É um livro que consegue ser tranquilo e ao mesmo tempo muito triste, acompanhei as histórias entre as músicas da rádio do livro, me senti lendo um podcast.
O autor escreveu o livro 3 anos depois do terremoto de Tohoku (2011) onde a reconstrução das cidades e a ajuda humanitária para os desabrigados ainda estavam em progresso. São dois narradores: o primeiro está meio suspenso no tempo, enquanto o outro se passa mais ou menos 3 anos depois do tsunami.
A história fala sobre luto, arrependimentos e tragédias, existem várias pequenas histórias que são deixadas em aberto para o leitor imaginar, muitos diálogos te fazem pensar se as coisas poderiam ter sido diferentes, que talvez pequenas mudanças pudessem ter feito menos pessoas morrerem, o livro te deixa de luto pelos personagens ao mesmo tempo que te faz lamentar a morte das vítimas reais do desastre.
Esse livro é um acontecimento. Tô me sentindo um pouco devastada desde que acabei a leitura, uma coisa no coração sla.. É tão triste e confuso, embora tenha tentado me situar em muitos momentos da narrativa, ainda assim, é um livro que me pegou desprevenida, pois me fez chorar que nem uma besta em alguns trechos. Eu amei.
Li Rádio Imaginação de um lugar muito particular. Desde as primeiras páginas, fui imediatamente transportada para o episódio "Espíritos Pós-Tsunami", da série Mistérios sem Solução (Netflix), que aborda os relatos de aparições após o tsunami de Tōhoku. Diferentemente de uma narrativa convencional sobre fantasmas, o documentário trata essas experiências como manifestações profundamente ligadas ao trauma coletivo e ao luto. Existe ali a ideia de que muitos mortos ainda buscavam um caminho, como se a violência da tragédia e a impossibilidade de uma despedida tivessem deixado algo suspenso entre os vivos e os que partiram.
Essa perspectiva atravessou toda a minha leitura. Passei o livro inteiro pensando no desafio de elaborar o luto diante de uma perda dessa magnitude, tão abrupta e coletiva, em que tantas histórias foram interrompidas sem qualquer possibilidade de despedida.
É justamente nesse ponto que o livro me parece mais potente. O romance dá voz aos mortos, mas não como seres que simplesmente atravessaram para outro plano. Seu narrador também precisa compreender o que lhe aconteceu. A rádio torna-se esse espaço intermediário onde as histórias continuam existindo, em que aqueles que partiram ainda podem ser escutados e, de certa forma, onde o sofrimento encontra um lugar para ser elaborado.
Enquanto pesquisava sobre o tsunami durante a leitura, descobri também o chamado "telefone do vento", instalado na região de Tōhoku para que sobreviventes pudessem conversar simbolicamente com familiares e amigos que morreram na tragédia. Essa camada de realidade tornou a experiência do livro ainda mais significativa. A rádio imaginada pelo autor dialoga diretamente com uma necessidade humana muito concreta: criar formas de continuar falando com quem já não está mais aqui.
Entre os muitos momentos marcantes da narrativa, dois ficaram especialmente comigo. O primeiro é acompanhar o narrador percebendo, pouco a pouco, a própria morte. Existe algo profundamente doloroso nesse processo de reconhecimento, que acaba funcionando também como uma metáfora do próprio luto vivido pelos que permanecem vivos.
O segundo é a imagem recorrente da árvore. O narrador transmite seu programa do alto dela, transformando-a em um ponto de comunicação entre mundos. É uma imagem belíssima, mas que ganha uma dimensão ainda mais dolorosa quando lembramos da tragédia real: muitos corpos ficaram presos às árvores após o tsunami. No documentário, um dos relatos mais devastadores é justamente o de um pai que encontrou uma de suas filhas dessa maneira. Saber disso fez com que esse símbolo adquirisse um peso emocional ainda maior durante a leitura.
O livro nos mergulha em um mundo que ultrapassa o real - não para escapar da tragédia, mas para encontrar uma linguagem capaz de acolhê-la. Acompanhamos um locutor carismático que, enquanto conduz seu programa, também percorre a própria raiva, tristeza, negação e aceitação ao descobrir sua condição. Ao fazer isso, o romance cria um espaço imaginário para elaborar uma dor que talvez fosse impossível de narrar apenas pelos limites da realidade.
Mais do que uma história sobre fantasmas, Rádio Imaginação é uma narrativa sobre memória, ausência e sobre a necessidade profundamente humana de continuar conversando com aqueles que perdemos, mesmo quando já não há mais resposta.
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Rádio Imaginação não é o que eu esperava (e eu já nem esperava nada pq nem sinopse eu leio direito), e apesar de ser desafiadora a leitura, eu achei um livro bem delicado em relação ao luto. É um livro meio confuso, não existe uma linha do tempo exata, nem tantos diálogos, isso acaba complicando muitas vezes a relação que os leitores vão ter com o livro. Eu não indicaria para qualquer um, mas é um livro com sua beleza própria!
Totalmente confuso. O autor não faz distinção entre passado e presente e isso confunde demais a leitura, parece que você está lendo um diário de uma criança de 7 anos que recém aprendeu a ler. Estava super animada com a premissa do livro, me interessei logo que li a sinopse, mas me frustrei demais. Terminei na base do ódio 🫠
a escrita é muito boa, mas eu voei tanto que dormi, mas a ideia é genial, só não me conectei muito com os personagens e fiquei perdida em alguns diálogos
“Porque eu, que vivo ao rés do chão, também me sinto como se vivesse pendurada no topo de uma árvore alta, as folhas pontiagudas feito agulhas.”
“Quem morreu não está mais neste mundo. Temos que esquecê-los e viver a nossa vida. Sim, sem dúvida. Se ficarmos enredados com eles para sempre, isso vai acabar roubando também o tempo de quem sobreviveu. Mas será que esse é o único caminho certo? Não podemos abrir os ouvidos para as vozes de quem morreu, sem pressa, nos entristecer e lamentar por eles, e ao mesmo tempo ir caminhando adiante, pouco a pouco? Junto com os mortos?”
“Mais do que os vivos abraçarem os mortos, mortos e vivos se abraçam mutuamente.”
“É, três pintas, pequenininhas, que nem estrelas.” “Por que você não me mostrou na época?” “Não achei que fosse tão interessante.” “Mas você mesmo achou interessante, não achou?” “É, um pouco. Na verdade, agora é que eu olho mais. Porque é uma marca que você deixou em mim.”
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Gostei muito de "Rádio Imaginação". Uma leitura delicada, com vários trechos interessantes e que nos fazem parar para refletir sobre a vida. Tem uma narrativa dinâmica, agradável, que me surpreendeu e me fez ler o livro de maneira rápida. Além disso, é muito inteligente a forma que o autor utiliza para abordar a memória coletiva de uma tragédia, como a ocorrida no Japão em 2011.