Joana I, rainha de Nápoles, teve uma vida perfeita para um romance histórico. Desde o drama, às traições, aos segredos, às pressões, aos amores, etc. Em modo de exemplos conto que ela teve quatro maridos, muitos abortos, muitas quezílias. Por isso, posso concluir que Nancy Goldstone soube escolher bem a personagem principal, mas.... não aproveitou nada!
Esta obra é semelhante a um trabalho de história sobre a rainha, mas não tem nada a ver com um romance histórico. Aliás, ainda mal me tinha reposto do "documentário" Princesas Incas deparo-me com outro.
O pior de tudo penso que foi a ausência dos diálogos e de descrições. estas últimas, se contarmos, são apresentadas em formas de citações de escritores da época, mas que na minha opinião falham redondamente.
Os diálogos, então, são mesmo inexistentes.
Isto torna tudo muito longo e pesado, em que a história é contada de forma linear e sem qualquer cor ou interesse. A escritora relata e insiste nas datas, o que poderia nos ajudar a seguir o curso da história, mas como ela mistura-as entre elas e com o resto da acção acabamos por ficar baralhados e ter que voltar atrás para perceber onde estamos. A certo ponto acabei por só ler o dia e o mês.
Este ponto é muito negativo, porque tudo é contado na terceira pessoa e há muita alteração e troca de personagens e locais.
Se estão a espera de encontrar algo do género de Philippa Gregory estão muito enganados.
Se estão à procura de fontes para um trabalho escolar sobre o século XV-XVI então este é um livro bom para a bibliografia.
Frases Preferidas:
"Quando existe a menor familiaridade de qualquer espécie com um homem, a desgraça facilmente macula a mais honrada das mulheres." página 134
""Se eu fosse vós, Giotto", comentou num dia de Verão, "parava de pintar, agora que está tanto calor." "E eu também, Senhor", replicou o pintor, "se fosse vós."" página 263
"(...) Dante perguntara uma vez ao pintor, à laia de brincadeira, como "é que os vossos filhos eram tão feios quando as vossas pinturas eram belas". Sem perder tempo a pensar, Giotto respondeu que "pintava à luz do dia, mas procriava na escuridão"". página 263