★★☆☆½ Poemas para adiar o fim do mundo, do Moreira de Acopiara, foi uma leitura que me deixou dividido. Reconheço a força da voz do autor, o enraizamento cultural e a musicalidade do sertão, mas muitos dos temas simplesmente não fazem parte do meu repertório afetivo. Poemas sobre vaqueiros, paisagens sertanejas e vivências muito específicas criaram uma distância natural entre mim e a obra — não por falta de qualidade, e sim por falta de identificação. Ainda assim, alguns textos me tocaram profundamente. Que venham os dias, Quanto mais livres, mais belos, Importantes conselhos e O abraço carregam uma sensibilidade que atravessa qualquer fronteira temática. Nesses momentos, senti o brilho do autor, a ternura, a sabedoria e o afeto que tantos leitores elogiam. Mas, no conjunto, a leitura foi lenta, espaçada, e não consegui me envolver como gostaria. Por serem poemas, demorei mais para avançar, e a conexão não veio com a força que eu esperava. No fim, admiro o gesto poético e a intenção da obra, mas ela não conversou comigo por inteiro. Minha nota fica em 2.5 estrelas.