No volume 10 temos uma continuidade no relacionamento entre a Yuhata, a Shinatose, a Tsumugu e o Nagate. Acontece um acidente que deixa a Shinatose bastante ferida e isso serve como um catalisador para explorarmos o carinho que todos sentem por ela nesse tempo em que eles passaram a viver juntos. Aqui ficou mais claro de que maneira o Nihei está explorando a questão sexual dela, e, ufa... fiquei mais aliviado. Tem a ver mais com como ela enxerga a si mesma. No começo da série, a personagem era bastante neutra. Dava até para pensar que a feminilidade dela tinha a ver com algum tipo de personagem andrógino, como é comum em mangás japoneses. Mas, pouco tempo depois, ela explica a situação dela e isso fica mais claro. De algumas edições para cá a personagem deixou de ser uma pessoa solitária e passou a viver junto de outros. E ela começa a despertar sentimentos pelo Nagate. É muito bacana vermos a amizade que se desenvolveu entre ela e a Tsumugu e como a Shinatose vê na Yuhata uma confidente.
Mas, o tema central desse volume é a transformação de seres biológicos em armamentos. Tsumugu é o resultado da visão científica do Kunato em usar gaunas para criar quimeras. A quimera é um sucesso porque ela possui uma personalidade predominante. Só que Kunato quis ir além e daí surge Kanata, a quimera de número 2. Essa é um pouco diferente de Tsumugu, com capacidades reprodutivas, habilidades transmutadoras e até controle da mente. O leitor é levado a imaginar que as experiências do Kunato são um segredo conhecido apenas pelos membros de sua corporação. Mas, percebemos que isso não é o caso e tem gente da nave que ajuda a encobrir e a estimular o desenvolvimento bélico. Como qualquer arma de alto poder de destruição, existe sempre algum porém em sua utilização. E o controle sobre Kanata não é tão fino assim. Ou seja: estava na cara que alguma coisa ruim iria acontecer. Pensar que toda a confusão aconteceu pela ambição do homem de criar algo extremamente poderoso para destruir seus inimigos é quase um espelho do que foram os testes nucleares durante a Guerra Fria. Quaisquer efeitos colaterais são apenas um reflexo de nossa tolice.
Tirando o trecho final desse décimo volume, não vi nada de muito especial neste volume. Assim como no anterior. Gosto das cenas de ação do Nihei, mas algumas das páginas tem traços tão finos que parece que não foi arte-finalizado. Pode ser uma característica específica do autor, mas me incomodou um pouco. As cenas deste volume se passam mais internamente. Confesso que o primeiro e o último capítulos deste volume são os que mais me agradaram por se passarem no interior da nave e em lugares que não haviam sido explorados ainda. Sem mencionar que o Nihei precisou conter mais a sua loucura em criar criaturas bizarras. Gosto muito do design da Tsumugu quase sendo alguma espécie de princesa alienígena, mas com um poder avassalador. Kanata também é medonho. Fico imaginando aquele rosto bizarro que parece saído de algum jogo do Metroid, da Nintendo. No mais, foram dois volumes de transição e que posicionaram as peças para o ato final a acontecer nos próximos volumes.