Viúvas de Sal de Cinthia Kriemler evoca trajetórias marcadas pela constância da violência concebida à existência do gênero feminino. Muito mais que narrativas explícitas e dolorosas, a autora nos oferece personagens com perfis psicológicos desenhados em corpos atravessados pela realidade omissa que nos afoga diariamente. São ritos de passagem de uma lógica patriarcal abusiva, repulsiva e degradante. Meninas silenciadas, expostas a traumas, ao abuso sexual, à exclusão social e à alienação religiosa. Mulheres “que aprenderam a conter a raiva, a revolta, as lágrimas, a piedade”. Não se enganem, Porto do Xaréu e sua Cooperativa de Pescadoras existem, e não estão tão distantes de nossas vidas: são sombras aprisionadas no fundo de um mar escuro. Fantasmas incapazes de retornar à superfície para respirar. Ninguém escuta os seus gritos inaudíveis. Ninguém enxerga as suas mãos estendidas buscando ajuda. A escrita de Cinthia Kriemler foge da neutralidade. Ela é política, corajosamente ativista e expõe a ferida em carne viva. Mas por favor não agreguem à obra o rótulo excludente de “destinado a um público específico”. Viúvas de Sal é leitura obrigatória e necessária para todos, principalmente para aqueles que insistem em não escutar ou enxergar a misoginia que mata e abençoa os perversos. É também uma aula sobre sororidade, essa palavra que precisa sair do dicionário e verdadeiramente ser aplicada para além dos discursos feministas. Quanto a João Galafuz, que ele descanse em paz e que uma nova tempestade se anuncie sem naufrágios e mortes, mas sob o brilho intenso da igualdade e respeito às mulheres. (Taciana Oliveira)
Uma leitura forte que mostra o cotidiano de uma associação de mulheres que têm no passado as mais diferentes histórias, sempre em comum o fato de a vida ter lhes dado uma rasteira em algum momento. A habilidade com que a trama é tecida e a tensão da narrativa são pontos altos dessa leitura na minha opinião. Não dei 5 porque acho alguns saltos na história muito abruptos e talvez essa seja a intenção da autora mas tira um pouco do brilho da construção do texto na minha opinião.
Livro curtinho porém muito forte. Ele abrange varias temáticas, feminicídio, abuso, minorias, pobreza… ou seja não é um livro levinho, mas um livro duro. Apesar de duro fácil de ler. Gostei muito da escrita da autora. Não sei bem onde me recomendaram esse livro mas gostei muito.
A habilidade narrativa que entrelaça muitas histórias e tempos - de continuidades e rupturas - é um convite que irmana, também, o poético e a dureza, que romance importante de ser lido.
acho um pouco estranho como o tom da narrativa as vezes muda do drama para a comédia, a depender do ponto de vista da personagem, mas no geral, é uma história que vale ser contada.