Kamal Achur é um professor de matemática tunisiano, que emigrou para a França para terminar os estudos universitários e ficou por lá, lecionando em uma universidade pública. É casado com uma francesa e mora num bairro rico de Paris. Kamal é um imigrante totalmente adaptado à vida francesa e ao país que adotou para viver. Um dia ele conhece Zuhra, uma tunisiana que mora no mesmo prédio e trabalha como empregada doméstica. Aos poucos, uma relação vai se formando entre os dois, que atira Kamal num vórtice emocional e o leva a muitos questionamentos.
Com uma escrita fina e bem-humorada, A vizinha tunisiana aborda de forma sutil temas como a imigração, a aculturação, a luta de classes e o amor tardio. O livro foi finalista do International Prize for Arabic Fiction em 2021 e ganhou o prestigioso Katara Prize for Arabic Novel no mesmo ano.
Habib Selmi (Tunisian Arabic: حبيب السالمي) (born 1951) is a Tunisian novelist and short story writer. He was born in Al-Ala near the historic city of Kairouan. To date, he has published eight novels and two short story collections. Selmi's novel The Scents of Marie-Claire was shortlisted for the Arabic Booker Prize. His work has been translated into a number of languages, including English and French, and has featured in multiple issues of Banipal magazine.
Selmi has lived in Paris since 1985 where he teaches Arabic literature.
As temáticas abordadas dentro da história trazem reflexões sobre a vida no exílio e, principalmente, como alguns imigrantes tiveram êxito em outro país e como outros sonham em retornar a sua terra. O protagonista não finge costume e ao longo da história mostra todos os preconceitos de quem "venceu" na vida em relação ao seu semelhante tunisiano. Como se, apesar da diferença financeira, não houvesse semelhança no motivo de viver em uma nova nação: a difícil vida na Tunísia.
Além disso, o livro mostra que a sexualidade se faz presente após os 60 anos, os jogos de sedução e a libido entre os personagens são bem construídos. Por ser uma narrativa contada por um homem tunisiano, houve um receio que sua vontade fosse imposta a mulher - apesar de não ser correspondido, fica bem claro que Zuhra também tem sentimentos por Archur.
Ainda que não tenha gostado da temática, é um livro bem escrito. Fala sobre relacionamento e sexualidade em idade avançada, mas também poder se perceber uma visão tóxica dos homens em tentar encontrar sinais de interesse feminino quando há interesse por parte deles. Além dessa temática, aborda questões de identidade entre imigrantes.
Kamal é um professor universitário tunisiano erradicado na França, que desenvolveu sentimentos por uma vizinha que ele descobre ser sua conterrânea, Zuhra. A relação deles é permeada por muitas camadas, quase todas ligadas a sua nacionalidade, e por uma relação de poder, pois eles são de classes sociais diferentes, o que é muito marcante pra ele, trazendo para Kamal muitas vezes uma surpresa quanto a alguma ação de Zuhra, afinal ela é "apenas uma empregada".
Zuhra é uma personagem vista a partir do ponto de vista de Kamal, que é o narrador em primeira pessoa, então muito do que conhecemos dela é impregnado pela percepção dele, logo não é muito confiável. Ele narra um jogo de sedução que me parece ser muito aumentado e enfeitado pela sua imaginação. Muitas vezes duvidei da participação real de Zuhra nesse "jogo".
Ao começar a conviver com a empregada, Kamal revisita suas raízes, resgata parte da sua essência e cultura que foram muito diluídas por seus anos na França em nome da sua adequação ao novo país. Ao casar-se com Brigit, Kamal renunciou de parte dessa identidade, que ela passar a rememorar junto de Zuhra.
O final foi esclarecedor quanto a participação dela nas divagações e pensamentos de Kamal.
Eu gostei muito da perspectiva de um imigrante árabe na Europa, a discussão sobre aculturação e xenofobia que a leitura desperta.
Gostaria muito de ter gostado desse livro, de dizer que ele é excelente... mas não é possível.
Embora o autor seja talentoso, o assunto escolhido por ele, somado à estreiteza de riqueza de personagens e ambientes, faz com que o livro seja bastante vazio.
Em outras palavras, o que funcionaria para um conto foi extendido ao máximo, criando um livro com pouquíssimas informações. E aquelas que existem são tão óbvias! Com sinceridade: o que acontece é exatamente o esperado que fosse acontecer. Uma pessoa que lê as primeiras vinte páginas pode facilmente visualizar o que será contado nas 160 seguintes.
O que mostra ser um livro calculado, planejado, mas não sentido: nada nele surpreende, nada emociona, tudo é por demais trabalho braçal.
I'm not sure why this book captivated me so much, despite not really caring about the central plot. Maybe it was the interiority – an emotional interiority mirroring the fact that almost the entirety of the book takes place in one Parisian apartment building. Maybe it was just due to the way it wended amidst the quiet navigation of what it is to encounter a fellow immigrant in Paris. Either way, it touched on a lot of themes I wish it would have explored more deeply, but I ultimately found it enjoyable to read, if not terribly memorable.
Leitura indicada pela AIGO Livros, Livraria Migrante, do Bom Retiro Sampa Olhe... uma misto de alegrias e indignações. Machismo entrelaçado por etarismo e submissão capitalista. Mulheres desrespeitadas mas que se fazem respeitar por fim. Uma sensação de fragilidade masculina... tão imigrante, tão sensível e ... e seguimos Demorei pra terminar. Finalizei pelo incentivo de conhecer o Tunisiano Zied em Jan/25
Je suis allée au bout de ce roman mais il m'a fait lever les yeux au ciel un nombre incalculable de fois. Je n'y ai décelé malheureusement aucune finesse, j'ai même trouvé certaines scènes et certains propos assez gênants.
não gostei muito, achei que a história em algum momento fosse levar a algum lugar mas na real não chegou a nada, inclusive achei meio problemático em alguns momentos