeida, convencida que este pequeno livro foi uma catarse necessária da autora, como aliás acontece aos melhores.
Profile Image for Ricardo Silvestre.
207 reviews36 followers
August 22, 2025
Escreveu a autora:
“Se tiver sido capaz de transmitir uma noção de não pertença diaspórica nos meus livros, talvez tenha feito alguma coisa bem. Porém, se tiver levado os meus leitores a interrogarem-se acerca das especificidades da interioridade de um desconhecido, acerca da dignidade categórica de se ser pessoa, terei cumprido a minha função.”

Eu interroguei-me.
E vocês?
Profile Image for Maria Reis.
32 reviews
July 21, 2024
É impossível não dar 5 estrelas a um livro da Djaimilia
Profile Image for Ana Marinho.
607 reviews30 followers
April 3, 2025
A escrita desta mulher é tão soberba que me faltam palavras para escrever uma review digna dela e das suas obras. Neste livro encontramos a compilação do ensaio "O Que É Ser Uma Escritora Negra Hoje, De Acordo Comigo", a transcrição de uma conversa com Stephanie Borges e, por último, um texto apresentado na universidade de Nova Iorque intitulado "A Restituição da Interioridade". Os três fenomenais, o que fazem com que a leitura seja voraz e extremamente satisfatória.
Tendo em consideração uns acontecimentos recentes de uma crítica ao aspeto físico de uma escritora portuguesa tenho a dizer que este livro é urgente e de leitura obrigatória e necessária - para que mais pessoas possam perceber que a escrita e a qualidade da mesma em nada têm a ver com o nosso aspeto físico.
Para mim, Djaimilia podia ou não ser negra que ia admirá-la exatamente da mesma forma. Porque não é a sua pele que a define. É o seu talento.
Foi extremamente enriquecedor ler esta partilha mais pessoal dos seus pensamentos e opiniões do que é ser uma escritora negra. A mensagem que passa é de extrema importância e a qualidade de escrita sublime. Creio que não precisam de mais nada para ficarem motivados/as a ler.
Profile Image for Francisca Almeida.
12 reviews
December 18, 2025
O ensaio, já de si uma coleção completa, é aprimorado pelas transcrições que o seguem.

“se tiver levado os meus leitores a interrogarem-se (…) acerca da dignidade categórica de se ser pessoa, terei cumprido a minha função”

Sendo este livro o meu primeiro contacto com Djaimilia, sabia durante a minha leitura que não seria o último. Aplaudo a maneira como descreve utilizar a ficção para suscitar hospitalidade nos seus leitores.

Não só irei com certeza ler a sua obra como também saio desta leitura com sugestões imensas de outros artistas e obras a descobrir.
Profile Image for Catarina Stichini .
51 reviews5 followers
December 29, 2023
Djaimilia Pereira de Almeida sobre identidade, literatura, exílio, hospitalidade, privilégio, interioridade, racismo.
O corpo do eu diaspórico afropeu como um espaço performativo.
Poético, dialógico, erudito.

Sinto sempre um misto de prazer e horror ao ler esta escritora que tanto admiro. Desta vez fico a pensar também em Virginia Wolf.
Profile Image for Andreia Morais.
456 reviews33 followers
Read
May 8, 2024
TW: Racismo

Um escritor negro pode escrever sobre temas que se afastem do racismo, da negritude, das desigualdades e de todos os comportamentos estruturais que ampliam a noção de minoria?

A pergunta parece extrema, mas tem toda a razão de ser, até porque, através das reflexões de Djaimilia Pereira de Almeida, ficamos a pensar se o racismo não será mesmo um género literário. De repente, a responsabilidade é sempre maior para um autor negro, porque lhe é exigido que seja porta-estandarte de várias causas sociais, como se apenas existisse dentro dessa bolha. E isso, para além de fomentar a diferença, só faz com que também seja retirada responsabilidade à sociedade - literária ou não).

