Num português desconcertante vagueia pelos cacimbos de Angola, entre mares e desertos, rasurando poesia que recito de cor. Pelo desassossego da memória apresento sussurros e brisas que já lá vão e nos silêncios o coração da ternura. Como uma espécie de mantra fala à terra onde deixou a placenta e em gestos vagos transparece contemplação e paixão. Este livro leva-nos ao amor mal correspondido para lá da linha recta que afinal é curva. Este livro é para ser consumido de rajada ou aos poucos, permitindo usufruir do palavrear e imaginação do autor. Zulmarinho deixou-me com vontade de o reler uma e outra vez, ao sabor de luas, ventos e marés, com os olhos postos na espuma das ondas.