A partir de condições que sente na pele - como ser mulher, escritora e negra -, constrói uma ponte para debatermos questões sobre identidade, hospitalidade, privilégio e a própria visão do leitor.
Profile Image for Joana.
909 reviews23 followers
February 28, 2025
Tinha curiosidade em ler este livro desde o seu lançamento, e aproveitei a sua disponibilização em BiblioLed para o ler, e foi uma leitura excelente!!!

O livro está dividido em três partes, entre um ensaio, uma entrevista e uma conferência, e eu achei o primeiro o mais interessante, centrando-se bastante na ignorância da diferença entre pessoas e backgrounds - a ideia, que eu acho que era bastante presente em miúda, que se não se considerar estas diferenças é como se o racismo não existisse. Este primeiro ensaio desconstrói esta ideia, e explora em como as suas próprias experiências como uma mulher negra impactam a escrita de uma forma inseparável.

A entrevista que se segue acaba por falar também sobre escrita em si, as escolhas neste processo, e deixou-me curiosa para ler também alguma da sua ficção. Enquanto a conferência acaba por ter um maior cruzamento entre as suas experiências pessoais e o mundo/sociedade em si, em como o presente em toda uma contextualização de racismo no Ocidente!!!

Foi uma excelente leitura, que recomendo inteiramente!!!
856 reviews
December 8, 2023
Neste pequeno volume conjugam-se dois ensaios e uma entrevista de Djaimilia Pereira de Almeida sobre o facto de ser uma escritora portuguesa negra e de todos os desafios que essas circunstâncias contingenciais trouxeram a uma mulher se encontra na leitura e na escrita. Mas que, apesar de pertencer a duas minorias, uma que o é por viver num país que é Portugal (ser negra), e de outra que só é minoria nas esferas política, social e económica (ser mulher), é escritora, e é essa capacidade que deveria sempre distingui-la.

«Não pretendo educar. A minha função enquanto escritora aproxima-se mais da horticultura dos meus vizinhos cabo-verdianos: estou a criar um espaço para uma interioridade sem restrições. A obra de ficção tem lugar no espírito do leitor». P. 96
Profile Image for João Correia.
33 reviews3 followers
February 6, 2024
palavras pequenas sendo brutas. e a noção de um país ainda muito atrasado em reconhecer as lutas de tanta gente que por quem nos cruzamos no dia-a-dia. não apenas pessoas como a escritora, que passa por mais dificuldades para ser reconhecida de outra pessoa de similares capacidades, mas tanta gente que por aqui sobrevive e nós continuamos a achar que não vivemos num país racista. mais um passo para um dia o possamos erradicar é entender, e tentar entender; e continuar nisso..
Profile Image for Ana Sofia Filipe.
275 reviews2 followers
January 17, 2025
Gostei muito do primeiro texto:
“A minha negritude é drama cerebral e não festa do quarteirão, não sábado à noite. Tornei-me negra no meu quarto. Ser negra por introspecção é destino de órfã. Condoo-me deste destino que é, no entanto, o meu”.
280 reviews3 followers
May 29, 2025
De leitura essencial para qualquer pessoa que se preze.
Coloca muitas questões , pertinentes e desconfortáveis mas é sincero , cru e autêntico.
Uma supresa e quero ler mais da autora.
Livro gratuito na BiblioLED .
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
December 28, 2024
O final do ano trouxe com ele “O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo comigo”, pequeno-grande livro a merecer a maior atenção. Neste conjunto de três ensaios - através dos quais Djaimilia Pereira de Almeida reflecte sobre o acto de escrever com a consciência de ser escritora e ser negra -, a premissa que serve de título ao livro surge acompanhada de um vasto leque de questões, a primeira das quais se prende com o tempo presente: um tempo que lembra “a cada livro, a cada linha”, que, há poucas décadas, seria impensável este seu modo de vida. Não sendo a única, esta constatação é particularmente significativa, porquanto nos obriga a olhar para a nossa sociedade e para nós próprios, para o racismo estrutural que deforma ideias e valores, e a equacionar aquilo que, eventualmente, nunca equacionámos. O que pensava, ou imaginava, ou via ou sentia uma preta era algo que não interessava a ninguém no tempo dos nossos avós ou mesmo dos nossos pais. O que é ser uma escritora negra hoje, de acordo connosco? Será este um assunto a merecer a nossa atenção, o nosso tempo?

Três textos, portanto. Três ensaios que se integram e harmonizam, sujeito e complemento uns dos outros. Três formas de pensar a escrita nas dimensões do tempo, do espaço e da pessoa, com uma firme certeza: “Não vivo de escrever, mas escrever é quem sou.” É assim que Djaimilia Pereira de Almeida guia o leitor por intermédio de reflexões de uma universalidade inquestionável. Desde logo a cor da pele, tratada como um segredo pela parte branca da família, “tabu invisível” que apenas com a publicação do seu primeiro livro – “Esse Cabelo”, Ed. Teorema (2015) – deixou de o ser. Também o preconceito que levanta muros entre brancos e negros (“Mas as pretas agora já fazem telenovelas?”). Ou ainda o ser negra e escrever aquilo que se é, sem que isso possa ser visto como uma moda, uma tendência da estação, um objecto de mercado. Questões, dúvidas, reflexões que partem do texto original e procuram desenvolvimento num novo texto intitulado “A minha imaginação não se distingue da minha identidade”, ensaio a duas vozes, na verdade a transcrição do diálogo entre a autora e a poetisa e tradutora brasileira Stephanie Borges.

O derradeiro ensaio intitula-se “A restituição da interioridade” e é o texto da conferência apresentada no ano passado na New York University, onde Djaimilia Pereira de Almeida é professora, aqui numa tradução de Vasco Gato. O assunto é, ainda e sempre, a escrita, mas a visão da autora expande-se do individual para o colectivo. É tempo de falar da supressão da interioridade negra por via da opressão colonial, uma interioridade que, ao contrário dos objectos culturais e peças de arte saqueadas que jazem nos museus do Ocidente, não pode ser devolvida. “A sua restituição é missão nossa”, afirma a autora, desenvolvendo algumas ideias que consubstanciam a sua determinação. O caminho está a ser feito por escritores, artistas, académicos, cineastas, jornalistas, activistas, casos de Zia Soares ou Hirondina Joshua, Pedro Costa ou Isabel Zuaa, Welket Bungué ou Itamar Vieira Junior. As personagens criadas por Djaimilia Pereira de Almeida e que povoam as suas obras estão lá para o confirmar. Através delas, o leitor despe-se de certezas e mergulha no que a interioridade de alguém pode ter de mais específico, naquilo que é “a dignidade categórica de se ser pessoa.”
Profile Image for Mariana.
15 reviews
May 19, 2024
Dá pra devorar em uma sentada, mas eu não dei conta. É curioso que o primeiro e o último ensaios tenham tons tão diferentes, mas que sejam capazes, os dois, de nos deixar entre o desconforto e o fascínio. Djaimilia fala do racismo a partir de sua experiência como migrante (deslocada) em Portugal, mas sua tese sobre a "restituição da interioridade negra" tem valor universal.

Djaimilia é, para mim, das maiores autoras-pensadoras lusófonas contemporâneas. Sempre um prazer lê-la, e dessa vez não foi diferente.
Profile Image for Manoela Veras.
43 reviews5 followers
January 16, 2024
Passado, presente e futuro se encontram nessa obra magnífica de Djaimilia Pereira de Almeida. A autora, ao discutir diáspora, raça e colonialidade, expõe o não-lugar dos corpos negros diaspóricos no mundo contemporâneo que vivem em desencaixe com a África já muito deixada e com o Ocidente da embranquecido. Essencial.
Profile Image for João Carranca.
15 reviews
December 6, 2023
A descrição da realidade num exorcismo de passado sofrido e ultrajante, sem medo e sem complexo
Profile Image for sami freire.
40 reviews
October 3, 2024
gostei, esperava mais nas gostei mesmo assim. a ideia de interioridade negra é bem interessante, acho que vou continuar pensando nele.
Displaying 1 - 26 of 26 reviews

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